segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Achei a mulher da minha vida

Ela é sorridente e alegre, feliz com suas escolhas de vida e bem resolvida nas relações pessoais.

Trabalha com sua criatividade e exerce sobre os outros um fascínio inegável.

Tem um corpo atraente, ágil e proporcional. Muito sedutora.

Tem seus momentos de introspecção, gosta de ter seu canto, ficar sozinha lendo ou refletindo sobre sua vida.

Não tem nenhuma necessidade de se auto afirmar, acredita nas pessoas e vive sem expectativas.

Ama música, conhece uns ótimos grupos obscuros e está sempre na vanguarda, ouvindo o que será sucesso de meses depois.

Ligada em tecnologia, domina a internet como ninguém, escreve seu próprio blog, mantém seu twitter atualizado pelo celular e sabe configurar perfeitamente uma nova partição em seu HD.

Adora viajar, fala inglês fluente e arranha no espanhol, francês e italiano.

É independente, saiu da casa dos pais bem cedo e paga sua própria conta de luz. Mora sozinha.

Acredita em ecologia, gosta de manter a natureza como a encontrou e se esforça para passar sua mensagem adiante.

Adora uma balada, sempre gostou do trabalho dos DJs e sabe a diferença entre um CDJ 200 e um 400.

Bem resolvida na cama, se entrega com amor e profundidade. Sabe o momento certo do parceiro. Aberta a novas experiências e sem preconceitos. Conhece como ninguém seu próprio corpo.

Trabalha com caridade, organiza eventos beneficentes e está sempre disposta a ajudar o próximo, no mais completo anonimato.

Vem de uma familia abastada, com ótima educação, mas faz questão absoluta da simplicidade no dia a dia. Não ostenta, apenas usufrui.

Todo mundo me dizia que no dia que essa mulher aparecesse, a tal da mulher certa, eu saberia na hora.

Finalmente apareceu.

A minha mulher certa está dentro de pequenas partes em todas as mulheres que já convivi, cada uma com sua característica, cada uma com sua qualidade.

E eu amo todas elas.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Tudo por um pouco de paz

Nessa passagem de ano, tive a oportunidade de entrar em contato, bem próximo, com um dos pilares de nossa sociedade: a família e seus filhos.

Pude presenciar a batalha que é cuidar de crianças, todas cheias de mimos e vontades. Eram três filhos de cada casal, seis crianças e ainda mais uma convidada, sete no total.

Os pais, se desdobrando em dez, tentando aplacar a agitação da prole, inventavam atividades, brincadeiras e ao mesmo tempo, cuidando das coisas largadas pelo chão, da educação e boas maneiras, do banho e da alimentação de todos, como super-homens e mulheres maravilha a serviço da dita “felicidade” e educação de seus filhos.

A eles não pode faltar nada, sob pena de culpa eterna na consciência dos pais, pois se um filho der errado, a culpa será dos pais, invariavelmente.

Hoje, crianças e igrejas estão na moda e não existe melhor maneira de ser aceito na sociedade se você tem filhos e está com as suas contas (literalmente) em dia com Deus, mas sobre religião falaremos em outra oportunidade.

Meu foco aqui é na relação dos pais com filhos.

Imaginava ver uma relação saudável, com respeito mútuo e explícitas demonstrações de afeto entre os pais, que criam seus filhos com harmonia e paz, mas o que eu vi esses dias todos foi completamente o oposto. Pais que se desafiam e competem entre si, com troca de piadinhas sobre “mulheres desejáveis e bonitas” que viram no último filme que assistiram juntos ou sobre o quanto o marido ganha menos que aquele seu ex-colega de faculdade que deu certo na vida.

A troca de farpas é constante. Em todos os casais casados.

No meio desse tiroteio, crianças gritando e chorando, correndo de um canto para outro, tentando atrair um pouco da atenção que os pais um dia lhe deram, mas que hoje virou só um conjunto de regras enorme para enquadrá-lo bem à sociedade e garantir seu sucesso.

No canto, esses mesmos pais, na ausência rara dos filhos, se atrevem a confessar para mim, um solteiro sem filhos, que estão cansados, estressados e gostariam de um momento sem os filhos, para finalmente poderem descansar. Se declaram cansados.

Eu vi bem como é isso! Se nem o meu descanso foi possível, imagine o deles. Passei os dias enfiado nos livros, com fone de ouvido na orelha, tentando um pouco fugir de toda aquela barulheira e bagunça.

Criança é naturalmente hiperativa, mas criança filha de pais em atrito, inseguros, competindo, somam ao excesso de atividade um comportamento inseguro e tentam o tempo todo, chamar a atenção a si, nem que seja fazendo xixi na cama, como uma delas fez.

Eu tentando manter a calma, sem dizer nada, só observei. O máximo que fiz foi comentar o quanto era interessante conviver tão de perto com aquela realidade tão distante da minha vida.

Foi mesmo muito interessante esse período de observação. Reparando bem nas crianças, com seus iPods, bolsas e roupas e grife e toda sorte de produtos, vi o quanto o consumo se incrustou na vida delas. Fiquei pensando qual seria a hora que esses casais fazem sexo, já que levam os filhos para dormirem no quarto junto com eles. Vi também sua necessidade por um momento de paz, quando a mãe joga ao pai a responsabilidade sobre o filho gritando e o pai entediado levanta da cadeira para não ficar “mal na fita” com os anfitriões. Foram diversas outras situações similares.

Enquanto os pais, cheios de expectativas, esperam que seus perfeitos filhos, com QI acima da média, vençam na vida e façam mais sucesso que eles próprios fizeram, geram um ambiente de extrema competição e insegurança. Torcem pela felicidade dos filhos, mas na verdade, estão cobrando caro por essa felicidade. Eles exigem essa felicidade dos filhos, demandam que sejam felizes. Indicam aos filhos seus moldes de “sucesso na vida”, afinal eles sabem onde seus pais erraram e dessa vez não vão repetir o erro com seus próprios filhos.

Não repetem, é verdade, criam novos erros.

Atrelada a essa criação, junta-se a informação recebida pela TV e a escola, ferramentas de doutrinação e domesticação. O filho rebelde começa a se enquadrar aos moldes sociais e começa assim a preparação de indivíduos bem adaptados ao mercado de trabalho. Na escola ensinam a todos a pensarem igual, serem iguais e pacificamente aceitarem as regras. Pensar diferente é ser rebelde, o bonito é ser igual.

É a perfeita fábrica de adultos imbecis e sem pensamento próprio.

Os mesmos adultos que serão os perfeitos futuros pais para a próxima e prodigiosa geração de consumidores e fiéis.

Amém.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Desamigando

Recentemente, usando os meus conceitos da economia de energia que já comentei por aqui, resolvi dar uma limpa na minha lista de “amigos” do Orkut. Sim, “amigos” entre aspas mesmo. Não dá para chamar todos dessa lista de reais amigos. A lista resume uma mistura heterogênea de pessoas, relações que de certa forma fazem parte em diversos níveis da minha vida. Não é, em minha opinião, a melhor definição de amigo.

Partindo de uma lista de mais de 2000 pessoas, em dois perfis no Orkut, me vi na necessidade de abrir um terceiro perfil. Na época, eu perdia um bom tempo respondendo perguntas e pedidos de gente que eu nunca tinha visto na vida. Inicialmente, o que era prazer, virou uma dor de cabeça. Algo estava errado com aquilo. Era hora de mudar.

