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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Luto

Acho que pela primeira vez na vida eu perdi uma pessoa realmente querida.

Meus dois avôs morreram cedo, algumas pessoas próximas, como meus tios, alguns parentes de segundo grau se foram, mas nunca senti muito a dor da falta deles. Sinto porque foram, claro, eram pessoas que eu gostava, mas que não participavam ativamente do meu cotidiano, não compartilhavam dos meus pensamentos e principalmente não estavam disponíveis para mim.

A pessoa querida que perdi estava comigo sempre que precisei e vice versa. A relação de troca, saudável, ajudava o crescimento mútuo e era uma refêrencia de carinho e amor.

Foi com ela que descobri a minha aptidão para a música e foi ela que me ajudou a encarar todas as dificuldades que enfrentei no começo da carreira com palavras de apoio.

Foi com essa pessoa querida que me conheci melhor, cresci ouvindo seus conselhos e, com o tempo, aprendi a aconselhar. Aprendi a expor meus pensamentos, aprendi a ser assertivo, aprendi a ser livre.

Me ensinou a plantar sementes, espalhar o bem e viver no amor.

A cumplicidade nos segredos, as risadas nas conversas diárias, a troca de conhecimento.

Tudo muito agradável, intenso e produtivo para os dois. Uma amizade verdadeira.

Até o dia que a pessoa se foi.

Adeus.

Como toda pessoa que morre, não houve aviso antes, não tem explicação do porque nem satisfações, ela simplesmente se foi.

Nessa hora vemos que tudo que aparentemente está sob controle, seguro e certo é apenas uma ilusão criada na nossa cabeça. Não controlamos nada, nessa vida nos foi dado apenas o direito de viver e sentir o agora.

Depois da perda, resta apenas a saudade, as lembranças carinhosas dos bons momentos, a vontade de ter a pessoa de volta ao seu lado, a dor da perda e até uma incompreensão dos motivos.

Porque? Porque? Me sobram as interrogações.

Sem querer, a perda de alguém querido nos faz refletir sobre nossa própria vida, nossos caminhos e nossas escolhas. A perda nos obriga a refletir.

Aprender a lidar com a perda é dolorido, mas necessário e parte da vida.

A pessoa se foi e não há o que fazer a não ser viver com isso.

O fato dela estar viva só torna isso tudo ainda mais difícil.

domingo, 5 de abril de 2009

Ciclos

Essa semana foi de muita reflexão.

Consegui perceber que felizmente, ou não, um ciclo se encerra na minha vida, abrindo um belo espaço para que um novo ciclo se inicie.

Além da sensação de medo pelo desconhecido, a percepção de estar vivo e vivendo com intensidade nunca foi tão presente.

A tristeza, pelo apego com as coisas e pessoas que se vão, também está presente.

O vazio (que pode ser visto como espaço disponível, pelos otimistas do copo meio cheio) é uma coisa muito doida, sofrida mesmo...e ai que entra todo o processo de ter amadurecido nesses últimos 40 anos.

Aprender a lidar com a perda de maneira íntegra, saudável e sem se vitimar é uma arte.

Desde os tempos da minha escolha pelo trabalho com música, mudando de horários e vida social (tudo incluso) que eu não enfrento uma parada tão dura e ao mesmo tempo, tão recompensadora.

Claro, na época que decidi seguir meu coração e largar tudo pelo que eu realmente acreditava, a despeito de todas as indicações em contrário, ver o porto seguro ficando distante, enquanto eu movia meu barco em direção ao grande e desconhecido mar foi bem difícil. No mar, você está só até chegar no próximo porto.

Agora é hora de zarpar de novo, levantar ancoras e partir. Talvez nem tenha dado tempo de me despedir de todos que ficam, mas o barco já partiu.

A vida é feita dessas partidas, de portos seguros, ao desconhecido.

É a tal da jornada, que Robert Happe fala em seu vídeo, nosso caminho ao auto conhecimento.

Algumas pessoas estacionam, amarram seus barcos em portos seguros e simplesmente não conseguem partir. É um direito concedido a todos, inclusive aos covardes e fracos de alma, que cercados sempre de milhões de argumentos sensatos, vivem com uma só certeza: ainda não estão prontos para prosseguir.

Não estão prontos para seus novos ciclos.

E assim, aprendendo o desapego e com a coragem dos grandes navegadores, sigo em frente, deixando tudo para trás, na eterna busca por mim mesmo, em algum ponto desse mar sem fim que é a vida.