segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Desmamando

Desde pequenos somos bombardeados com montes de informações, algumas delas são tão repetidas que se alojam em nossa memória e ficam ali, sedimentadas.

São coisas como a ladainha machista do menino pode, menina não, lições de postura, como não falar palavrão e não arrotar na mesa, o que pode dizer o que não pode, o que é certo e o que é errado, conceitos bem básicos sobre comportamento, o que vestir, como agir.

Somos criados dentro dessa "forma", durante anos dentro desse formato pré-determinado por nossos pais, nossos professores, nossos amigos e a sociedade.

Chega uma hora que nem percebemos mais onde começa o que realmente gostamos do que fomos ensinados a gostar...e ai começam os conflitos internos.

Sabemos que algo não está certo, ou algo não nos serve ou não nos faz felizes, mas como aquilo foi ensinado como uma "verdade" que você acredita desde pequeno, nem conseguimos identificar o que nos incomoda.

No meu caso, demorei muito tempo para descobrir o que realmente gostaria de fazer na vida. Sempre amei música, mas o conflito com a expectativa da familia que desejava para mim um profissão mais tradicional (médico/engenheiro/advogado) me fez questionar essa escolha de ser DJ por anos. Só decidi pela música quando esgotei todas as chances de trabalhar com o que eu achava que seria o mais certo e garantido, o que eu fui ensinado desde pequeno.

Não culpo a educação, que segue um formato fixo há anos, nem minha família, que realmente acreditava que eu me daria melhor em um trabalho mais convencional e muito menos a mim mesmo por não ter percebido isso antes.

O processo de crescer, desmamar e começar a buscar seu próprio caminho nessa vida é árduo, sofrido e às vezes cheio de revezes.

Às vezes é mais fácil ignorar os impulsos internos e deitar na segurança das escolhas ensinadas, muita gente desiste do seu sonho e decide fazer o que o pai faz só para garantir um futuro financeiro mais fácil ou simplesmente obter a aprovação de quem lhes é querido. Não julgo, pode ser uma saída.

No meu caso, não foi. Quase entrei em depressão por me forçar a fazer uma coisa que eu simplesmente odiava. Trabalhei anos em um escritório, com horário de entrada, almoço, saída. Aquilo era a morte para mim. Acordava todo dia arrastando para ir trabalhar.

Hoje quando fico ansioso para chegar a hora de ir tocar, penso que essa escolha de buscar o que me agradava não tem preço.

Esse novo nascimento, quando começamos a descobrir o que realmente queremos para nós, gera transformações em todos os setores da vida. Vale para tudo. Mudei desde meu modo de vestir, minha crenças, meus amigos, meu comportamento...tudo que estava em mim e não era meu foi e ainda está sendo eliminado.

Quanto mais chegamos perto de nós mesmo, da nossa essencia, do nosso real (se é que isso é 100% possível), nos aproximamos mais da paz e da felicidade.

Isso exige coragem, mas vale a pena.

Desmamem!

4 comentários:

GizeldaNog disse...

Um post perfeito. E uma atitude corajosa.Não importa o que virá e sim o que já veio.


'Às vezes é mais fácil ignorar os impulsos internos e deitar na segurança das escolhas ensinadas..."Não é triste? 80% do mundo vive assim.

Parabéns pelo voo.

Amadeus disse...

já sei qual vai ser a sua profissão quando abandonar as pick ups: psicólogo

Stage 42 disse...

Eu fui um cara muito mimado, e me orgulho disso. .. quem não chora, não mama

Ana Boaventura disse...

O caminho de uma escolha certa é mitas vezes o mais tortuoso, mas quando acontece o encontro, é tão bom que a gente consegue ver perfeitamente o quanto tudo valeu à pena!!!
beijos!