Prosperidade financeira nos dias de hoje virou uma obrigação e medida de felicidade.
Somos empurrados a sempre buscar mais, mais terra, mais casas, mais roupas, mais beleza, mais carros, mais dinheiro, mais destaque, mais status, mais poder, certos que no final do arco iris encontraremos nosso pote de felicidade dourada.
Nos apegamos a tudo que acumulamos, como um aval de que somos capazes, dignos e principalmente, merecedores de amor.
Quando perdemos, dependendo do montante, ficamos com raiva, preocupados, reclamões, sentimos ódio, medo, ficamos infelizes, miseráveis.
Isso sem falar no apego emocional, fonte ainda maior de sofrimento.
Criamos muitas vezes a ilusão que o outro nos pertence e que pertencemos a alguém e ainda chamamos isso de amor.
Confundimos extremo apego a um enorme amor e é justamente o contrário. Amor é só amor, independente de condições, vantagens, posse ou duração.
Se conseguissemos amar os outros como saudavelmente deveriamos nos amar, tudo estaria resolvido.
É o famoso amor incondicional, que requer uma enorme dose de desapego e comprometimento, um dos mais difíceis de exercer.
Amar alguém ou alguma coisa sem esperar algo em troca é como amar perfeitamente a si próprio.
Desapego não é desinteresse, indiferença ou fuga. Desapego é se permitir ser, sentir, viver.
Outro dia, tomando banho, comecei a pensar nas coisas que já consegui comprar com meu trabalho, fiz uma breve analise das conquistas da minha vida.
Fiz um balanço de tudo para tentar descobrir minha coisa mais valiosa e me caiu uma ficha.
De tudo que eu tenho, a única coisa que realmente eu dou valor são sensações que essas coisas me proporcionavam e não as coisas em si.
Adoro meu carro, mas também adorava o carro que tive antes e o antes dele também.
Todos eles me levavam confortavelmente ao lugar que queria ir e é isso que me faz feliz com eles.
Não tenho medo de perder meu carro atual, porque posso usufrir das mesmas emoções com outro.
Esse carro, como os anteriores, não vai durar pra sempre, como eu também não.
Tudo que temos é temporário, como a nossa vida é.
Se encararmos tudo assim, olhar a vida como olhamos a um DVD alugado, tudo fica mais simples.
O DVD não é nosso e nem por isso deixamos de querer ver o filme nele gravado.
Não ficaremos com o disco, mas a história do filme fica conosco pra sempre e essa, pra mim, é a nossa real riqueza.
Não somos o que possuímos, mas sim o que sentimos e aprendemos com as experiências que pessoas e coisas nos proporcionam.
Muitas coisas e pessoas já passaram em minha vida e muitas mais passarão. Todas foram importantes, mas nenhuma é minha de verdade.
São DVDs alugados, emprestados, cheios de história e emoções e minha vida é aprender e sentir cada uma dessas histórias.
Sem nenhum apego, com muito amor.
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5 comentários:
Oi Gasparian!! sou amiga do Diego Briganti, ele deu um retweet no seu post do blog e eu amei!!! Precisava deixar registrado isso! é MUITO bom saber que não sou a única et que pensa assim como você! não entendo essa tendência de "ter para ser"! e se pensar ao contrário disso é ir contra a maré, aqui estou eu firme e forte! haha...sobre o amor, você também está certo! até já escrevi sobre esse "amor" que as pessoas dizem sentir hoje em dia (http://bigbagofdreams.blogspot.com/2009/06/that-word.html)
Muito bom seu texto mesmo! vou colocar seu blog na lista dentro do meu!! beijos!
A pouco descobri seu blog e venho lendo, lendo e lendo e isso tem me feito muito bem. Hoje ter lido "Sou rico mas não tenho nada" me fez um bem enorme.
Grande beijo.
Marília Costa
e eu sou pobre e tenho tudo
o segredo?
esta na alma colega
bravo!
Olá Gasparian!
Gostei do seu blog, sobretudo, do que escreveu sobre o 'desapego'. Concordo com vc! Precisamos valorizar o ser, do que o ter deerminada coisa, pessoa, trabalho...
Boa lição de desapego.
Boa lição de como viver o luxo disponível da vida, a qualquer momento.
Claro e simples, assim!
Bjs,
Adriana Rodrigues/RJ
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