Primeiro, fechei de uma vez um dos perfis e reduzi a lista para 1000 pessoas. Depois, do perfil original, fui eliminando pessoas que não conhecia e cheguei em 700 pessoas. Pessoas que já cruzaram comigo em algum momento da vida, amigos de amigos, freqüentadores das boates que toco, fãs do RadioDJ.com.br e alguns remanescentes da época do reality show Aprendiz e até alguns amigos de verdade. De certa forma, essa lista de “amigos” do Orkut me manteve conectado a todas essas pessoas, por um bom tempo.

Não preciso dizer nada sobre os malefícios desses sites de redes sociais e de toda (voluntária) exposição de privacidade. Isso todo mundo já sabe. Os benefícios da facilidade de comunicação também todo mundo conhece e adora. É o velho dilema:
Preservar a privacidade ou manter o canal de comunicação?

Com o advento de poder proteger as suas fotos, depoimentos, scraps e até mesmo seu perfil, o Orkut voltou a ser um local onde uma pseudo privacidade voltou a ser possível, continuando a manter contato só com pessoas da sua lista de “amigos”.

Resolvi restringir a minha lista às pessoas que agregaram algo em minha vida e fui apagando pessoas que eu não tenho muito contato ou que simplesmente não tinha sentido mantê-las como “amigos”. Pessoas que não convivem mais comigo também foram apagadas da lista, perdeu o sentido mantê-las. Chega de dar aval a quem que nem faz parte do meu dia-a-dia.

Decidi que minha lista não seria mais uma simples coleção de conhecidos.

A limpeza se revelou uma catástrofe social. Chegaram alguns e-mails de pessoas furiosas, pedindo satisfações do porque eu as teria tirado de minha lista, algumas pessoas, realmente ofendidas ou chateadas, chegaram a questionar a ética do meu ato. Outras chegaram a me interpelar cobrando pessoalmente uma razão, em um ato constrangedor. O mais incrível é que a maioria delas nem ao menos falou comigo nesses últimos meses, nem um telefonema...ou seja, não fazem a menor questão do contato pessoal, que para mim é o único motivo para participar de comunidades sociais.

A minha resposta para essas pessoas foi sempre a mesma:
“Querido amigo (ou amiga), você tem meu celular, meu endereço de e-mail e meu msn. Sabe ainda onde eu toco todas as quintas e pode me convidar quando quiser para um encontro ou almoço, que irei com o maior prazer. Nada mudou em nossa relação. Fique tranqüilo(a).”

Nada disso adiantou, continuaram ofendidas. Elas queriam mesmo é continuar “amigas” do meu Orkut. Levaram o negócio a sério demais. Uma amizade em risco por causa de uma lista em um site de relacionamentos.

O que era uma ferramenta de comunicação virou uma chancela de aceitação e aprovação social e até mesmo um estepe emocional.

Uma das pessoas que apaguei da lista, que não falava comigo faz tempo, me disse que para ela bastava a minha foto do perfil aparecer na tela dela para ela saber que estou bem e que se sentia reconfortada só de ver minha foto por ali.

Infelizmente a recíproca não era verdadeira, apaguei sem dó.

Agora se alguém quiser saber se estou bem, vai ter que gastar alguns segundos pelo msn e me perguntar. Ou quem sabe, vai ter que me ligar. Ou ainda, num esforço extremo e desumano, vai ter que me ver pessoalmente. Vai ter que (re)aprender a se relacionar comigo e não com a minha foto numa lista.

Sinto que serão tempos difíceis, esses futuros, para os meus “amigos” virtuais.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Melhor não?

Ultimamente tenho ouvido muito, de diversas pessoas, a seguinte frase:

- Acho melhor não!

Os motivos e causas, as mais diversas, mas todas relacionadas a medo, perda, riscos, sofrimentos ou dor.

Assim essas pessoas seguem perdendo aquilo que escolheram não viver ou ter. Para fugir do sofrimento e a perda, evitam a todo custo viver. Se contentam em lamentar. É mais ou menos como um morto lamentando o medo de morrer.

Eu não entendo exatamente porque evitam seguir.

Vamos dar um exemplo bem simples: Uma pessoa, mesmo amando motos, escolhe não ter uma. Os motivos podem ser os mais diversos: medo de acidente, medo de roubo ou algum outro medo qualquer. Na balança do custo benefício, acabam desistindo do seu sonho ou vontade, porque existe um risco maior do que a vontade. Fica simples de aceitar e entender, porque se trata de um bem material, mas o que pensar quando o assunto é viver o amor?

Desistimos do amor, pelo risco do sofrimento, pela falta de segurança ou pelo risco da perda. Mas o que será que acontece com uma pessoa que não vive seus amores? Vive na segurança eterna da solidão, se garante no isolamento, na superficialidade e assim leva sua vida, transferindo suas energias para coisas mais “seguras” como o trabalho, o dinheiro ou cuidando da sua estética, hobbie ou algo assim. Algumas enveredam pelo caminho do conhecimento, afundando-se em livros ou algum instrumento musical. Dedicação absoluta, abnegadas.

Hoje o medo tomou conta das relações, ninguém está mais disposto a se entregar, colocar sua vida na mão de outra pessoa. Como vão controlar a situação depois? Os poucos que ainda o fazem, são tidos como kamikazes, suicidas amorosos que terão fim certeiro no abandono e conseqüente sofrimento amoroso.

Na minha visão, estes sim, são os afortunados. Estão vivos e vivendo. Escolheram não lamentar a morte, mas celebrar a vida da maneira mais simples que existe: vivendo.

Melhor não? Melhor sim, melhor é viver. Com as alegrias e os sofrimentos incluídos.

E àqueles que acham que podem viver sem sofrer, mesmo abdicando de crescer e fugindo dos riscos, só não esqueça que um dia essa incrível jornada terá fim e o que sobrará da vida, usando a frase do “filósofo” Athayde Patrese, é a vida que se leva.

Você escolheu não viver? Melhor não!

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Estamos ficando velhos mais rápido?

Recentemente recebi a visita do meu pai, que mora em outro estado e vem para São Paulo uma vez por ano.

No diálogo dele a mesma frase de sempre: "É meu filho, eu já estou com um pé na cova e outro na casca da banana. Não há mais o que fazer, estou só esperando a vida acabar." Reclamando da vida, reclamando das ex-mulheres, dos problemas nos negócios, do fato de morar longe e principalmente, do meu desinteresse na continuidade de seus negócios. Tudo isso, naquele tom melancólico, de gente que sofre, mas sem nenhum motivo aparente.

Tudo isso, dito no restaurante ótimo que fomos almoçar juntos. Era para ser celebração, reencontro alegre de pai e filho que não se viam há tanto tempo, mas é só lamentação atrás de lamentação. Disperso, eu olho para as outras mesas, tudo lotado. Sentados ao lado, várias pessoas de todos os tipos e idades, todos com a mesma cara fechada e séria do meu pai, que continua resmungando à minha frente. Ninguém, absolutamente ninguém sorri. É impressionante.

Na mesma hora, começo a refletir sobre minha vida, minha alegria e meu jeito leve e positivo de encarar os problemas (sim, eu também tenho problemas) e chego a conclusão que algo está errado. Penso que devo estar perdendo alguma coisa. Porque só eu estou sorrindo aqui? Será que a vida é para ser sofrida? Será que perdi a referência? Será que devo me sentir culpado em ser feliz?

