Outro dia, um fiel leitor desse blog me pediu que escrevesse o que penso sobre o "sentido da vida", assim mesmo, entre aspas, cheio de pompas.
Essa é uma questão que nunca foi respondida de verdade e não esperem aqui a solução para o maior mistério que encaramos desde nascer.
Para muita gente, a vida é só uma coleção de acontecimentos, sem nenhum critério ou objetivo. É só a vida e ponto.
Para muita gente, essa visão da vida sem propósito é bem difícil de lidar. Afinal de contas, para que estudar tanto, trabalhar tanto, sofrer tanto, se no final a coisa acaba em nada mesmo? Estudar só porque sua mãe mandou? Trabalhar porque precisa pagar os impostos? Fica mesmo bem sem graça.
Nessa brecha, do vazio que as pessoas sentem ao viver uma vida só por vive-la aparecem os vendedores de "sentido da vida" em forma de livros, cultos e cruzes. Costumam vender que só as religiões podem dar sentido à morte, de maneira bem inteligente, vendem um produto invisível, algo para além da morte.
É a vida de comunhão com o senhor. <-coloque o seu Deus aqui no lugar do senhor.
Pensadores, como o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau e o físico Albert Einstein, autor da teoria da relatividade, achavam que o sentido da vida é "amar, ajudar e prestar serviços aos demais". O que eu particularmente concordo.
Acho que não funcionamos na total solidão, todos precisamos de amor, amizade e solidariedade. Por mais incríveis que possamos acreditar ser, somos apenas humanos e precisamos uns dos outros. O pacifista indiano Mahatma Gandhi afirmava: "Encontro meu consolo e minha felicidade me colocando a serviço de todas as vidas".
Outra corrente, que hoje vejo crescer muito, é a das pessoas que acreditam que para viver a vida plenamente é necessário ter poder. Lutam muito para atingir um alto patamar financeiro, a custa de trapaças, atropelos, traições. Dificilmente no mundo de hoje alguém consegue ser muito rico sem passar por cima de alguma regra social. Sonegam impostos, usam dinheiro alheio, abusam do poder. A vida só tem sentido para eles se forem melhores do que os outros.
A revista britânica Journal of Humanistic Psychology publicou um relatório com a analise das palavras de 200 pensadores, do escritor Oscar Wilde ao imperador Napoleão. A incrível conclusão do estudo é que "é preciso desfrutar a vida enquanto for possível".
Nada mais óbvio e simples e nada mais perfeito.
Não importa o formato que você escolheu, viver na religião, no amor, no poder ou apenas deixar os dias passarem.
Viver a vida de verdade é vive-la do jeito que você acredita ser o melhor. Não existe fórmula da felicidade.
Com tantas opções, a única sacanagem é não viver.
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quinta-feira, 23 de abril de 2009
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Pequeno texto de ficção científica
Ano de 2028, em algum lugar do planeta, um sujeito lia seu noticiário diário em seu PalmReader Personal®, quando uma notícia na seção de saúde chamou sua atenção:
"Hoje em dia, as pessoas podem ter o corpo que quiserem, inclusive o rosto, graças aos avanços incríveis na tecnologia de cirurgia plástica a laser. Basta levar uma foto do modelo desejado e inserir no computador. Em minutos, uma imagem em terceira dimensão é gerada por um software especialmente desenvolvido. Depois, basta se deitar na maca. Em minutos, o laser esculpe os ossos, sem influir na pele, deixando o relevo muito parecido com a foto que foi escolhida como base.
As pessoas podem, todas, graças a um acordo com o sistema de saúde do governo, utilizarem essas novas técnicas para buscar, cada vez mais, viverem perto do padrão de beleza que foi imposto no começo do século. Cintura fina e um rosto equilibrado e angular não serão mais problemas."
Nisso, interrompe sua leitura e se põe a questionar o texto.
"- Mas como assim, agora todo mundo vai ser bonito? Como vou conseguir escolher a mulher ideal? Como vou saber quem é mesmo bonito ou foi modificado por essa operação a laser? Que horror, imagine, um mundo onde todo mundo é bonito? Sem mais gente feia, nem fora do padrão?"
