Essa semana tive novamente contato com a morte de uma pessoa próxima. O avô das minhas filhas faleceu aos 61 anos, de enfarto. Era uma pessoa amorosa, gigante de tamanho e de coração, sensível, muito querido e certamente especial, dessas pessoas que não se encaixam muito no sistema caçador do mundo atual.
No começo desse ano, perdi minha mãe, que tinha 61 anos, depois de quase dois anos sofrendo com um câncer muito agressivo. Na hora que ela se foi, por ironia do destino, já que não estávamos muito próximos, somente eu estava ao seu lado no hospital. Ela faleceu lentamente nos meus braços, senti sua respiração parar, seu coração ir parando lentamente, suas feições foram se alterando e, para quem acredita, senti sua energia deixando seu corpo, como algo que literalmente abandonasse o casulo e fosse pro ar.
Algo não morreu ali.
Esse mistério da morte, presente diariamente nos meus pensamentos, principalmente neste momento, me faz sempre pensar sobre o sentido da vida. Já discorri sobre esse tema em outro post e ainda mantenho minha opinião. A morte, essa inevitável, única certeza que temos, só me deixa ainda com mais vontade de viver minha vida de algum modo produtivo.
Não sigo religião alguma, não temo o inferno nem acho que vou pro céu se fizer meu dever de casa, mas sigo uma linha positiva, fazer o bem, ajudar o próximo e repassar conhecimento que me foi útil, sem distinção nem preconceitos. Não o faço por grandeza, nem bondade, nem algo que possa elevar meu ego e minha categoria de cidadão, o faço porque é o que faz sentido para minha vida.
Tenho uma visão particular da morte, não tenho medo de morrer. A única coisa que faço questão é de estar pronto para morrer a qualquer minuto, sem deixar pendências aqui. Sem mágoas, sem rancor, sem amor por viver, sem coisa pra fazer, nem coisas por dizer. Tudo que eu posso fazer e que só depende de mim, eu faço. Soa como uma coisa meio egoísta, e talvez seja mesmo, mas não faria sentido viver de outra maneira.
Não guardo nada para viver na próxima vida, não sou apegado a nada, livre de tudo e de todos. Sofro com as perdas, mas não as carrego comigo.
Não vejo essa vida como o sacrifício nobre que devemos fazer para alcançar a recompensa superior. Essa vida eu vivo aqui mesmo.
No dia em que eu me for, haverá festa. Estarei lá, abraçado com a morte, comemorando cada dia da vida que tive, cada amor que vivi intensamente e cada pessoa que cruzou por mim e me fez ser quem eu sou.
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sábado, 21 de maio de 2011
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Luto
Acho que pela primeira vez na vida eu perdi uma pessoa realmente querida.
Meus dois avôs morreram cedo, algumas pessoas próximas, como meus tios, alguns parentes de segundo grau se foram, mas nunca senti muito a dor da falta deles. Sinto porque foram, claro, eram pessoas que eu gostava, mas que não participavam ativamente do meu cotidiano, não compartilhavam dos meus pensamentos e principalmente não estavam disponíveis para mim.
A pessoa querida que perdi estava comigo sempre que precisei e vice versa. A relação de troca, saudável, ajudava o crescimento mútuo e era uma refêrencia de carinho e amor.
Foi com ela que descobri a minha aptidão para a música e foi ela que me ajudou a encarar todas as dificuldades que enfrentei no começo da carreira com palavras de apoio.
Foi com essa pessoa querida que me conheci melhor, cresci ouvindo seus conselhos e, com o tempo, aprendi a aconselhar. Aprendi a expor meus pensamentos, aprendi a ser assertivo, aprendi a ser livre.
Me ensinou a plantar sementes, espalhar o bem e viver no amor.
A cumplicidade nos segredos, as risadas nas conversas diárias, a troca de conhecimento.
Tudo muito agradável, intenso e produtivo para os dois. Uma amizade verdadeira.
Até o dia que a pessoa se foi.
Adeus.
Como toda pessoa que morre, não houve aviso antes, não tem explicação do porque nem satisfações, ela simplesmente se foi.
Nessa hora vemos que tudo que aparentemente está sob controle, seguro e certo é apenas uma ilusão criada na nossa cabeça. Não controlamos nada, nessa vida nos foi dado apenas o direito de viver e sentir o agora.
