A vida não foi justa com você. Você estava tão bem, vivendo tranquilamente e bem nessa hora aconteceu essa tragédia que estragou sua vida, te trouxe problemas, consequências para o resto dos seus dias.
Essa história serve para você e serve para qualquer pessoa viva na face da terra. Todos nós temos nossas pequenas tragédias.
Gente que perde uma perna, um braço, um parente querido, perde todo dinheiro, perde a liberdade, perde o rumo da vida. Perdas acontecem para todos que tem alguma coisa ou alguém para perder. São inevitáveis, pequenos avisos do mundo para nos lembrar que estamos aqui por tempo limitado, que as coisas não são eternas, incluindo nossa própria vida.
Você se recusa a aceitar, não quer perder o controle, mas a única coisa que consegue é se magoar diante de tantos planos e expectativas.
Culpa o outro pela sua dor, pela sua dificuldade, pelo seu dissabor. Se não fosse isso, você seria feliz, com certeza, é o que repete a si mesmo sem parar.
Como seria minha vida se isso não tivesse acontecido? Seria bem melhor? Será que só seremos felizes se tudo estiver perfeito como um comercial de margarina?
Eu já vi gente com todo tipo de deficiência superar limites e vencer nos seus sonhos, mendigos que viraram ricos, cadeirantes que fazem atletismo, doentes que se curam de doenças incuráveis. Superações diárias de gente que tinha tudo para reclamar de sua vida.
Ficamos fechados em nossas pequenas misérias, reclamando que a vida acabou porque a unha está encravada, reclamando dos outros, reclamando de tudo, mas no fundo somos os únicos responsáveis pela nossa felicidade. Assuma a responsabilidade da sua.
Perdoe os outros e principalmente perdoe a si mesmo por tudo de ruim que te fizeram. A energia que você gasta para reclamar de tudo é a mesma que gastaria pra viver feliz. Perdoar exige generosidade, compreensão e principalmente atitude.
Ser positivo é uma questão de escolha.
Para ver as coisas de uma maneira positiva, precisamos querer, todos os dias, um dia de cada vez.
As coisas que nos acontecem, mesmo não tendo aparente função, no fundo são as coisas que formam nosso caráter e nossa maneira de encarar a vida.
Chegou a hora do perdão, perdoe a si mesmo e agradeça por estar onde está. Agradeça que a vida lhe colocou obstáculos na medida em que pode lidar, resolver e superar.
Agradeça também tudo de bom que você tem. Você cresce no interior, cresce como ser humano.
Sem mágoa, sem culpa, sem dor.
Eu me perdôo e você?
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segunda-feira, 14 de março de 2011
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
E foram felizes para sempre...
No formato atual dos relacionamentos, baseado no modelo romântico, cria-se a expectativa que está no outro a responsabilidade pela sua felicidade. Buscamos no outro as promessas de amor eterno, exclusividade no desejo e a complementação das necessidades.
Algo como almas gêmeas que se encontram e se fundem em um só novo ser. Não me surpreendem casais que acabam fazendo um perfil único nas redes sociais, renunciando sua individualidade para viver essa nova entidade que criaram ao se unir. Queremos do outro a nossa garantia de segurança.
Vivemos muito tempo sob uma grande repressão, a culpa pelo prazer e a descriminação da felicidade sem função social. Estamos caminhando lentamente para uma mudança nesse aspecto, tenho certeza que a criança que nasceu hoje terá relações sociais e amorosas diferentes das nossas, da mesma forma que ninguém mais deixa de casar hoje porque não é virgem. As coisas evoluem.
Ainda achamos o casamento uma coisa natural, mas temos que lembrar que o formato das relações são apenas construções sociais, não se baseiam em sentimentos, mas sim na capacidade de provedor do marido e no crescimento e organização da sociedade. Tradições islâmicas, por exemplo, aceitam a poligamia normalmente. O Corão determina que um homem pode ter até 4 esposas, mas somente se puder sustentá-las e tratá-las igualmente.