Sem conseguir chegar a conclusão alguma na hora, foi dormir com aquela dúvida. Fiel consumidor de revistas de saúde e moda, estava realmente preocupado. Sempre tomou muitos complementos e vitaminas, buscou a forma perfeita do corpo, com muito esforço, nas academias e clínicas de tratamento. Gastava fortunas com roupas de grife e sabia tudo sobre o que acontecia nas colunas sociais. E agora? Tudo aquilo que ele sempre valorizou, ao alcance das pessoas simples, até pobres...Ele estava arrasado e confuso.
No dia seguinte, acordou diferente. Por um momento, se sentiu realmente livre e leve. Ligou para cancelar sua hora no esteticista e aproveitou o tempo extra conseguido para ler um pouco mais sobre o assunto da operação a laser.
De tanto pensar, percebeu que tudo que sempre lhe fora ensinado como bons valores e padrão ideal, tinha ido por água abaixo. Percebeu que estava buscando uma coisa que era impossível, até então: a perfeição. Percebeu que teria que descobrir seu próprio padrão agora. Teria que descobrir sozinho, seu próprio caminho para ser feliz. Estava enrascado.
Começou a ler e estudar mais sobre filosofia, artes e a buscar mais conhecimento sobre o ser humano, sua história e cultura. Começou a desenvolver e entrar em contato mais profundo com seu lado espiritual, até então relegado a segundo ou até mesmo terceiro plano.
Vendeu seu Audi e gastou o dinheiro da venda numa viagem para a Índia. Buscava respostas...
Na volta, percebeu que, agora, teria que voltar a conversar com as pessoas para conhecê-las, como nos tempos dos seus bisavós...
"Hoje em dia, as pessoas podem ter o corpo que quiserem, inclusive o rosto, graças aos avanços incríveis na tecnologia de cirurgia plástica a laser. Basta levar uma foto do modelo desejado e inserir no computador. Em minutos, uma imagem em terceira dimensão é gerada por um software especialmente desenvolvido. Depois, basta se deitar na maca. Em minutos, o laser esculpe os ossos, sem influir na pele, deixando o relevo muito parecido com a foto que foi escolhida como base.
As pessoas podem, todas, graças a um acordo com o sistema de saúde do governo, utilizarem essas novas técnicas para buscar, cada vez mais, viverem perto do padrão de beleza que foi imposto no começo do século. Cintura fina e um rosto equilibrado e angular não serão mais problemas."
Nisso, interrompe sua leitura e se põe a questionar o texto.
"- Mas como assim, agora todo mundo vai ser bonito? Como vou conseguir escolher a mulher ideal? Como vou saber quem é mesmo bonito ou foi modificado por essa operação a laser? Que horror, imagine, um mundo onde todo mundo é bonito? Sem mais gente feia, nem fora do padrão?"
Sem conseguir chegar a conclusão alguma na hora, foi dormir com aquela dúvida. Fiel consumidor de revistas de saúde e moda, estava realmente preocupado. Sempre tomou muitos complementos e vitaminas, buscou a forma perfeita do corpo, com muito esforço, nas academias e clínicas de tratamento. Gastava fortunas com roupas de grife e sabia tudo sobre o que acontecia nas colunas sociais. E agora? Tudo aquilo que ele sempre valorizou, ao alcance das pessoas simples, até pobres...Ele estava arrasado e confuso.
No dia seguinte, acordou diferente. Por um momento, se sentiu realmente livre e leve. Ligou para cancelar sua hora no esteticista e aproveitou o tempo extra conseguido para ler um pouco mais sobre o assunto da operação a laser.
De tanto pensar, percebeu que tudo que sempre lhe fora ensinado como bons valores e padrão ideal, tinha ido por água abaixo. Percebeu que estava buscando uma coisa que era impossível, até então: a perfeição. Percebeu que teria que descobrir seu próprio padrão agora. Teria que descobrir sozinho, seu próprio caminho para ser feliz. Estava enrascado.
Começou a ler e estudar mais sobre filosofia, artes e a buscar mais conhecimento sobre o ser humano, sua história e cultura. Começou a desenvolver e entrar em contato mais profundo com seu lado espiritual, até então relegado a segundo ou até mesmo terceiro plano.
Vendeu seu Audi e gastou o dinheiro da venda numa viagem para a Índia. Buscava respostas...
Na volta, percebeu que, agora, teria que voltar a conversar com as pessoas para conhecê-las, como nos tempos dos seus bisavós...
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