Em 1937, sua avó conheceu seu avô, apresentados pela família de ambos. Quando começaram a namorar, eles só podiam pegar na mão um do outro, no sofá da sala. Trocavam poesias por carta e sua avó mantinha a virgindade como um troféu ao seu futuro único marido, como prova de sua pureza e verdadeiro amor, enquanto o pai do seu avô o levava pra conhecer o sexo na casa de tolerância mais próxima.
Hoje em dia, muita coisa mudou. Ninguém mais deixa de casar porque a noiva não é mais virgem, ninguém escreve mais cartas de amor em papel ou casa com parceiros que sua família escolheu para você, mas nos relacionamentos ainda sobram ranços dessa educação machista e baseada na castração religiosa. Ainda insistimos no modelo dos contos de fada, do casamento eterno com a esposa perfeita, a princesa, a dama, fiel, carinhosa, boa mãe, abnegada dona de casa e devota ao marido, o príncipe perfeito, o rico dono do cavalo branco e provedor do castelo.
Inconscientemente os livros infantis, as novelas e os filmes reforçam a ligação entre a felicidade e a aceitação social para a mulher que casa com seu príncipe. Se tiver filhos com ele, ainda melhor.
Todo mundo quer encontrar um parceiro, o que é ótimo, mas esquece de focar o amor e parte para o romance, ai vive buscando na vida o que leu nos livros de princesas. Nesse modelo antigo, a mulher é que sofre mais, fica tempos sem fazer sexo e na maioria das vezes, quando o faz, sente-se insegura e usada.
A mulher romântica vive correndo atrás da sua aceitação social, se esforça para manter o corpo dentro do padrão imposto, gasta muito com roupas de grife como passaporte de status social e tem que administrar seus desejos para que não seja julgada ou taxada de fácil. Enorme conflito para uma pessoa que tem sentimentos, desejos e vontades próprias.
Em sociedade, ninguém pode ser autêntico. Acabam todos iguais e previsíveis, fora de sua real natureza e geralmente infelizes.
A pessoa percebe que está infeliz, percebe onde está o problema, mas ao mesmo tempo que sofre com isso, sofre também com a decisão de abandonar modelo que viveu a vida toda, tudo o que aprendeu como "certo" na infância.
Vivemos hoje a quebra desse modelo romântico, hipócrita, machista e baseado no consumo.
Morreram os príncipes e agora as princesas trabalham fora.
Novas formas de amor se apresentam, novos padrões se revelam.
Essas mudanças levam tempo, às vezes anos. Quanto tempo faz que a virgindade deixou de ser um valor essencial para o casamento? Para algumas pessoas, mesmo hoje em dia, isso ainda é importante, calcule.
As transformações são lentas, sofridas, trabalhosas.
Como eu disse outro dia para duas amigas, uma convicta solteira e outra recém-casada, não existe um formato certo, o estado perfeito. O importante é você não estar de um lado querendo estar do outro. O segredo é viver o amor de maneira autêntica com o que você acredita de coração, feliz com sua escolha.
A chance de pessoas autênticas manterem um relacionamento longo e saudável é bem maior. A felicidade e o prazer nessas relações são notórios. Ser autêntico consigo mesmo geralmente exige o esforço de viver em segredo e longe do julgamento social, mas acaba valendo muito a pena pela intensidade e profundidade da relação.
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quinta-feira, 10 de junho de 2010
quarta-feira, 3 de junho de 2009
ISO 9000
Você se sente pressionado sempre? Pressionada?
Demandas de todos os lados nos colocam em contato permanente com nossa imperfeição. Dentro dos parâmetros definidos como bons, recomendáveis ou perfeitos, nos esprememos, tentando nos encaixar de alguma forma no grupo social que nos interessa e insiste em não aceitar diferentes.
Desde seu começo, a industrialização levantou questões relativas à padronização e à qualidade de processos e produtos. No início do século XX, destacaram-se os estudos de Frederick Taylor visando racionalizar as etapas de produção, aproveitados com sucesso por Henry Ford. Seu lema era: "Todos podem escolher a cor de seu carro, contanto que seja o preto".