Cada país e cada cultura tem a sua regra padrão para relacionamentos sociais, mas, como brilhantemente resumiu Robert Happe, após suas viagens e pesquisas de anos sobre esse assunto, em vários lugares do mundo, todo ser humano é igual e o que deseja, independente de sua cultura ou costume, é amar e ser amado.
Na realidade, estamos expostos a diversos tipos de amor, não excludentes, de diferentes intensidades e formatos. O amor, em um sentido amplo, o amor entre parentes, entre amigos, tem importância porque faz com que o indivíduo se sinta menos desamparado.
Amamos nossos familiares, nossos amigos, nosso trabalho, nossos animais de estimação, enfim, a lista é grande. São vários amores, acontecendo simultaneamente. Por exemplo, amar meu pai não exclui também amar a minha mãe. Você pode me responder, mas eles são diferentes, são duas pessoas com funções diferentes na sua vida, por isso é possível amá-los ao mesmo tempo.
Eu te respondo: você tem razão. São diferentes, assim como são diferentes as pessoas que possa me relacionar amorosamente como homem-mulher, e claro, uma não impede o amor a outra.
O problema para o parceiro mal resolvido é que essa possibilidade de vários amores acaba gerando o ciúme, o medo de perder, o medo de ser preterido. A insegurança, quando no extremo, gera ciúmes de tudo e todos que a pessoa julga ter posse. Não tem gente que tem ciúme até de amigo?
Temos essa capacidade nata de amar várias coisas e pessoas ao mesmo tempo. Amar comer mousse de chocolate não me impede de amar comer Strogonoff. Tudo tem sua hora certa.
Amar muitas pessoas ao mesmo tempo é perfeitamente lógico e natural, mas não é aceito como uma coisa “normal” no amor romântico, onde temos que escolher uma só pessoa, essa é a regra aceita socialmente no Brasil e que nos foi condicionada desde pequenos, por diversas fontes.
Fechamos as nossas relações de amor em categorias, amigo não serve pra sexo, família não serve como amigo e assim por diante. Estamos falando aqui das regras, não das existentes exceções.
Mesmo sem dar conta, perdemos tempo precioso procurando o par ideal romântico, quase sempre inexistente e acabamos deixando de lado o que realmente importa: AMAR E SER AMADO.
Na ilusão de encontrar ouro no final do arco iris, saímos correndo ou abandonamos qualquer possibilidade de viver um amor que não seja o tal prometido nos livros e comerciais de margarina, na certeza que a felicidade estará em uma outra pessoa que me completa, minha alma gêmea.
Certamente não estará. A única chance de felicidade, se possível, está dentro de você mesmo.
Não tem nada que gere mais sofrimento do que colocar no outro a responsabilidade da sua felicidade.
Na ilusão que certos formatos são mais seguros que outros, abdicamos de grandes e verdadeiros amores e depois só sobram aquelas histórias mal resolvidas, mal vividas, aquela lembrança incomoda do relacionamento que poderia ter sido perfeito um dia, mas não foi. Sabe aquela pessoa que você quer muito esquecer, mas não sabe porque não consegue?
Só vejo a possibilidade de exercer o amor baseado na amizade e no companheirismo, na cumplicidade, e principalmente, sem depender do outro e nem do formato da relação. Se relacionar com a pessoa do jeito que ela é, com presença e entrega, somente porque vocês assim o querem e se dão bem.
Viver com disponibilidade o que você sente que tem que ser vivido.
Viver o amor relativo a cada pessoa, no formato que for possível, como você já faz com seus amigos, familiares, filhos, só que aplicado aos amantes também.
A percepção que somos responsaveis pela nossa própria felicidade é libertadora. Gente que descobre como ser feliz, namorando ou não, são as que mais tem chance de exercerem um amor que não exige do outro nada além do que a troca digna.
Não rotular o amor e aventar a possibilidade de viver com quem se ama todos os papeis possíveis. É namoro, casamento, relacão aberta, poliamor? Que tal um pouco de tudo isso, tudo ao mesmo tempo?
E aceitando-se como são, únicos, indivíduos, afins, foram felizes para sempre...