Entre uma piada para o garçom, que se diverte com minhas besteiras e um elogio ao cozinheiro, que imediatamente começa a sorrir, percebo que é possível ver o sorriso aparecer, com coisas muito simples, apenas com o afeto colocado em uma piada ou um elogio.

Nessa hora, volto minha atenção para meu pai e resolvo falar um pouco sobre a minha visão da vida, das minhas escolhas e do caminho que resolvi seguir...e, com surpresa, percebo que ele não quer me ouvir, só quer falar.

Comento sobre minha experiência com o Pilates e que o alongamento tem feito milagres para minha disposição e físico e o que escuto são só lamentos sobre sua pressão alta e o possível câncer em alguma parte do corpo (e toda semana é uma parte nova).

Com 70 anos nas costas, meu pai tem ainda um longo caminho pela frente. Sua idade, seu envelhecimento físico, não chega nem perto do seu envelhecimento psicológico. Ele se sente infeliz, mas não tem absolutamente nenhum motivo para isso. Tem dinheiro acima do suficiente para viver, ama e é amado por uma companheira, tem dois filhos muito bem criados e saudáveis, mora em uma casa espaçosa e confortável e, a seu contragosto, tem a saúde perfeita, confirmada por todos os exames que insiste em fazer toda vez que sente uma dor em algum canto. Nada, zero, resultados perfeitos.

Então, qual será o real problema dele? Me perguntei isso diversas vezes e até hoje não achei a resposta.

Ele se diz cansado, pressionado pela situação atual de sua vida. Diz que se sente velho. Talvez aí tenhamos uma pista sobre o real problema. Ele cansou sim, mas das cobranças da vida social. Ele ainda acha que precisa da aprovação dos outros para ser feliz, mas ele só precisa de auto-aprovação, e quem controla isso somos nós mesmos.

Ele acha que precisa dizer a marca de seu carro, precisa dizer que seu cartão platinum master super mega blaster não tem limite, precisa dizer o que tem. Clara vítima da mídia. Nem passa pela cabeça dele dizer o que é, como pessoa. Deve achar que é pouco.

Talvez ele nem desconfie que só precisamos da nossa permissão para sermos felizes.

Aprendi, com as aulas de teatro, a resgatar a criança dentro de mim. Aprendi a me fazer de ridículo, sem prejuízo algum, e com isso fazer alguém rir. Aprendi a rir de mim mesmo.

Nenhuma criança precisa de pose, nem de posses e nem de prestígio. Nem cartão de crédito sem limite.

Depois desse encontro com a minha criança, comecei a rejuvenescer, até fisicamente. Me permiti ser feliz fazendo o que gosto, sem culpas e sem preocupações com o que os outros vão achar.

Penso muito no meu pai e por conseqüência, penso muito como será a minha própria velhice.

Claro que aos 40 anos, meu corpo já não responde mais da mesma maneira de antes. Comidas pesadas pesam de verdade, exercícios extremos causam dores por todo lado no dia seguinte e o reflexo e a agilidade não são mais os mesmos, só que a cabeça continua de moleque. Me sinto jovem e sei que isso não vai mudar tão cedo.

Me permito ser uma pessoa feliz e me sentindo jovem.

Quando será que meu pai vai se permitir?

domingo, 7 de dezembro de 2008

Economizando energia

Teu coração é dividido em tantas partes quantas são as tuas preocupações. Cada cogitação leva o seu pedaço.
(Teresa de Ávila)


Assim, vamos nós, dividindo nosso tempo e nossa atenção com muitas coisas e pessoas. Nem sempre essas coisas ou pessoas merecem nossa energia, nosso tempo ou nossa dedicação.

Pessoas que não merecem nossa energia, não necessariamente fazem algo de ruim ou errado.

Simplesmente não fazem nada. Não estão disponíveis.

Isso não as faz pessoas melhores nem piores, isso não muda o que são. Você continua gostando delas e ficando triste porque as coisas entre vocês não evoluem, mas infelizmente não há o que fazer.

Elas simplesmente não querem trocar.

Aceitam felizes todo o carinho e tempo que você tem disponível para elas, mas não estão dispostas a ceder em nada, nem em pensamento.

Esse raciocínio serve para homens e mulheres aos quais você está dedicando sua energia e não sendo correspondido. Não é relativo a sexo ou nada do gênero.

O ponto, o foco, é a troca em si.

Talvez estejam em momentos diferentes, caminhos e direções parecidas, mas em pedaços diferentes da mesma estrada. Você vive puxando a pessoa para caminhar junto a você, mas a estrada dela, só ela mesma sabe qual é. Você enxerga uma futuro brilhante para os dois juntos, mas a pessoa enxerga outra coisa, bem diferente disso. Triste desencontro de momentos.

A mesma coisa acontece com coisas que tomam tempo demais, como aquele seu carro vintage, que você, colecionador, perde finais de semana polindo e procurando peças que não existem mais. Se o prazer de ter um carro assim foi menor que o trabalho para mantê-lo, algo está errado.

Trabalho mal remunerado é a mesma coisa. Excesso de esforço, empenho, energia, tempo e na hora do salário, nada ou muito pouco. É duro levar essa situação por muito tempo sem prejuízo (inclusive financeiro) para quem se coloca nessa posição.

Trocar é a coisa mais gostosa dessa vida. Estar disponível é estar vivo.

Claro que precisamos doar também, generosidade faz um bem danado, mas ninguém pode doar o que não tem ou o que não pode. Fica injusto. Doar a sua comida para quem precisa e você passar fome depois disso é um disparate.

Por isso, é bom sempre ter em vista a saúde de suas relações com coisas e pessoas e não deixar nada nem ninguém ser injusto.

Resta viver a tristeza da falta da troca e comemorar o fato de não ter sido injusto consigo mesmo.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Será que chove amor hoje?

Você consegue fazer chover na hora que quer?
Será que alguém consegue fazer parar de chover na hora que quiser?
Não né?
A mesma coisa acontece com o amor.
O amor é só mais uma fenômeno natural. Ele simplesmente acontece.
Só que muita gente não aceita, não consegue ver assim.
Tentam, a todo custo, colocar regras e conveniências para o amor.
Tem gente que quer dizer quando pode ou não pode sentir, ou a hora mais conveniente para amar, mas isso é só uma ilusão.
O sentimento continua ali, mascarado, como que escondido por uma capa ou um bom guarda-chuva. O sentimento, assim como a chuva, continuam lá fora, mas fingimos que não vemos, ou pelo menos, tentamos fugir e nos proteger do seu efeito.
Não tem saída. A chuva em si, como o amor, ninguém controla. As coisas acontecem naturalmente, de acordo com a necessidade da natureza.
Por isso, você se apaixona quando vê alguém pela primeira vez, ou toma uma chuva gigante na cabeça, quando o céu nem nublado estava.
Seria ótimo poder escolher a hora de chover quando plantamos algo, saber a hora certa para plantar e ter certeza que a natureza vai mandar água suficiente para que a plantação cresça saudável, mas nem sempre é assim.
Seria ótimo saber que alguém que gostamos vai nos amar para sempre, mas não existem certezas nos fenômenos naturais. Até mesmo as mais avançadas previsões falham.
Assim na natureza e assim no amor.
Toda vez que tentarmos controlar o amor, repetimos o que acontece quando o homem quer controlar e modificar a natureza: cagada.
Minha sugestão é que você deixe acontecer, corra os riscos de voltar todo molhado para casa. Ou voltar amando.
Deixa chover amor em sua vida!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O Menino da Bolha de Plástico

No filme "O Menino da Bolha de Plástico", de 1976, Tod Lubitch foi "condenado" a passar o resto de sua vida dentro de uma bolha de plástico onde poderia ter um sistema esterilizado e viveria a salvo de bactérias e vírus que para pessoas normais não representam risco, mas para ele, poderia levá-lo à morte. Tudo isso porque nasceu com uma deficiência rara no sistema imunológico.

