"Certa manhã de inverno, uma formiguinha saiu para o seu trabalho diário.
Já ia muito longe a procura de alimento, quando um floco de neve caiu e prendeu o seu pezinho.
Aflita, vendo que não podia se livrar da neve, iria assim morrer de fome e frio, voltou-se para o sol e disse:
- Ó sol, tu que és tão forte, derrete a neve que prende o meu pezinho!
E o sol indiferente nas alturas, falou:
- Mais forte do que eu, é o muro que me tapa."
Ouvindo essa historinha da Coleção Disquinho quando era pequeno, lembro que fiquei muito impressionado com a cadeia de pessoas que uma simples formiga precisava movimentar para chegar a quem de fato ia tirar o pezinho dela preso na neve. Ninguém se declarava capaz e iam jogando a culpa em algum superior.
Depois de apelar à morte, ao homem, ao cão, ao gato, ao rato e ao muro, que tapava o sol, que derreteria a neve e desprenderia seu pezinho, teve seu pedido aceito por Deus, que ouve todas as preces. Ele lhe sorriu, estendeu a mão por cima das montanhas e ordenou que viesse a primavera e finalmente a neve derreteu.
Hoje em dia, em nome de um sistema altamente blindado que chamo de "sociedade anônima", a cadeia de comando se perde quando estamos chegando perto de "Deus" e ficamos sem ter para quem apelar.
Quando sua internet ou telefone saem do ar, você liga pra reclamar e a atendente responde que não poderá resolver o problema porque está sem "sistema", essa entidade obscura que tomou conta de todos os atendimentos ao consumidor.
- Senhor, está sem sistema, não posso fazer nada senhor, algo mais senhor? Como robos, altamente especializados na tarefa de repetir scripts, nossos atendentes esqueceram que ainda são gente.
Essa realidade baseada em sistemas desbanca o indivíduo para nos transformar em um grupo de pessoas que agem como se fossem um só, pulverizando assim as responsabilidades pessoais. Passamos a lidar com a tal da pessoa jurídica, os anônimos da sociedade.
A culpa não é mais de alguém, mas sim de alguma coisa e coisas não tem essa responsabilidade.
Se telefone não funciona, culpa da operadora, uma gigante com milhares de pessoas que trabalham lá, mas que só resolvem mesmo seu problema quando você ameaça cancelar a linha. Não era melhor atender diretamente a pessoa, antes que ela cancelasse o serviço?
Apagão elétrico? Estragou tudo na geladeira? Queimou seu DVD? Perdeu trabalho? Basta entrar com sua reclamação na justiça (outro ser anônimo) e esperar que resolvam algo a seu favor. Nem reclamar direto a quem te presta serviço podemos mais, agora precisamos de intermediários, o que torna a coisa toda ainda mais fria.
Estamos cada vez mais impotentes diante dessas grandes entidades chamadas corporações, sem opção quando se trata de serviços públicos e escravos desse tal "sistema".
Estamos cada vez menos pessoais, cada vez mais anônimos.
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Tudo não terás
Simples assim. Tudo não terás.
Estamos, em todos os momentos, fazendo escolhas e temos que arcar diretamente com as consequências delas.
O problema é que escolhas geralmente incluem renúncias. Toda escolha tem seu preço, inclusive a escolha de não escolher.
No seu livro “O Paradoxo da Escolha”, Barry Schwartz afirma que o excesso de opções de consumo piora nossa situação, ao invés de melhorar. Ele diz que o preço pago pelo aumento da riqueza e da variedade de opções é passarmos menos tempo com os outros e termos laços sociais mais frágeis.
Se não conseguimos definir ao certo o que queremos, nesse mundo com cada vez mais opções, o desapontamento com as escolhas feitas tende a ser maior.
Barry conclui que aprender a escolher o suficientemente bom pode ser a melhor estratégia para ser feliz e aproveitar a vida. No fim, não interessam os resultados objetivos de nossas escolhas, mas sim os resultados subjetivos: como nos sentimos em relação a elas.
Por isso, na minha opinião, para decidirmos bem, precisamos primeiro nos conhecer bem, sabermos exatamente o que queremos e como vamos nos sentir em relação ao que escolhemos, principalmente se algo der errado.
A base para uma boa escolha deve incluir análise, vontade, crença e otimismo.
Impossível saber se sua escolha vai ser a melhor, até mesmo porque você não vai ter a oportunidade de testar a outra opção nas mesmas condições nunca mais, mas o seu sentimento em relação ao sucesso ou fracasso da sua decisão você pode saber antes.
Importante, no final, é você estar em paz com sua decisão, independente do resultado final.
Assista Barry Schwartz falando sobre o paradoxo da escolha no TED:
Estamos, em todos os momentos, fazendo escolhas e temos que arcar diretamente com as consequências delas.
O problema é que escolhas geralmente incluem renúncias. Toda escolha tem seu preço, inclusive a escolha de não escolher.
No seu livro “O Paradoxo da Escolha”, Barry Schwartz afirma que o excesso de opções de consumo piora nossa situação, ao invés de melhorar. Ele diz que o preço pago pelo aumento da riqueza e da variedade de opções é passarmos menos tempo com os outros e termos laços sociais mais frágeis.
Se não conseguimos definir ao certo o que queremos, nesse mundo com cada vez mais opções, o desapontamento com as escolhas feitas tende a ser maior.
Barry conclui que aprender a escolher o suficientemente bom pode ser a melhor estratégia para ser feliz e aproveitar a vida. No fim, não interessam os resultados objetivos de nossas escolhas, mas sim os resultados subjetivos: como nos sentimos em relação a elas.
Por isso, na minha opinião, para decidirmos bem, precisamos primeiro nos conhecer bem, sabermos exatamente o que queremos e como vamos nos sentir em relação ao que escolhemos, principalmente se algo der errado.
A base para uma boa escolha deve incluir análise, vontade, crença e otimismo.
Impossível saber se sua escolha vai ser a melhor, até mesmo porque você não vai ter a oportunidade de testar a outra opção nas mesmas condições nunca mais, mas o seu sentimento em relação ao sucesso ou fracasso da sua decisão você pode saber antes.
Importante, no final, é você estar em paz com sua decisão, independente do resultado final.
Assista Barry Schwartz falando sobre o paradoxo da escolha no TED:
Assinar:
Postagens (Atom)