Algo como almas gêmeas que se encontram e se fundem em um só novo ser. Não me surpreendem casais que acabam fazendo um perfil único nas redes sociais, renunciando sua individualidade para viver essa nova entidade que criaram ao se unir. Queremos do outro a nossa garantia de segurança.
Vivemos muito tempo sob uma grande repressão, a culpa pelo prazer e a descriminação da felicidade sem função social. Estamos caminhando lentamente para uma mudança nesse aspecto, tenho certeza que a criança que nasceu hoje terá relações sociais e amorosas diferentes das nossas, da mesma forma que ninguém mais deixa de casar hoje porque não é virgem. As coisas evoluem.
Ainda achamos o casamento uma coisa natural, mas temos que lembrar que o formato das relações são apenas construções sociais, não se baseiam em sentimentos, mas sim na capacidade de provedor do marido e no crescimento e organização da sociedade. Tradições islâmicas, por exemplo, aceitam a poligamia normalmente. O Corão determina que um homem pode ter até 4 esposas, mas somente se puder sustentá-las e tratá-las igualmente.
Cada país e cada cultura tem a sua regra padrão para relacionamentos sociais, mas, como brilhantemente resumiu Robert Happe, após suas viagens e pesquisas de anos sobre esse assunto, em vários lugares do mundo, todo ser humano é igual e o que deseja, independente de sua cultura ou costume, é amar e ser amado.
Na realidade, estamos expostos a diversos tipos de amor, não excludentes, de diferentes intensidades e formatos. O amor, em um sentido amplo, o amor entre parentes, entre amigos, tem importância porque faz com que o indivíduo se sinta menos desamparado.
Amamos nossos familiares, nossos amigos, nosso trabalho, nossos animais de estimação, enfim, a lista é grande. São vários amores, acontecendo simultaneamente. Por exemplo, amar meu pai não exclui também amar a minha mãe. Você pode me responder, mas eles são diferentes, são duas pessoas com funções diferentes na sua vida, por isso é possível amá-los ao mesmo tempo.
Eu te respondo: você tem razão. São diferentes, assim como são diferentes as pessoas que possa me relacionar amorosamente como homem-mulher, e claro, uma não impede o amor a outra.
O problema para o parceiro mal resolvido é que essa possibilidade de vários amores acaba gerando o ciúme, o medo de perder, o medo de ser preterido. A insegurança, quando no extremo, gera ciúmes de tudo e todos que a pessoa julga ter posse. Não tem gente que tem ciúme até de amigo?
Temos essa capacidade nata de amar várias coisas e pessoas ao mesmo tempo. Amar comer mousse de chocolate não me impede de amar comer Strogonoff. Tudo tem sua hora certa.
Amar muitas pessoas ao mesmo tempo é perfeitamente lógico e natural, mas não é aceito como uma coisa “normal” no amor romântico, onde temos que escolher uma só pessoa, essa é a regra aceita socialmente no Brasil e que nos foi condicionada desde pequenos, por diversas fontes.
Fechamos as nossas relações de amor em categorias, amigo não serve pra sexo, família não serve como amigo e assim por diante. Estamos falando aqui das regras, não das existentes exceções.
Mesmo sem dar conta, perdemos tempo precioso procurando o par ideal romântico, quase sempre inexistente e acabamos deixando de lado o que realmente importa: AMAR E SER AMADO.
Na ilusão de encontrar ouro no final do arco iris, saímos correndo ou abandonamos qualquer possibilidade de viver um amor que não seja o tal prometido nos livros e comerciais de margarina, na certeza que a felicidade estará em uma outra pessoa que me completa, minha alma gêmea.
Certamente não estará. A única chance de felicidade, se possível, está dentro de você mesmo.
Não tem nada que gere mais sofrimento do que colocar no outro a responsabilidade da sua felicidade.
Na ilusão que certos formatos são mais seguros que outros, abdicamos de grandes e verdadeiros amores e depois só sobram aquelas histórias mal resolvidas, mal vividas, aquela lembrança incomoda do relacionamento que poderia ter sido perfeito um dia, mas não foi. Sabe aquela pessoa que você quer muito esquecer, mas não sabe porque não consegue?