Andando outro dia de carro, me toquei o quanto todos nós viramos um pouco Tod Lubitch. Os vidros escuros, que nos protegem de eventuais assaltos, não nos deixam mais ver as pessoas nos carros do lado. Adeus paquera no trânsito.

Outro dia fui mostrar uma casa linda que conheço a uma amiga, passeando pelos Jardins, em São Paulo. Só que por medo de assaltos, os donos da casa subiram os muros a uma altura que, de fora, não se via mais a casa. Agora parece um presídio com câmeras e sensores infravermelhos para todo lado.

Quando comprei meu primeiro celular com capacidade de enviar SMS, pensei comigo mesmo, que coisa inútil! Para que alguém ia querer mandar mensagem de texto se pode ligar para a pessoa usando o mesmo aparelho e pelo mesmo preço? Hoje, em nome da praticidade (e privacidade), acabamos mandando mais mensagens de texto do que fazendo ligações. Tudo muito objetivo, claro...e frio.

Sempre no aniversário dos amigos, tínhamos a desculpa anual ideal para botar as notícias e o papo em dia, quando ligávamos para desejar felicidades. Hoje mandamos um scrap no Orkut ou Facebook da vida e pronto, estamos livres desse contato também. Não temos mais tempo para isso.

Isolados de tudo, trocamos informações pelos nossos blogs, comunicadores instantâneos e twitters. Mudou o cabelo? Ah, me manda uma foto no msn. Vemos as mudanças dos amigos só por foto.

Coisas mais formais ou longas, que exigem uma aproximação mais pessoal, hoje vão por e-mail, versão on-line das antigas cartas, escritas a mão, cheias de intenções, erros e rabiscos, que eram enviadas pelo correio. Cartas vinham com a energia de quem as escreveu, perdemos isso também.

Se apaixonar hoje é um risco tão grande, que nos protegemos de todo sofrimento e também de todos os problemas que um relacionamento pode causar. Melhor nem se envolver, dá um trabalho danado. Estamos mais distantes do amor. Seguros, isolados de tudo que é ruim...e por conseqüência, de tudo que é bom também.

E assim vamos virando meninos e meninas da bolha de plástico, condenados a passar o resto de nossas vidas dentro de uma bolha, de um sistema esterilizado, vivendo a salvo de sofrimentos, assaltos, dores e problemas. Coisas que para pessoas normais nunca representaram risco, mas para nós, pode causar a morte; a morte da interação, da troca, da vida no coletivo e, principalmente do amor.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

O amor de férias

Querido diário,

Hoje voltei das férias e foi incrível.
Foram momentos divertidos, de intenso prazer e de auto conhecimento.
Descobri coisas muito legais no Marcos.
Descobri novos lugares e falei com pessoas muito interessantes.
Fomos jantar fora. Comi especiarias locais e descobri sabores novos.
Estou apaixonada pelo lugar! Quero voltar sempre! Foi ótimo.
Estou apaixonada pelo Marcos, quero vê-lo sempre que ele quiser também.
Mesmo que eu não volte para lá nunca mais, vou lembrar sempre com o maior carinho do tempo que passei.
Mesmo que nunca mais veja o Marcos, jamais esquecerei o que aprendi e senti com ele.
Levarei isso como um tesouro para o resto da minha vida. Inesquecível!

Querido diário,


Hoje voltei da casa do Marcos e foi incrível, como sempre.
Foram mais momentos divertidos, de intenso prazer e de auto conhecimento.
Fomos jantar fora de novo naquele restaurante! Cada coisa gostosa.
Estou muito apaixonada por ele!
Fizemos amor pela primeira vez, foi um sonho.
Mas ai dele se ele não me ligar amanhã, vou me sentir um lixo, usada.
Não vejo a hora dele me pedir em namoro, dele ser só meu.
O pai dos meus filhos, meu marido!
Vivemos felizes 24 horas por dia, 7 dias na semana, 30 dias no mês, 365 dias no ano..... não temos o porque de ficarmos longe.

Querido diário,

Estou muito triste, o Marcos disse que ia viajar sem mim.
Como assim?
Tive uma crise de ciúmes, não aceito isso, como alguém que eu amo tanto e me ama pode querer viajar sem mim?
Queria entender isso, mas não consigo.
Ele tentou me convencer de que nada muda, mas não aceitei. Olha o bilhete que ele me escreveu:

Minha querida,

Porque você consegue aproveitar suas férias sem querer roubar o lugar só para você e comigo não pode ser assim?
Porque não consegue viver experiências amorosas sem querer possuir a pessoa amada?
Mesmo que a praia nunca te ligue, você continua amando suas ondas, mas se eu não te ligar, seu amor se transforma em ódio na hora.
Mesmo que nunca mais jantemos juntos naquele restaurante, o sabor de sua comida será sempre inesquecível, mesmo se você for com outra pessoa.
Minha liberdade, a nossa liberdade, não pode ser sinônimo de rejeição a você, mas sim do nosso amor.

Te amo,

Marcos.


Mesmo assim, acho que se ele me amasse mesmo, nunca viajaria sem mim.
Amor tem que ser compulsoriamente selado com um relacionamento assumido socialmente.
É absurdo, mas ele nem quer conhecer meus pais, raramente saímos com amigos, pouco vamos a eventos sociais juntos.
Ele deve ter vergonha de mim. Ou pior, deve ser casado com outra, só pode ser.
Vou terminar tudo, antes que eu comece a gostar dele de verdade e sofra.

...

"E assim se perpetua a vocação casamenteira dos amantes, que na verdade só querem ser promovidos a esposa ou marido. (Fabrício Carpinejar)"

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Inveja

O sentimento em que se misturam o ódio e o desgosto, e que é provocado pela felicidade e prosperidade do outro. O desejo irrefreável de possuir ou gozar, em caráter exclusivo, o que é possuído ou gozado por outro. (Houaiss)

Afinal de contas, porque o outro tem tudo e eu nada? Porque para ele tudo dá certo e para mim só errado? Porque ele é feliz e eu não? Porque as pessoas gostam dele e não de mim?

A resposta é simples: porque nem você gosta de você mesmo.

Quando vemos uma pessoa feliz, podemos olhar para ela de duas maneiras: com admiração ou com inveja. A escolha é sempre nossa, bem como a escolha de como encararemos nossos problemas...acredite, pessoas felizes tem problemas, iguais a todos.

Certamente a felicidade do outro incomoda demais para quem não está bem resolvido. Principalmente porque, mesmo querendo, você nunca terá essa felicidade. Sim, exatamente, você nunca terá a felicidade do outro. Não estou te agourando nem jogando praga...você nunca terá a felicidade do outro porque não é a sua felicidade e sim a do outro.

Ai entra a chave da questão, olhar para o próximo e ter inveja de suas conquistas não resolve. Certamente a maneira que ele vive, e é feliz, não é a maneira que você ficaria feliz. Simples assim.

Não adianta olhar para a felicidade isolada de uma situação. Muitas pessoas felizes tem uma vida muito dura, sacrificada, com muitas concessões, mas escolheram e vivem bem assim. Isso não quer dizer que você viver copiando (ou invejando) outras pessoas terá certeza do sucesso que elas tem, nem que será feliz como elas são.

