Faz três semanas, tive uma péssima experiência, roubaram o estepe do meu carro em um estacionamento. Descobri imediatamente, porque deixaram as ferramentas todas soltas no porta malas e fui ver no mesmo dia o que estava fazendo tanto barulho.
Comuniquei à administração da empresa responsável pelo local e recebi a resposta que não se responsabilizariam pelo roubo, já que eu não tenho provas que teria sido lá.
Insisti com os donos, mas a resposta foi sempre a mesma: não pagaremos seu prejuízo.
Fiquei bem chateado e, mesmo sabendo que a decisão já estava tomada por parte deles, escrevi um e-mail com tudo que eu estava sentindo e o que eu achava da decisão unilateral da empresa.
Eu não queria guardar dentro de mim o que estava sentindo, no fundo achei a decisão injusta e não aceitei a resposta deles.
Escrevi exatamente o que senti, sem agressões nem reclamações infundadas. Usei o meu direito de reclamar, expressar os meus sentimentos e emoções, expressar os meus pontos de vista sobre o assunto de forma direta, com integridade, honestidade e respeito.
Para minha surpresa, o diretor da empresa, uma das maiores no ramo de estacionamentos de São Paulo, respondeu pessoalmente ao meu e-mail, dizendo que reconsiderou sua decisão após ler minha exposição de idéias.
Assunto resolvido, vão pagar pelo sumiço do meu pneu e roda.
O que eu quero mostrar com esse fato é que geralmente desistimos de nos expressar quando encontramos "causas perdidas" e com isso vamos juntando sentimentos e idéias que deveriam ser expostos, mas continuam dentro de nós.
Isso é péssimo.
Quando aprendi a me expressar, mesmo sabendo que poderia ser uma perda de tempo, muita coisa mudou. As coisas se resolvem mais fácil, senão com os outros, ao menos dentro de mim.
Quando brigamos com uma pessoa querida (namorado/a, familia, amigos) às vezes deixamos de falar o que sentimos para poupar os outros de ouvir coisas que talvez os deixem chateados, mas funciona de maneira oposta. Fica sempre uma dúvida no ar.
Se perguntam o que você tem, não responda "nada" se isso não for verdade. Diga o que sente.
Não estou dizendo para você sair falando o que acha dos outros, julgar o próximo sem ser perguntado ou dizer coisas agressivas sem necessidade.
O ponto é limitado ao seu sentimento. Diga sempre o que sente. Nunca dá errado.
Sabendo como se sente, o outro tem na mão uma informação fundamental para o convívio saudável e verdadeiro, mesmo não sendo esse sentimento o correto ou aceitável.
Se você sente, é verdadeiro e é isso que importa.
Saber como você se sente dá ao outro uma possibilidade de se posicionar em relação a isso de maneira que antes era impossível.
Sem a sua expressão, sobra só a adivinhação. O que pode ser óbvio para você, geralmente não é para o outro.
Seja ativo, direto e honesto, expresse seu sentimento sempre.
Bote o sentimento para fora e viva melhor!
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terça-feira, 6 de abril de 2010
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Algumas verdades sobre a verdade
Sim, ela anda meio fora de moda, eu sei.
A verdade perdeu audiência. Foi para segundo plano.
Mas o que é a verdade afinal?
Nos atuais tempos de alegria a base de prozac e sono pesado por cima de caixas de rivotril, o fato é que a fantasia ficou mais interessante que a verdade.
Basta uma rápida análise para confirmar essa teoria.
As mulheres retocadas, plastificadas e photoshopadas são idolatradas como ícones da beleza, os reality shows da TV distorcem sabidamente o caminho das histórias de seus personagens "reais" e as pessoas sabem disso, mas preferem ignorar o fato.
Escolhemos fugir da realidade, a verdade ficou dura demais.
Mesmo no, quase sempre superficial, programa social, as pessoas preferem a realidade alterada. Drogas e bebidas são utilizadas como ferramentas de amaciamento da verdade. Aditivos químicos de fuga. Como diz um amigo meu, parodiando uma frase popular, nenhuma mulher é feia depois de bebermos meia garrafa de tequila. Ele escolhe livremente se enganar.
Nas comunidades sociais da internet, todo mundo quer parecer melhor. Fotos de viagens internacionais agora tem a obrigação de conter o monumento famoso ao fundo confirmando o investimento. Iates, carros luxuosos e lugares da moda tem destaque nos álbuns.
A vida pessoal ganhou release de divulgação. Se não é, que pelo menos pareça.
Personagens fakes no twitter tem mais ibope que o próprio criador. Nenhum deles bate seus personagens criados por admiradores em número de seguidores. Muitos são fakes conhecidos, divulgam exaustivamente que são falsos, mas as pessoas os continuam seguindo. O fake, apesar da tentação, também não aceita mudar seu nome para um real, com medo de perder seguidores. É um comum acordo de enganação.