Só vejo a possibilidade de exercer o amor baseado na amizade e no companheirismo, na cumplicidade, e principalmente, sem depender do outro e nem do formato da relação. Se relacionar com a pessoa do jeito que ela é, com presença e entrega, somente porque vocês assim o querem e se dão bem.
Viver com disponibilidade o que você sente que tem que ser vivido.
Viver o amor relativo a cada pessoa, no formato que for possível, como você já faz com seus amigos, familiares, filhos, só que aplicado aos amantes também.
A percepção que somos responsaveis pela nossa própria felicidade é libertadora. Gente que descobre como ser feliz, namorando ou não, são as que mais tem chance de exercerem um amor que não exige do outro nada além do que a troca digna.
Não rotular o amor e aventar a possibilidade de viver com quem se ama todos os papeis possíveis. É namoro, casamento, relacão aberta, poliamor? Que tal um pouco de tudo isso, tudo ao mesmo tempo?
E aceitando-se como são, únicos, indivíduos, afins, foram felizes para sempre...
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
DVDs alugados
Prosperidade financeira nos dias de hoje virou uma obrigação e medida de felicidade.
Somos empurrados a sempre buscar mais, mais terra, mais casas, mais roupas, mais beleza, mais carros, mais dinheiro, mais destaque, mais status, mais poder, certos que no final do arco iris encontraremos nosso pote de felicidade dourada.
Nos apegamos a tudo que acumulamos, como um aval de que somos capazes, dignos e principalmente, merecedores de amor.
Quando perdemos, dependendo do montante, ficamos com raiva, preocupados, reclamões, sentimos ódio, medo, ficamos infelizes, miseráveis.
Isso sem falar no apego emocional, fonte ainda maior de sofrimento.
Criamos muitas vezes a ilusão que o outro nos pertence e que pertencemos a alguém e ainda chamamos isso de amor.
Confundimos extremo apego a um enorme amor e é justamente o contrário. Amor é só amor, independente de condições, vantagens, posse ou duração.
Se conseguissemos amar os outros como saudavelmente deveriamos nos amar, tudo estaria resolvido.
É o famoso amor incondicional, que requer uma enorme dose de desapego e comprometimento, um dos mais difíceis de exercer.
Amar alguém ou alguma coisa sem esperar algo em troca é como amar perfeitamente a si próprio.
Desapego não é desinteresse, indiferença ou fuga. Desapego é se permitir ser, sentir, viver.
Outro dia, tomando banho, comecei a pensar nas coisas que já consegui comprar com meu trabalho, fiz uma breve analise das conquistas da minha vida.
Fiz um balanço de tudo para tentar descobrir minha coisa mais valiosa e me caiu uma ficha.
De tudo que eu tenho, a única coisa que realmente eu dou valor são sensações que essas coisas me proporcionavam e não as coisas em si.
Adoro meu carro, mas também adorava o carro que tive antes e o antes dele também.
Todos eles me levavam confortavelmente ao lugar que queria ir e é isso que me faz feliz com eles.
Não tenho medo de perder meu carro atual, porque posso usufrir das mesmas emoções com outro.
Esse carro, como os anteriores, não vai durar pra sempre, como eu também não.
Tudo que temos é temporário, como a nossa vida é.
Se encararmos tudo assim, olhar a vida como olhamos a um DVD alugado, tudo fica mais simples.
O DVD não é nosso e nem por isso deixamos de querer ver o filme nele gravado.
Não ficaremos com o disco, mas a história do filme fica conosco pra sempre e essa, pra mim, é a nossa real riqueza.
Não somos o que possuímos, mas sim o que sentimos e aprendemos com as experiências que pessoas e coisas nos proporcionam.
Muitas coisas e pessoas já passaram em minha vida e muitas mais passarão. Todas foram importantes, mas nenhuma é minha de verdade.
São DVDs alugados, emprestados, cheios de história e emoções e minha vida é aprender e sentir cada uma dessas histórias.
Sem nenhum apego, com muito amor.