Pessoas maduras, bem resolvidas, seguras devem servir de parâmetro, mas não meta. Servem para nortear seu rumo na busca pela sua própria paz, a sua tranqüilidade...e só.

Muitos invejam pessoas famosas, expostas na mídia, sempre com um sorriso branqueado no rosto...mas experimente um dia na vida real delas, será que você seria feliz?

No caminho da sua felicidade, só existe você como obstáculo. Mais ninguém.

A felicidade dos outros não atrapalha a sua, ao contrário, só ajuda ter gente feliz por perto.

Quanto mais você se conhece, mais chega perto de si mesmo, mais feliz será.

;o)

domingo, 21 de setembro de 2008

I'm me, mesmo.

Eu não sou PC, nem Mac. Eu sou eu.

Sem querer parecer revoltado, explico: eu não recebo de ninguém pra vestir a camisa de um ou de outro.

Paguei pelo meu computador, pelo sistema operacional e tudo mais que está espetado nele, placas, pen drives, impressora e mouse.

Não fui patrocinado para usar o que uso.

A grande questão é que os fabricantes adoram seus consumidores vestindo a sua camisa, é o ponto máximo onde qualquer produto de consumo pode chegar. Cliente fazendo propaganda de graça para uma marca. Nirvana do marketing.

Despertaram uma rivalidade onde não existe, para gerar polêmica. Não ficaria surpreso se Gates e Jobs estiverem agora trancados numa salinha com Seinfeld, rindo muito de todos nós.

Aproveito para repetir aqui uma frase da Bia "Gates" Granja, elevada a condição de gênia por mim nesse momento:

"E, se você quer muito que eu use um Mac, me dê um de presente, que eu faço o favor de usar."

E isso vale pra mim também. Solicite meu endereço para as doações.

Grato.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Janela ou TV?

Já se pegou olhando pela janela e pensando em tudo que está vendo?

Todos nós temos a sensação de viver uma verdade, a nossa verdade. Nossos dias são preenchidos de coisas para fazer, contas para pagar, nossos relacionamentos amorosos e sociais, mas será que alguma vez você parou pra pensar nisso?

Onde será que está a nossa realidade?

Lembro muito bem, no famoso dia do ataque do PCC em São Paulo, o povo todo saiu correndo de balas e tiros de bandidos ferozes, que matam criancinhas sem dó e passaram 5 horas em um congestionamento para chegarem sãos e salvos em casa.

Aquele medo todo, para aquelas pessoas, era totalmente verdade. Se tivessem olhado pela janela veriam que nada daquilo que a TV passava era totalmente verdadeiro. Não tinha tiro nenhum no restaurante que eu fui jantar com um amigo aquele dia. Quer dizer, tiro na cidade tinha, mas não diferente do que já tem todos os dias. Alguém deixa de sair de casa porque morre assasinado em São Paulo um monte de gente por dia?

As pessoas pararam de olhar pela janela, a TV matou a janela.

Paramos de analisar. Ninguém mais pensa, ninguém mais busca saber a verdade e acaba se contentando com a dita "verdade coletiva". Se todo mundo diz, é porque é verdade. Se está na TV, é porque é verdade. Realmente aprendemos a mentir todos juntos e muito bem. E pior, acreditamos nessa mentira.

Onde será que perdemos o fio da meada? Onde o que a TV fala tem mais valor do que o que estamos vendo pela janela? O que estamos vivendo?

Já se pegou olhando para a TV e pensando em tudo que está vendo?

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Medo da morte (E outros medos)

Outro dia, uma amiga me perguntou se eu tinha medo de morrer. Respondi com um pronto e sonoro não! Respondi que para mim, a morte é algo natural, é a simples conseqüência de estar vivo.

Ela só me olhou com aquela cara incrédula de quem estava vendo um extraterrestre e não falou mais nada.

As pessoas, em sua grande maioria, nunca estão satisfeitas com o tempo de vida que terão. Afinal, temos sempre sonhos inacabados, coisas a realizar, pequenos ou grandes desejos ainda não conquistados, filhos para criar e cuidar, conhecimento a adquirir e muito mais.

O foco disso tudo está sempre no futuro e acho que aí que mora a origem dos medos.

Desde pequenos, somos ensinados e condicionados que a felicidade existe no futuro. Hoje as crianças aprendem, através da educação e de sugestões, que a felicidade está em ter uma casa grande, um corpo perfeito, bons carros, dinheiro, amigos influentes, sucesso profissional e principalmente, fama.

Vivemos condicionados pela sociedade (Estado, Igreja, cultura/mídia) a viver querendo mais, comparando nossa vida à vida do vizinho e expostos à nossa falta de tudo. Não basta ter algo, você sempre poderá ter algo melhor e mais caro.

Todo esse circo só é possível porque deixamos de viver o presente.

Ninguém te ensina que a felicidade não depende de nada e toda criança já nasce feliz. É uma coisa que você já nasce com, já faz parte de você.

A felicidade é um sentimento para ser vivido no presente, estando presente. Colocar a felicidade no futuro é certeza de infelicidade. O tal futuro que nunca chegará, sua felicidade estará sempre no amanhã.

Agora imagine morrer antes desse futuro chegar? Deve dar um medo enorme mesmo.

Uma pessoa feliz é tida como rebelde. A felicidade é uma grande rebelião. Nenhuma sociedade até hoje permitiu que alguém fosse feliz; é muito perigoso. Como mandar pessoas para a guerra, se elas forem felizes? Como convencê-las que precisam de regimes políticos, religiões e bens materiais em excesso? Pessoas felizes dão risadas de todas essas ideologias; não levam nada disso a sério. Rirão só com a idéia de que alguém possa lutar durante séculos por uma religião e matarem-se uns aos outros.

Seja feliz e não será mais possível encontrar utilidade para políticos, padres, templos, igrejas ou religiões em sua vida.

A maneira como encaramos nossa morte revela sutilezas de nossa essência: valores e significados de nossa vida. Refletir com sinceridade sobre a morte intensifica o propósito da vida, porque nos leva a ter mais clareza de nossas prioridades. Esta reflexão não pode ser apenas intelectual, deve ser mobilizada pelos sentimentos que surgem a partir de nosso coração.

A vida é impermanente: não podemos controlar as mudanças que chegam até nós, mas podemos escolher a maneira como lidar com elas.

A grande saída para o perder os medos é você descobrir sua vocação, viver sua missão com plenitude, no aqui e agora, presente.

Vivendo no presente, com entrega, generosidade e amor, nenhum medo resiste.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Caça aos "Barrichellos"

Rubens Barrichello conquistou cinco títulos no kart, foi campeão da Fórmula Opel em seu ano de estréia, foi campeão da Fórmula 3 inglesa e aos dezenove anos foi então para a Fórmula 3000 na qual terminou em terceiro lugar na classificação geral.

Em 1993 iniciou sua carreira na Fórmula 1 pela Jordan e em 2000 foi contratado para correr pela Ferrari. Lá foi duas vezes vice-campeão mundial. Hoje ainda corre na F1, tendo em seu currículo o maior número de largadas de um piloto na história da categoria.

É um piloto competente, considerado "fora-de-série" entre os especialistas em automobilismo, principalmente em piso molhado. Rubinho já ganhou milhões de dólares durante sua carreira.

Só tem um defeito: ele não é o número um no que faz.