Depois da perda, resta apenas a saudade, as lembranças carinhosas dos bons momentos, a vontade de ter a pessoa de volta ao seu lado, a dor da perda e até uma incompreensão dos motivos.
Porque? Porque? Me sobram as interrogações.
Sem querer, a perda de alguém querido nos faz refletir sobre nossa própria vida, nossos caminhos e nossas escolhas. A perda nos obriga a refletir.
Aprender a lidar com a perda é dolorido, mas necessário e parte da vida.
A pessoa se foi e não há o que fazer a não ser viver com isso.
O fato dela estar viva só torna isso tudo ainda mais difícil.
Meus dois avôs morreram cedo, algumas pessoas próximas, como meus tios, alguns parentes de segundo grau se foram, mas nunca senti muito a dor da falta deles. Sinto porque foram, claro, eram pessoas que eu gostava, mas que não participavam ativamente do meu cotidiano, não compartilhavam dos meus pensamentos e principalmente não estavam disponíveis para mim.
A pessoa querida que perdi estava comigo sempre que precisei e vice versa. A relação de troca, saudável, ajudava o crescimento mútuo e era uma refêrencia de carinho e amor.
Foi com ela que descobri a minha aptidão para a música e foi ela que me ajudou a encarar todas as dificuldades que enfrentei no começo da carreira com palavras de apoio.
Foi com essa pessoa querida que me conheci melhor, cresci ouvindo seus conselhos e, com o tempo, aprendi a aconselhar. Aprendi a expor meus pensamentos, aprendi a ser assertivo, aprendi a ser livre.
Me ensinou a plantar sementes, espalhar o bem e viver no amor.
A cumplicidade nos segredos, as risadas nas conversas diárias, a troca de conhecimento.
Tudo muito agradável, intenso e produtivo para os dois. Uma amizade verdadeira.
Até o dia que a pessoa se foi.
Adeus.
Como toda pessoa que morre, não houve aviso antes, não tem explicação do porque nem satisfações, ela simplesmente se foi.
Nessa hora vemos que tudo que aparentemente está sob controle, seguro e certo é apenas uma ilusão criada na nossa cabeça. Não controlamos nada, nessa vida nos foi dado apenas o direito de viver e sentir o agora.
Depois da perda, resta apenas a saudade, as lembranças carinhosas dos bons momentos, a vontade de ter a pessoa de volta ao seu lado, a dor da perda e até uma incompreensão dos motivos.
Porque? Porque? Me sobram as interrogações.
Sem querer, a perda de alguém querido nos faz refletir sobre nossa própria vida, nossos caminhos e nossas escolhas. A perda nos obriga a refletir.
Aprender a lidar com a perda é dolorido, mas necessário e parte da vida.
A pessoa se foi e não há o que fazer a não ser viver com isso.
O fato dela estar viva só torna isso tudo ainda mais difícil.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Medo da morte (E outros medos)
Outro dia, uma amiga me perguntou se eu tinha medo de morrer. Respondi com um pronto e sonoro não! Respondi que para mim, a morte é algo natural, é a simples conseqüência de estar vivo.
Ela só me olhou com aquela cara incrédula de quem estava vendo um extraterrestre e não falou mais nada.
As pessoas, em sua grande maioria, nunca estão satisfeitas com o tempo de vida que terão. Afinal, temos sempre sonhos inacabados, coisas a realizar, pequenos ou grandes desejos ainda não conquistados, filhos para criar e cuidar, conhecimento a adquirir e muito mais.
O foco disso tudo está sempre no futuro e acho que aí que mora a origem dos medos.
Desde pequenos, somos ensinados e condicionados que a felicidade existe no futuro. Hoje as crianças aprendem, através da educação e de sugestões, que a felicidade está em ter uma casa grande, um corpo perfeito, bons carros, dinheiro, amigos influentes, sucesso profissional e principalmente, fama.
Vivemos condicionados pela sociedade (Estado, Igreja, cultura/mídia) a viver querendo mais, comparando nossa vida à vida do vizinho e expostos à nossa falta de tudo. Não basta ter algo, você sempre poderá ter algo melhor e mais caro.
Todo esse circo só é possível porque deixamos de viver o presente.
Ninguém te ensina que a felicidade não depende de nada e toda criança já nasce feliz. É uma coisa que você já nasce com, já faz parte de você.
A felicidade é um sentimento para ser vivido no presente, estando presente. Colocar a felicidade no futuro é certeza de infelicidade. O tal futuro que nunca chegará, sua felicidade estará sempre no amanhã.