Somos empurrados a sempre buscar mais, mais terra, mais casas, mais roupas, mais beleza, mais carros, mais dinheiro, mais destaque, mais status, mais poder, certos que no final do arco iris encontraremos nosso pote de felicidade dourada.
Nos apegamos a tudo que acumulamos, como um aval de que somos capazes, dignos e principalmente, merecedores de amor.
Quando perdemos, dependendo do montante, ficamos com raiva, preocupados, reclamões, sentimos ódio, medo, ficamos infelizes, miseráveis.
Isso sem falar no apego emocional, fonte ainda maior de sofrimento.
Criamos muitas vezes a ilusão que o outro nos pertence e que pertencemos a alguém e ainda chamamos isso de amor.
Confundimos extremo apego a um enorme amor e é justamente o contrário. Amor é só amor, independente de condições, vantagens, posse ou duração.
Se conseguissemos amar os outros como saudavelmente deveriamos nos amar, tudo estaria resolvido.
É o famoso amor incondicional, que requer uma enorme dose de desapego e comprometimento, um dos mais difíceis de exercer.
Amar alguém ou alguma coisa sem esperar algo em troca é como amar perfeitamente a si próprio.
Desapego não é desinteresse, indiferença ou fuga. Desapego é se permitir ser, sentir, viver.
Outro dia, tomando banho, comecei a pensar nas coisas que já consegui comprar com meu trabalho, fiz uma breve analise das conquistas da minha vida.
Fiz um balanço de tudo para tentar descobrir minha coisa mais valiosa e me caiu uma ficha.
De tudo que eu tenho, a única coisa que realmente eu dou valor são sensações que essas coisas me proporcionavam e não as coisas em si.
Adoro meu carro, mas também adorava o carro que tive antes e o antes dele também.
Todos eles me levavam confortavelmente ao lugar que queria ir e é isso que me faz feliz com eles.
Não tenho medo de perder meu carro atual, porque posso usufrir das mesmas emoções com outro.
Esse carro, como os anteriores, não vai durar pra sempre, como eu também não.
Tudo que temos é temporário, como a nossa vida é.
Se encararmos tudo assim, olhar a vida como olhamos a um DVD alugado, tudo fica mais simples.
O DVD não é nosso e nem por isso deixamos de querer ver o filme nele gravado.
Não ficaremos com o disco, mas a história do filme fica conosco pra sempre e essa, pra mim, é a nossa real riqueza.
Não somos o que possuímos, mas sim o que sentimos e aprendemos com as experiências que pessoas e coisas nos proporcionam.
Muitas coisas e pessoas já passaram em minha vida e muitas mais passarão. Todas foram importantes, mas nenhuma é minha de verdade.
São DVDs alugados, emprestados, cheios de história e emoções e minha vida é aprender e sentir cada uma dessas histórias.
Sem nenhum apego, com muito amor.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
Estamos ficando velhos mais rápido?
Recentemente recebi a visita do meu pai, que mora em outro estado e vem para São Paulo uma vez por ano.
No diálogo dele a mesma frase de sempre: "É meu filho, eu já estou com um pé na cova e outro na casca da banana. Não há mais o que fazer, estou só esperando a vida acabar." Reclamando da vida, reclamando das ex-mulheres, dos problemas nos negócios, do fato de morar longe e principalmente, do meu desinteresse na continuidade de seus negócios. Tudo isso, naquele tom melancólico, de gente que sofre, mas sem nenhum motivo aparente.
Tudo isso, dito no restaurante ótimo que fomos almoçar juntos. Era para ser celebração, reencontro alegre de pai e filho que não se viam há tanto tempo, mas é só lamentação atrás de lamentação. Disperso, eu olho para as outras mesas, tudo lotado. Sentados ao lado, várias pessoas de todos os tipos e idades, todos com a mesma cara fechada e séria do meu pai, que continua resmungando à minha frente. Ninguém, absolutamente ninguém sorri. É impressionante.
Na mesma hora, começo a refletir sobre minha vida, minha alegria e meu jeito leve e positivo de encarar os problemas (sim, eu também tenho problemas) e chego a conclusão que algo está errado. Penso que devo estar perdendo alguma coisa. Porque só eu estou sorrindo aqui? Será que a vida é para ser sofrida? Será que perdi a referência? Será que devo me sentir culpado em ser feliz?