Pesa sobre ele a pressão que, de uma forma ou de outra, em diferentes níveis, atinge todos nós.

Hoje em dia você tem que superar seu antecessor, aumentar seu capital a todo custo, ser mais bonito, mais famoso e mais eficiente do que a média.

Como se isso fosse possível a todos...

Rubens Barrichello é só um exemplo de que ser feliz fazendo o que gosta, estar entre os vinte melhores do mundo e ganhar milhões por isso não é suficiente. Até hoje é sinônimo de perdedor, de corredor lento, de incompetência e frustração.

O cara chega em segundo, logo alguém grita rindo: "Vai Rubinho tartaruga!"

Se fizermos uma rápida reflexão, muitos nem chegarão na posiçao que o Rubinho está hoje na escala sócio-econômica. Ele é um vencedor dentro do mundo capitalista, que faz pessoas ainda hoje passarem fome, mas só isso parece que não basta.

Criamos uma geração ansiosa pelo sucesso. E pior, quando alguns poucos realmente conseguem o tal sucesso, percebem que lá não tem nada do que foi prometido na propaganda.

Quando será que foi que as pessoas pararam de pensar e caíram nessa armadilha que sucesso é ser o número um. Quando que passaram a acreditar que o sucesso é o que você tem, bebe, veste, fuma, usa ou pilota? Quando que o sucesso passou a ser definido pelas amizades com pessoas importantes e influentes, falsas ou não, que você mantém?

Hoje caçam "Barrichellos" como se caçavam as bruxas na inquisição. Tempos passados que não voltam mais. Tempos em que bastava você ter saúde, amigos sinceros e viver com amor e comida em abundância para ser feliz.

Tempos que podem voltar, se percebermos que dependemos uns dos outros para continuarmos vivos, se vivermos nossas relações de forma harmônica e colaborativa e, principalmente, que nem todos precisam ser o número um para serem felizes.

Basta ser, basta viver! Com entrega, amor e generosidade.


Com dados do site oficial e da Wikipedia

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Cobrando amor (no grito)

Todo mundo sabe que uma criança exige amor, cuidado, proteção e limites. Precisa mais de amor do que pode dar. Ela precisa ser cuidada, não sabe se proteger e muito menos proteger aos outros.

Uma criança é um ser delicado, que depende emocionalmente e até fisicamente dos pais.

Esse desequilíbrio entre doar e receber, tende a se normalizar com nosso amadurecimento. Quando deixamos o comportamento carente da criança e nos tornamos adultos, maduros afetivamente, desenvolvemos nossa capacidade de doação.

Um adulto equilibrado, saudável, não espera que alguém o ame, ele ama. Não depende do outro e, a partir daí, ele pode construir relacionamentos saudáveis e equilibrados também.

O problema acontece quando adultos continuam a agir como crianças, insistindo no comportamento infantil, egoísta e carente.

A pessoa cobra atenção, carinho e amor, mas não dá nada em troca.

Usa da técnica de se fazer de vítima, para justificar sua cobrança irreal e acha que pode fazer manha e conseguir o que deseja.

Uma pessoa imatura e infantil, não consegue se relacionar saudavelmente nem consigo mesma, quanto mais com outra pessoa.

Antes de começar um relacionamento, relacione-se primeiro bem consigo mesmo. Se você tem baixa auto-estima, a tendência é desenvolver ciúmes e a manipular a relação.

Trabalhe sua maturidade afetiva, desenvolva sua capacidade de doar, melhore sua auto-estima e, quando se sentir completo, inteiro, só assim estará pronto para viver uma relação de verdade.

Um relacionamento é troca e só podemos trocar, se temos algo para oferecer.

Só cobrança, choro e manha, ninguém aguenta por muito tempo.

sábado, 21 de junho de 2008

Fly Love Airlines

"Bem vindos a bordo da aeronave da Love Airlines. Agradecemos a sua preferência, sabendo que a decisão de viajar conosco é uma escolha pessoal."

Outro dia eu parei pra pensar o quanto viver um amor com entrega se parece com uma viagem de avião.

Você embarca achando que sabe bem onde está entrando, afinal de contas você conhece a companhia, conhece seu histórico. Sabe que é um meio seguro, tranqüilo.

Aprende que ao confiar no comandante do avião, está entregando a sua vida nas mãos de um desconhecido. Você não controla mais nada.

Turbulências podem acontecer, e acontecem, durante o vôo. Nem sempre passam logo.

Tem que conviver com uma certa intimidade com pessoas que fazem parte do seu vôo, e, em casos de vôos longos, dormindo e acordando do seu lado.

Para quem tem medo de voar, sempre tem alguém para dar conselhos. São sempre os mesmos, sempre.

Quando a viagem não é boa, o próximo aeroporto parece não chegar nunca, mas não tem como descer no meio.

É impossível voar em dois aviões simultaneamente. É impossível também embarcar pela metade, ninguém voa com o braço ou uma perna pra fora, ou está presente ou não está.

Crianças chorando no avião incomodam, muito.

E uma coisa é certa, se um acidente acontece, as conseqüências serão sempre catastróficas...

Igualzinho no amor.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Amigos, amigos, seios à parte.

Tudo começou com uma simpatia, que virou amizade e, em pouco tempo, amizade íntima. Trocamos segredos sobre nossas vidas, nossos amores, nossos desejos mais secretos, tudo com confiança, cumplicidade e afinidade. Tudo perfeito e muito saudável.

Só que a coisa pegou.

Do lado dela, tudo continuava igual, do meu não.

Já dizia Friedrich Nietzsche: "As mulheres podem tornar-se facilmente amigas de um homem; mas, para manter essa amizade, torna-se indispensável o concurso de uma pequena antipatia física".

Só que com ela isso não existia, ela é linda, atraente, interessante e o desejo de algo mais começou a aparecer. Vontade de dar e ganhar prazer. Vontade do contato físico.

Aqueles seios me deixam nervoso...

Claro que alguns de vocês vão dizer: “Homens só pensam naquilo”. Tirando os preconceitos e o machismo de lado, convenhamos, mulher também só pensa naquilo. Hormônio é hormônio, afeta todo mundo igual.

Não existe a separação entre amizade e sexo na natureza. A aproximação profunda entre duas pessoas sempre caminha pro sexo.

Quando uma mulher diz que quer que você e ela sejam apenas amigos, mesmo sabendo do seu desejo por ela, não quer realmente que vocês dois sejam apenas amigos. Ela quer que você seja o amigo que fica babando por ela, mesmo sem ter a mínima chance de coisa alguma, e ela quer ser aquela amiga que estala os dedos e o amigo vem correndo, de rabinho abanando.

No meu dicionário, o nome disso não é amizade.

A mulher que pensa assim nem quer mesmo que vocês sejam realmente amigos. Se fossem, não teria a menor graça. Ela quer pretendentes e já decidiu, faz tempo, que nunca vai transar com eles. Não é nem por maldade, embora às vezes seja, e nem por falta de desejo, o que acontece, eventualmente, mas simplesmente porque ceder aos seus avanços significaria destruir essa relação de vassalagem que ela tanto necessita pra alimentar sua enorme vaidade.

Amizade verdadeira só pode florescer num clima de sinceridade e afinidade. Quanto maiores, maior a amizade.

Ambos precisam se encarar de braços abertos, dispostos a viverem a relação de forma entregue, de coração aberto e seguindo seus desejos. Se não existe espaço para isso acontecer, a qualidade da amizade fica comprometida.