Escolhemos nossa realidade.
A filosofia estuda a verdade de diversas maneiras. Para Nietzsche, a verdade é um ponto de vista. Ele não define nem aceita definição da verdade, porque não se pode alcançar uma certeza sobre a definição do oposto da mentira.
Citando Goethe, em "Máximas e Reflexões", as pessoas servem-se da verdade quando ela lhes é útil, mas recorrem com retórica paixão à falsidade logo que se lhes depara o momento em que a podem usar para produzir a ilusão de um meio-argumento e dar assim, com uma manobra de diversão, a aparência de unificar aquilo que se apresenta como fragmentário.
Fiodor Dostoievski dizia que durante séculos a verdade irá continuar à frente do nariz das pessoas mas estas não a tomarão: irão persegui-la através da fabricação, precisamente porque procuram algo fantástico e utópico.
A verdade é que a verdade está em cada um de nós. Depende de nossas vivências, nosso conhecimento, experiência e bagagem. Cada pessoa possui sua própria verdade, e tudo aquilo em que uma pessoa acredita passa a ser a sua verdade. O que nós não podemos fazer é parar no tempo, nos fechar para outras possibilidades e idéias, pois o que hoje acreditamos ser o correto, pode ser provado amanhã o contrário. Na busca intelectual de fatos e verdades, devemos ser honestos com nós mesmos.
Sempre abertos, prontos para nossa nova verdade.
A verdade perdeu audiência. Foi para segundo plano.
Mas o que é a verdade afinal?
Nos atuais tempos de alegria a base de prozac e sono pesado por cima de caixas de rivotril, o fato é que a fantasia ficou mais interessante que a verdade.
Basta uma rápida análise para confirmar essa teoria.
As mulheres retocadas, plastificadas e photoshopadas são idolatradas como ícones da beleza, os reality shows da TV distorcem sabidamente o caminho das histórias de seus personagens "reais" e as pessoas sabem disso, mas preferem ignorar o fato.
Escolhemos fugir da realidade, a verdade ficou dura demais.
Mesmo no, quase sempre superficial, programa social, as pessoas preferem a realidade alterada. Drogas e bebidas são utilizadas como ferramentas de amaciamento da verdade. Aditivos químicos de fuga. Como diz um amigo meu, parodiando uma frase popular, nenhuma mulher é feia depois de bebermos meia garrafa de tequila. Ele escolhe livremente se enganar.
Nas comunidades sociais da internet, todo mundo quer parecer melhor. Fotos de viagens internacionais agora tem a obrigação de conter o monumento famoso ao fundo confirmando o investimento. Iates, carros luxuosos e lugares da moda tem destaque nos álbuns.
A vida pessoal ganhou release de divulgação. Se não é, que pelo menos pareça.
Personagens fakes no twitter tem mais ibope que o próprio criador. Nenhum deles bate seus personagens criados por admiradores em número de seguidores. Muitos são fakes conhecidos, divulgam exaustivamente que são falsos, mas as pessoas os continuam seguindo. O fake, apesar da tentação, também não aceita mudar seu nome para um real, com medo de perder seguidores. É um comum acordo de enganação.
Escolhemos nossa realidade.
A filosofia estuda a verdade de diversas maneiras. Para Nietzsche, a verdade é um ponto de vista. Ele não define nem aceita definição da verdade, porque não se pode alcançar uma certeza sobre a definição do oposto da mentira.
Citando Goethe, em "Máximas e Reflexões", as pessoas servem-se da verdade quando ela lhes é útil, mas recorrem com retórica paixão à falsidade logo que se lhes depara o momento em que a podem usar para produzir a ilusão de um meio-argumento e dar assim, com uma manobra de diversão, a aparência de unificar aquilo que se apresenta como fragmentário.
Fiodor Dostoievski dizia que durante séculos a verdade irá continuar à frente do nariz das pessoas mas estas não a tomarão: irão persegui-la através da fabricação, precisamente porque procuram algo fantástico e utópico.
A verdade é que a verdade está em cada um de nós. Depende de nossas vivências, nosso conhecimento, experiência e bagagem. Cada pessoa possui sua própria verdade, e tudo aquilo em que uma pessoa acredita passa a ser a sua verdade. O que nós não podemos fazer é parar no tempo, nos fechar para outras possibilidades e idéias, pois o que hoje acreditamos ser o correto, pode ser provado amanhã o contrário. Na busca intelectual de fatos e verdades, devemos ser honestos com nós mesmos.
Sempre abertos, prontos para nossa nova verdade.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
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