Entre uma piada para o garçom, que se diverte com minhas besteiras e um elogio ao cozinheiro, que imediatamente começa a sorrir, percebo que é possível ver o sorriso aparecer, com coisas muito simples, apenas com o afeto colocado em uma piada ou um elogio.
Nessa hora, volto minha atenção para meu pai e resolvo falar um pouco sobre a minha visão da vida, das minhas escolhas e do caminho que resolvi seguir...e, com surpresa, percebo que ele não quer me ouvir, só quer falar.
Comento sobre minha experiência com o Pilates e que o alongamento tem feito milagres para minha disposição e físico e o que escuto são só lamentos sobre sua pressão alta e o possível câncer em alguma parte do corpo (e toda semana é uma parte nova).
Com 70 anos nas costas, meu pai tem ainda um longo caminho pela frente. Sua idade, seu envelhecimento físico, não chega nem perto do seu envelhecimento psicológico. Ele se sente infeliz, mas não tem absolutamente nenhum motivo para isso. Tem dinheiro acima do suficiente para viver, ama e é amado por uma companheira, tem dois filhos muito bem criados e saudáveis, mora em uma casa espaçosa e confortável e, a seu contragosto, tem a saúde perfeita, confirmada por todos os exames que insiste em fazer toda vez que sente uma dor em algum canto. Nada, zero, resultados perfeitos.
Então, qual será o real problema dele? Me perguntei isso diversas vezes e até hoje não achei a resposta.
Ele se diz cansado, pressionado pela situação atual de sua vida. Diz que se sente velho. Talvez aí tenhamos uma pista sobre o real problema. Ele cansou sim, mas das cobranças da vida social. Ele ainda acha que precisa da aprovação dos outros para ser feliz, mas ele só precisa de auto-aprovação, e quem controla isso somos nós mesmos.
Ele acha que precisa dizer a marca de seu carro, precisa dizer que seu cartão platinum master super mega blaster não tem limite, precisa dizer o que tem. Clara vítima da mídia. Nem passa pela cabeça dele dizer o que é, como pessoa. Deve achar que é pouco.
Talvez ele nem desconfie que só precisamos da nossa permissão para sermos felizes.
Aprendi, com as aulas de teatro, a resgatar a criança dentro de mim. Aprendi a me fazer de ridículo, sem prejuízo algum, e com isso fazer alguém rir. Aprendi a rir de mim mesmo.
Nenhuma criança precisa de pose, nem de posses e nem de prestígio. Nem cartão de crédito sem limite.
Depois desse encontro com a minha criança, comecei a rejuvenescer, até fisicamente. Me permiti ser feliz fazendo o que gosto, sem culpas e sem preocupações com o que os outros vão achar.
Penso muito no meu pai e por conseqüência, penso muito como será a minha própria velhice.
Claro que aos 40 anos, meu corpo já não responde mais da mesma maneira de antes. Comidas pesadas pesam de verdade, exercícios extremos causam dores por todo lado no dia seguinte e o reflexo e a agilidade não são mais os mesmos, só que a cabeça continua de moleque. Me sinto jovem e sei que isso não vai mudar tão cedo.
Me permito ser uma pessoa feliz e me sentindo jovem.
Quando será que meu pai vai se permitir?
No diálogo dele a mesma frase de sempre: "É meu filho, eu já estou com um pé na cova e outro na casca da banana. Não há mais o que fazer, estou só esperando a vida acabar." Reclamando da vida, reclamando das ex-mulheres, dos problemas nos negócios, do fato de morar longe e principalmente, do meu desinteresse na continuidade de seus negócios. Tudo isso, naquele tom melancólico, de gente que sofre, mas sem nenhum motivo aparente.
Tudo isso, dito no restaurante ótimo que fomos almoçar juntos. Era para ser celebração, reencontro alegre de pai e filho que não se viam há tanto tempo, mas é só lamentação atrás de lamentação. Disperso, eu olho para as outras mesas, tudo lotado. Sentados ao lado, várias pessoas de todos os tipos e idades, todos com a mesma cara fechada e séria do meu pai, que continua resmungando à minha frente. Ninguém, absolutamente ninguém sorri. É impressionante.