Se o carinho, o toque e o sexo não podem fazer parte de uma profunda amizade entre homem e mulher é porque um dos dois tem o sexo como ferramenta de manipulação para fins escusos, tipo compromisso social (namoro, casamento e outras perversões) ou pior ainda, de manipulação e domínio pessoal.

Podemos ser os melhores amigos, e seremos, até mesmo com sexo envolvido entre nós, porque a relação continuará honesta, profunda e livre.

Quando um dos lados não acompanha o outro, algo está errado com a afinidade. Como diz meu mestre,  "Não existe amor não correspondido, é sempre uma das partes que está equivocada".

E equívoco não é o que quero como relação de amizade, eu quero a relação honesta.

Principalmente a relação honesta comigo mesmo.

Deixem eu tomar meu banho de banheira em paz!

Enquanto algumas pessoas cismam com meu banho na hidromassagem, perguntando se eu não tenho medo que meus filhos possam viver num mundo sem água potável, a minha vontade é de pedir um tempinho da pessoa para algumas considerações:

Quando publicou o livro A Bomba Populacional, em 1968, o biólogo americano Paul Ehrlich, da Universidade Stanford, em São Francisco, Califórnia, acendeu o pavio de uma enorme polêmica. Experiente analista das agressões ao ambiente e com profundos conhecimentos de ecologia, ele não se preocupava com a mera falta de espaço num mundo abarrotado. Naquela época, já antecipava as formidáveis dores de cabeça dos anos 80 e 90. Efeito estufa, chuva ácida, Aids, escassez de alimentos, destruição da camada de ozônio, redução da diversidade biológica e das florestas tropicais. Tudo isso, argumentava o cientista, faz parte de um grande distúrbio da natureza, em escala planetária. Ehrlich, vale lembrar, lançou esse alerta em 1968, quando os atuais desastres eram apenas enredos de ficção científica.

Há três décadas, o argumento de Ehrlich era simples: se o crescimento da população não fosse contido, a própria natureza se incumbiria de contê-lo. Também apresentou possibilidades de correção dos atuais tropeços ambientais: a primeira medida é evidente: diminuir o ritmo de crescimento populacional da forma mais rápida possível, fixando um teto definido para a população mundial. Esta não pode ser tão grande que não possa ser sustentada por meio dos recursos disponíveis a cada momento. A expressão sustentada, para Ehrlich, significa que todos devem ter vida de boa qualidade e produtiva.

Mas só controlar o crescimento populacional não basta, como podemos observar o que aconteceu na China, que mesmo depois de forte controle populacional, aumentou mesmo assim o consumo de insumos naturais.

O sistema econômico também deveria ser remodelado de forma a reduzir o consumo nos países mais ricos. Tal medida é imprescindível para preservar o meio ambiente e não desperdiçar recursos não renováveis do planeta.

A mesma pessoa que me pede para evitar um banho de banheira é feroz vendedora do mercado da construção civil, com vendas recordes nos últimos anos, coordenadora de uma equipe de muitos corretores preocupados em vender cada vez mais suas unidades de moradia.

Na construção civil, embora a água não seja vista e nem tratada como material de construção, o consumo é bastante elevado, por exemplo, para a confecção de um metro cúbico de concreto, gasta-se em média de 160 a 200 litros e, na compactação de um metro cúbico de aterro, podem ser consumidos até 300 litros de água. Será que ela se preocupa com o futuro da humanidade quando vende mais um apartamento? Apartamento que nem seria necessário se não tivéssemos tantas pessoas para acolher sob um teto.

Todos atacam as conseqüências mas poucos querem realmente ver a causa do que estamos e vamos passar com mais intensidade no futuro se não mudarmos algo já.

Temos que crescer a qualquer custo?

Claro que sabemos que é só com o aumento da capacidade produtiva (mais fábricas, mais geração de energia, mais empregos) que se consegue obter um aumento sustentável na renda de um país, mas quando vamos ver que é hora de parar de crescer?

Nossa superpopulação humana está em explosão demográfica desde a revolução industrial que começou na Inglaterra no século XVII por volta de 1650.

Tornamos-nos uma praga de nós mesmos. O que é uma praga? A definição biológica de praga é quando uma população tem alta taxa de natalidade e baixa taxa de mortalidade e o número de indivíduos cresce em progressão geométrica de forma anormal no ambiente. Tornamos-nos seres de hábitos auto-destrutivos, que destroem seus semelhantes de espécie e destroem o meio ambiente em que vivem não exercendo troca, só predando.

Só que, diferentes de gafanhotos e outros bichos, temos consciência e podemos reverter o processo.

Hoje são sete bilhões, crescendo um bilhão por ano. Tem dúvida de onde isso vai parar?

Não são só cientistas e eu que estamos vendo que é hora de parar de ter filhos...

A taxa de natalidade nos países desenvolvidos é, em geral, mais baixa (devido ao conhecimento de métodos contraceptivos, melhores condições médicas e econômicas), enquanto que nos países em desenvolvimento a taxa de natalidade é, em geral, superior face ao desconhecimento ou não-divulgação de métodos contraceptivos e à tendência para seguir tradições familiares e religiosas.

Pessoas mais esclarecidas já perceberam que há um limite mínimo de salubridade que é aquele que possibilita a sobrevivência de uma quantidade mínima de indivíduos até a idade reprodutiva e a sua reprodução numa taxa suficiente para repôr os indivíduos mortos. Abaixo desse limite mínimo de salubridade, a espécie está fadada à extinção. Esse limite mínimo é bastante inferior aos padrões de conforto (entendido como bem-estar material) atualmente considerados civilizados. A questão intergeracional impõe, contudo, um limite máximo ao conforto usufruído por uma dada geração humana, pois este não pode ser obtido às custas dos meios necessários para a manutenção de um meio ambiente sadio para as gerações futuras.

A não ser que a geração futura não consuma tanto quanto nós, ou seja, se mantenha em número igual ou inferior ao exagerado de hoje.

Podemos assim definir o meio ambiente humano saudável como aquele que permite a sobrevivência por tempo indeterminado da espécie humana e, ao mesmo tempo, satisfaz, no maior grau possível, as necessidades de cada indivíduo humano, proporcionando-lhe a oportunidade de viver uma vida digna. Essa definição inclui tanto a dimensão física (o limite mínimo físico de salubridade e máximo de conforto), quanto a cultural (a necessidade de respeito a cada indivíduo humano, evitando um cinismo estatístico, e a concepção de bem de cada cultura) de um meio ambiente saudável. É, portanto, uma definição relativamente aberta e que deverá ser especificada para cada grupo cultural por meio do embate político.

Ainda hoje, o controle de natalidade é um assunto politicamente e eticamente controverso em muitas culturas e religiões, e embora seja menos controverso que o aborto especificamente, ainda enfrenta a oposição de muitas pessoas. Existem vários graus de oposição, incluindo aqueles que são contra todas as formas de controle de nascimento que não usam a abstinência sexual (hipócritas); aqueles que são contra todas as formas de controle de nascimento que eles consideram "não-naturais" (meio hipócritas), enquanto permitem o controle de natalidade natural; e aqueles que apóiam a maioria das formas de controle de natalidade que previnem a fertilização, mas são contrários a qualquer método de controle de natalidade que previna que um embrião fertilizado se fixe no útero e inicie a gravidez (sem comentários).

Se uma pessoa, baseada em todas essas informações, opta por não se reproduzir, é olhada com cara de poucos amigos, carimbado na testa como pária social e culpado imediatamente pelo não crescimento da base de consumidores e fieis à religião (qualquer uma delas). Se bobear, ainda dizem que você não gosta de criancinhas.