Da padronização dos carros para a das pessoas foi um pulinho. Entramos para a linha de montagem de Henry Ford. Estamos vivendo nosso ISO 9000.
Todo mundo da tribo, para ser aceito, agora tem que ser igual. Mesmo nas turmas mais alternativas, todos acabam alternativamente iguais. Não podemos nos destacar, sob pena de expulsão. Quer arriscar? Não dá! Temos gente o tempo todo nos verificando e criticando. São os guardiões do padrão. Escapou, já era. Vai ser rejeitado.
Acima do peso? Rejeitado! Feio demais? Rejeitado! Pobre? Ah, rejeitado! Arrumado demais? Rejeitado! Arrumado de menos? Rejeitado...e assim segue.
Fixados nas referências do nosso grupo, nos tornamos escravos de nossos espelhos.
Se não conseguimos nos enquadrar no padrão, mesmo com muito sacrifício, morremos de culpa.
Nos culpamos por aquele delicioso bolo de chocolate porque nos engorda, nos culpamos por dormir demais e trabalhar de menos, nos culpamos por achar a mulher de um amigo bonita e atraente. Pronto, você acabou de me culpar por pensar nisso, certo?
A culpa, de certa forma domina o mundo. Junto com a fofoca.
O ideal seria aceitarmos nossas diferenças, com respeito e afeto. Esquecer o padrão, valorizar os indivíduos. Únicos, mas juntos.
Essa escolha está em nossas mãos. Podemos viver as alegrias dos outros, nos corroendo de inveja e raiva ou podemos buscar nossas próprias alegrias, usando o sucesso dos outros como modelo.
Livrando-se das culpas e cercando-se de afeto, o que resta é felicidade.
Aceite a sua!
Demandas de todos os lados nos colocam em contato permanente com nossa imperfeição. Dentro dos parâmetros definidos como bons, recomendáveis ou perfeitos, nos esprememos, tentando nos encaixar de alguma forma no grupo social que nos interessa e insiste em não aceitar diferentes.
Desde seu começo, a industrialização levantou questões relativas à padronização e à qualidade de processos e produtos. No início do século XX, destacaram-se os estudos de Frederick Taylor visando racionalizar as etapas de produção, aproveitados com sucesso por Henry Ford. Seu lema era: "Todos podem escolher a cor de seu carro, contanto que seja o preto".
Da padronização dos carros para a das pessoas foi um pulinho. Entramos para a linha de montagem de Henry Ford. Estamos vivendo nosso ISO 9000.
Todo mundo da tribo, para ser aceito, agora tem que ser igual. Mesmo nas turmas mais alternativas, todos acabam alternativamente iguais. Não podemos nos destacar, sob pena de expulsão. Quer arriscar? Não dá! Temos gente o tempo todo nos verificando e criticando. São os guardiões do padrão. Escapou, já era. Vai ser rejeitado.
Acima do peso? Rejeitado! Feio demais? Rejeitado! Pobre? Ah, rejeitado! Arrumado demais? Rejeitado! Arrumado de menos? Rejeitado...e assim segue.
Fixados nas referências do nosso grupo, nos tornamos escravos de nossos espelhos.
Se não conseguimos nos enquadrar no padrão, mesmo com muito sacrifício, morremos de culpa.
Nos culpamos por aquele delicioso bolo de chocolate porque nos engorda, nos culpamos por dormir demais e trabalhar de menos, nos culpamos por achar a mulher de um amigo bonita e atraente. Pronto, você acabou de me culpar por pensar nisso, certo?
A culpa, de certa forma domina o mundo. Junto com a fofoca.
O ideal seria aceitarmos nossas diferenças, com respeito e afeto. Esquecer o padrão, valorizar os indivíduos. Únicos, mas juntos.
Essa escolha está em nossas mãos. Podemos viver as alegrias dos outros, nos corroendo de inveja e raiva ou podemos buscar nossas próprias alegrias, usando o sucesso dos outros como modelo.
Livrando-se das culpas e cercando-se de afeto, o que resta é felicidade.
Aceite a sua!
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