Na mesma hora, começo a refletir sobre minha vida, minha alegria e meu jeito leve e positivo de encarar os problemas (sim, eu também tenho problemas) e chego a conclusão que algo está errado. Penso que devo estar perdendo alguma coisa. Porque só eu estou sorrindo aqui? Será que a vida é para ser sofrida? Será que perdi a referência? Será que devo me sentir culpado em ser feliz?
Entre uma piada para o garçom, que se diverte com minhas besteiras e um elogio ao cozinheiro, que imediatamente começa a sorrir, percebo que é possível ver o sorriso aparecer, com coisas muito simples, apenas com o afeto colocado em uma piada ou um elogio.
Nessa hora, volto minha atenção para meu pai e resolvo falar um pouco sobre a minha visão da vida, das minhas escolhas e do caminho que resolvi seguir...e, com surpresa, percebo que ele não quer me ouvir, só quer falar.
Comento sobre minha experiência com o Pilates e que o alongamento tem feito milagres para minha disposição e físico e o que escuto são só lamentos sobre sua pressão alta e o possível câncer em alguma parte do corpo (e toda semana é uma parte nova).
Com 70 anos nas costas, meu pai tem ainda um longo caminho pela frente. Sua idade, seu envelhecimento físico, não chega nem perto do seu envelhecimento psicológico. Ele se sente infeliz, mas não tem absolutamente nenhum motivo para isso. Tem dinheiro acima do suficiente para viver, ama e é amado por uma companheira, tem dois filhos muito bem criados e saudáveis, mora em uma casa espaçosa e confortável e, a seu contragosto, tem a saúde perfeita, confirmada por todos os exames que insiste em fazer toda vez que sente uma dor em algum canto. Nada, zero, resultados perfeitos.
Então, qual será o real problema dele? Me perguntei isso diversas vezes e até hoje não achei a resposta.
Ele se diz cansado, pressionado pela situação atual de sua vida. Diz que se sente velho. Talvez aí tenhamos uma pista sobre o real problema. Ele cansou sim, mas das cobranças da vida social. Ele ainda acha que precisa da aprovação dos outros para ser feliz, mas ele só precisa de auto-aprovação, e quem controla isso somos nós mesmos.
Ele acha que precisa dizer a marca de seu carro, precisa dizer que seu cartão platinum master super mega blaster não tem limite, precisa dizer o que tem. Clara vítima da mídia. Nem passa pela cabeça dele dizer o que é, como pessoa. Deve achar que é pouco.
Talvez ele nem desconfie que só precisamos da nossa permissão para sermos felizes.
Aprendi, com as aulas de teatro, a resgatar a criança dentro de mim. Aprendi a me fazer de ridículo, sem prejuízo algum, e com isso fazer alguém rir. Aprendi a rir de mim mesmo.
Nenhuma criança precisa de pose, nem de posses e nem de prestígio. Nem cartão de crédito sem limite.
Depois desse encontro com a minha criança, comecei a rejuvenescer, até fisicamente. Me permiti ser feliz fazendo o que gosto, sem culpas e sem preocupações com o que os outros vão achar.
Penso muito no meu pai e por conseqüência, penso muito como será a minha própria velhice.
Claro que aos 40 anos, meu corpo já não responde mais da mesma maneira de antes. Comidas pesadas pesam de verdade, exercícios extremos causam dores por todo lado no dia seguinte e o reflexo e a agilidade não são mais os mesmos, só que a cabeça continua de moleque. Me sinto jovem e sei que isso não vai mudar tão cedo.
Me permito ser uma pessoa feliz e me sentindo jovem.
Quando será que meu pai vai se permitir?