Acredite, todos nós gostamos de criancinhas fofas, sorridentes e gorduchinhas, mas essas crianças crescem e viram consumidores ferozes, viram verdadeiras pragas.

Infelizmente, enquanto não mudarmos isso, sempre vai ter gente mais preocupada com meu banho de banheira.

Uma coisa é certa, nesse mundo o meu filho não vai viver...

Sim e Não

NÃO

Preconceito, falta de entrega, jogo sentimental, frescuras, travas, proibições, ciúmes, escândalos, autoritarismo, posse, falta de crédito, ficar sem ação diante de quem gosto, mudez involuntária, dores em geral, quem não é autêntico, pepino (os dois), passado mal resolvido, gente mal resolvida, burocracia, trânsito, impostos mal empregados, quem muito fala e pouco faz, crítica destrutiva, carne bem passada, comida muito quente, elogio falso, vaidade, palavras na garganta, gente inconveniente, me sentir inconveniente, gente pequena, intriga, fofoca, superficialismo, ganância, idéia fixa, inveja, soluço, limites, a minha teimosia...


SIM

Amor, música, música e música, teatro, cinema, fotografia, crianças, minha família, cães, Bart (meu cão), chocolates, viajar, conhecer, dançar, uma praia, andar na areia, um bom livro, dirigir correndo, filme bom, reassistir aquele filme, fundo do mar, sol e frio, montanhas, neve, coisas práticas, sorriso aberto, autenticidade, a paixão, entrega, casal de velhinhos, comida bem feita, o ritual do jantar, conversa com os amigos, passeios pela madrugada de carro, torcer pro São Paulo campeão, suco de uva, andar de moto, bebidas geladas, cheiro de Flash Power, dormir depois de fazer amor, dormir bem, conversas que fazem repensar, generosidade, silêncio preenchido, confiança, dar risada, namorar, abraço sincero, carinho, mulher perfumada, gente do bem, gente feliz, conversas em silêncio, matar a saudade, gente mexendo no meu cabelo, resolver, beijos inevitáveis, colo, boa música, escrever, poesias...

...e a lista vai aumentar!

Caça ao esquema

Já ouviram alguém falando assim:

“-Ele é muito legal, nos damos muito bem, mas você já reparou na calça que ele usa? E o carro dele? Popular e caindo aos pedaços? Não dá né? Já reparou no jeito dele pegar os talheres? Quase um ogro... definitivamente ele não serve!”.

Ou

“-Ele é muito legal, nos damos muito bem, mas ele não me dá a segurança que eu preciso, ele não vai garantir meu futuro desse jeito. Não vou investir numa pessoa que não pode me garantir um futuro digno”.

Ouço muitas pessoas falando em desencontros amorosos, carentes por serem sempre mal entendidas. Quando acham uma outra pessoa, apesar de gostarem, se darem bem, terem afinidade, a coisa nem sempre dá certo. Qual será o motivo?

O maior motivo é que a maioria não aceita mais o amor da forma como ele se apresenta...Procura sim, o que eu gosto de chamar de “esquema”.

Claro, as pessoas ainda querem o romance, mas que venha embrulhado em um pacote bem bonitão, malhado, bem relacionado e rico. Não fará mal se o pacote for entregue em um carro importado último modelo.

E aí, pronto, foi feita a mistura explosiva e destruidora entre caça e amor.

O cara pode ser o máximo como pessoa, vocês podem se amar, se dar bem, mas se não completar a “lista” de exigências, ele automaticamente entra na categoria de “legal, mas não serve”. Investimento não adequado. O amor não é prioridade, e é exatamente a falta dele que vai fazer a pessoa fazer muitas besteiras no futuro. Amor não vivido vira doença.

A pessoa amada, mas fora do esquema, simplesmente não serve.

Não serve, não se encaixa, como uma peça de roupa apertada ou folgada de tanto amor.

Não serve para o esquema.

Mas as pessoas casam...Não casam? Casam sim, mas hoje em dia, a maioria se casa com o esquema. Um vê no outro o trampolim ideal para o grande salto que querem dar na vida. Mas sem amor de verdade como base, a piscina do casamento fica sem água. Crash! Crash depressão, crash doenças, crash vícios, crash manipulação. Um desconta no outro o ódio de terem investido muito e recebido de volta um cheque sem fundo.

Quando as coisas começam a dar errado, as pessoas querem terminar, mas se vêem presas ao casamento, aos filhos, às obrigações assumidas. Confundem-se e acham que acabou o amor, sem conseguir entender o que deu errado. Acabam se conformando com uma vida pobre, medíocre até, mas estão presas ao esquema, cruel e avassalador.

Abandone o esquema e a sociedade abandona você.

E o amor, que existe também entre os dois, acaba soterrado. Ta lá, coitado, mas bem escondido.

Todo mundo procurando... As mesmas pessoas que o esconderam. “Ainda encontro a fórmula do amor, ainda encontro...” E a música canta uma busca que não precisaria existir, mas agora é tarde demais, as pessoas já confundiram tudo. Buscam o esquema, achando que estão buscando o amor. Buscam uma coisa achando que é outra, e não vão achar nunca.

Amor assim, sem interesse comercial, ainda existe? Ou será que virou item de luxo, peça de museu, coisa guardada para viver quando sobrar um tempo entre o trabalho, academia e as festas sociais?

Infelizmente, casamento deixou de ser sinônimo de amor faz tempo, virou um contrato, uma sociedade financeira, com conseqüências sociais e econômicas às vezes catastróficas na vida dos envolvidos. Castração mútua, em nome de aprovação social. Aí que reside o maior problema. Façam uma rápida análise dos seus amigos casados ou até mesmo do seu casamento.

Ninguém aqui está dizendo que você deve procurar um mendigo esfarrapado com um olhar amoroso e um coração de santo para se casar. O ponto é: Se você olhou alguém nos olhos e viu amor, viva esse amor. Entregue-se. Nós temos tantas e tantas coisas para serem resolvidas através de relações amorosas que, se furtar a isso, é tomar veneno, manter a toxicidade mental e emocional.

Depois, e só depois, de muito vivenciar amores de corpo e alma, você estará se conhecendo melhor. Talvez o suficiente para suportar uma vida social a dois, tendo por sustentáculo principal, o amor. Aí fica de verdade.

Noivinhos apressados: casamento é para depois do amor. Primeiro a gente precisa saber o que é o amor e depois saber viver o amor. Sem posse, sem apego, com a auto-estima resolvida, e de preferência, em segredo total do resto do mundo...Só depois disso é que vamos descobrir se quer casar ou não.

Quase todo mundo buscando o que seria uma conseqüência natural, transformada em objetivo de vida. O que você quer ser na vida? “Quero ser rico!”, e o que deveria ser conseqüência do trabalho, virou meta.

Caça desmedida, o vale tudo, passando por cima de si mesmo, dos desejos, crenças e princípios pra chegar onde? Numa prometida “vida boa” no futuro? Tudo maluco demais...

Encerro com uma frase do grande mestre Joseph Campbell: "Dizem que o que todos procuramos é um sentido para a vida. Não penso que seja assim. Penso que o que estamos procurando é uma experiência de estar vivos, de modo que nossas experiências de vida, no plano puramente físico, tenham ressonância no interior do nosso ser e da nossa realidade mais íntimos, de modo que realmente sintamos o enlevo de estar vivo..."