Agora imagine morrer antes desse futuro chegar? Deve dar um medo enorme mesmo.
Uma pessoa feliz é tida como rebelde. A felicidade é uma grande rebelião. Nenhuma sociedade até hoje permitiu que alguém fosse feliz; é muito perigoso. Como mandar pessoas para a guerra, se elas forem felizes? Como convencê-las que precisam de regimes políticos, religiões e bens materiais em excesso? Pessoas felizes dão risadas de todas essas ideologias; não levam nada disso a sério. Rirão só com a idéia de que alguém possa lutar durante séculos por uma religião e matarem-se uns aos outros.
Seja feliz e não será mais possível encontrar utilidade para políticos, padres, templos, igrejas ou religiões em sua vida.
A maneira como encaramos nossa morte revela sutilezas de nossa essência: valores e significados de nossa vida. Refletir com sinceridade sobre a morte intensifica o propósito da vida, porque nos leva a ter mais clareza de nossas prioridades. Esta reflexão não pode ser apenas intelectual, deve ser mobilizada pelos sentimentos que surgem a partir de nosso coração.
A vida é impermanente: não podemos controlar as mudanças que chegam até nós, mas podemos escolher a maneira como lidar com elas.
A grande saída para o perder os medos é você descobrir sua vocação, viver sua missão com plenitude, no aqui e agora, presente.
Vivendo no presente, com entrega, generosidade e amor, nenhum medo resiste.
Ela só me olhou com aquela cara incrédula de quem estava vendo um extraterrestre e não falou mais nada.
As pessoas, em sua grande maioria, nunca estão satisfeitas com o tempo de vida que terão. Afinal, temos sempre sonhos inacabados, coisas a realizar, pequenos ou grandes desejos ainda não conquistados, filhos para criar e cuidar, conhecimento a adquirir e muito mais.
O foco disso tudo está sempre no futuro e acho que aí que mora a origem dos medos.
Desde pequenos, somos ensinados e condicionados que a felicidade existe no futuro. Hoje as crianças aprendem, através da educação e de sugestões, que a felicidade está em ter uma casa grande, um corpo perfeito, bons carros, dinheiro, amigos influentes, sucesso profissional e principalmente, fama.
Vivemos condicionados pela sociedade (Estado, Igreja, cultura/mídia) a viver querendo mais, comparando nossa vida à vida do vizinho e expostos à nossa falta de tudo. Não basta ter algo, você sempre poderá ter algo melhor e mais caro.
Todo esse circo só é possível porque deixamos de viver o presente.
Ninguém te ensina que a felicidade não depende de nada e toda criança já nasce feliz. É uma coisa que você já nasce com, já faz parte de você.
A felicidade é um sentimento para ser vivido no presente, estando presente. Colocar a felicidade no futuro é certeza de infelicidade. O tal futuro que nunca chegará, sua felicidade estará sempre no amanhã.
Agora imagine morrer antes desse futuro chegar? Deve dar um medo enorme mesmo.
Uma pessoa feliz é tida como rebelde. A felicidade é uma grande rebelião. Nenhuma sociedade até hoje permitiu que alguém fosse feliz; é muito perigoso. Como mandar pessoas para a guerra, se elas forem felizes? Como convencê-las que precisam de regimes políticos, religiões e bens materiais em excesso? Pessoas felizes dão risadas de todas essas ideologias; não levam nada disso a sério. Rirão só com a idéia de que alguém possa lutar durante séculos por uma religião e matarem-se uns aos outros.
Seja feliz e não será mais possível encontrar utilidade para políticos, padres, templos, igrejas ou religiões em sua vida.
A maneira como encaramos nossa morte revela sutilezas de nossa essência: valores e significados de nossa vida. Refletir com sinceridade sobre a morte intensifica o propósito da vida, porque nos leva a ter mais clareza de nossas prioridades. Esta reflexão não pode ser apenas intelectual, deve ser mobilizada pelos sentimentos que surgem a partir de nosso coração.
A vida é impermanente: não podemos controlar as mudanças que chegam até nós, mas podemos escolher a maneira como lidar com elas.
A grande saída para o perder os medos é você descobrir sua vocação, viver sua missão com plenitude, no aqui e agora, presente.
Vivendo no presente, com entrega, generosidade e amor, nenhum medo resiste.
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