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Inveja
O sentimento em que se misturam o ódio e o desgosto, e que é provocado pela felicidade e prosperidade do outro. O desejo irrefreável de possuir ou gozar, em caráter exclusivo, o que é possuído ou gozado por outro. (Houaiss)
Afinal de contas, porque o outro tem tudo e eu nada? Porque para ele tudo dá certo e para mim só errado? Porque ele é feliz e eu não? Porque as pessoas gostam dele e não de mim?
A resposta é simples: porque nem você gosta de você mesmo.
Quando vemos uma pessoa feliz, podemos olhar para ela de duas maneiras: com admiração ou com inveja. A escolha é sempre nossa, bem como a escolha de como encararemos nossos problemas...acredite, pessoas felizes tem problemas, iguais a todos.
Certamente a felicidade do outro incomoda demais para quem não está bem resolvido. Principalmente porque, mesmo querendo, você nunca terá essa felicidade. Sim, exatamente, você nunca terá a felicidade do outro. Não estou te agourando nem jogando praga...você nunca terá a felicidade do outro porque não é a sua felicidade e sim a do outro.
Ai entra a chave da questão, olhar para o próximo e ter inveja de suas conquistas não resolve. Certamente a maneira que ele vive, e é feliz, não é a maneira que você ficaria feliz. Simples assim.
Não adianta olhar para a felicidade isolada de uma situação. Muitas pessoas felizes tem uma vida muito dura, sacrificada, com muitas concessões, mas escolheram e vivem bem assim. Isso não quer dizer que você viver copiando (ou invejando) outras pessoas terá certeza do sucesso que elas tem, nem que será feliz como elas são.
Pessoas maduras, bem resolvidas, seguras devem servir de parâmetro, mas não meta. Servem para nortear seu rumo na busca pela sua própria paz, a sua tranqüilidade...e só.
Muitos invejam pessoas famosas, expostas na mídia, sempre com um sorriso branqueado no rosto...mas experimente um dia na vida real delas, será que você seria feliz?
No caminho da sua felicidade, só existe você como obstáculo. Mais ninguém.
A felicidade dos outros não atrapalha a sua, ao contrário, só ajuda ter gente feliz por perto.
Quanto mais você se conhece, mais chega perto de si mesmo, mais feliz será.
;o)
Afinal de contas, porque o outro tem tudo e eu nada? Porque para ele tudo dá certo e para mim só errado? Porque ele é feliz e eu não? Porque as pessoas gostam dele e não de mim?
A resposta é simples: porque nem você gosta de você mesmo.
Quando vemos uma pessoa feliz, podemos olhar para ela de duas maneiras: com admiração ou com inveja. A escolha é sempre nossa, bem como a escolha de como encararemos nossos problemas...acredite, pessoas felizes tem problemas, iguais a todos.
Certamente a felicidade do outro incomoda demais para quem não está bem resolvido. Principalmente porque, mesmo querendo, você nunca terá essa felicidade. Sim, exatamente, você nunca terá a felicidade do outro. Não estou te agourando nem jogando praga...você nunca terá a felicidade do outro porque não é a sua felicidade e sim a do outro.
Ai entra a chave da questão, olhar para o próximo e ter inveja de suas conquistas não resolve. Certamente a maneira que ele vive, e é feliz, não é a maneira que você ficaria feliz. Simples assim.
Não adianta olhar para a felicidade isolada de uma situação. Muitas pessoas felizes tem uma vida muito dura, sacrificada, com muitas concessões, mas escolheram e vivem bem assim. Isso não quer dizer que você viver copiando (ou invejando) outras pessoas terá certeza do sucesso que elas tem, nem que será feliz como elas são.
Pessoas maduras, bem resolvidas, seguras devem servir de parâmetro, mas não meta. Servem para nortear seu rumo na busca pela sua própria paz, a sua tranqüilidade...e só.
Muitos invejam pessoas famosas, expostas na mídia, sempre com um sorriso branqueado no rosto...mas experimente um dia na vida real delas, será que você seria feliz?
No caminho da sua felicidade, só existe você como obstáculo. Mais ninguém.
A felicidade dos outros não atrapalha a sua, ao contrário, só ajuda ter gente feliz por perto.
Quanto mais você se conhece, mais chega perto de si mesmo, mais feliz será.
;o)
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