segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Falando de boca fechada

Quando falamos algo, esquecemos que a fala é só uma parte bem pequena de tudo que comunicamos. Junto com as nossas palavras, existem muitos outros elementos que acabam passando mais informações a quem nos ouve do que as nossas próprias palavras.

O investigador americano Mehrabian fez uma estimativa da proporção verbal/não verbal do comportamento e concluiu que 55% da mensagem é transmitida via linguagem corporal. Ainda, segundo o mesmo estudo, a voz é responsável por 38% e as palavras apenas por 7%.

Os nossos gestos, posturas e movimentos do corpo, a distância que mantemos das pessoas enquanto falamos, a expressão da face e o movimentos dos olhos, o tom de voz, pausas, intensidade e velocidade da fala, os ruídos, como o riso e os suspiros, as nossas características físicas, forma, aparência do corpo e o que escolhemos para vestir, tudo isso influi na nossa comunicação. Tudo isso fala por nós.

Quando você acordou e escolheu aquela camiseta estampada para vestir, já começou a se comunicar. O mesmo vale para o corte do seu cabelo, sua postura, suas atitudes, tudo faz parte da mensagem que você passa ao mundo.

Em um determinado tempo, percebi que as roupas que eu usava estavam em desacordo com o conteúdo do meu discurso, minhas escolhas de vida e com a minha profissão. No mesmo dia, resolvi doar meu guarda roupa inteiro, cheio de roupas sociais, sisudas, sérias e passei a usar coisas mais informais e descontraídas, mais apropriadas para uma pessoa que ganha a vida como DJ.

Fico imaginando o que aconteceria com um advogado que só usa camiseta regata e chinelos no tribunal. Por melhor que ele seja, será desqualificado de saída por não falar o "idioma" do ambiente. Por melhor que ele seja com as palavras, sua comunicação vai ser falha, porque sua aparência e postura dizem outra coisa. Isso é bem mais importante do que imaginamos.

O discurso do politicamente correto pede para não julgarmos as pessoas pelas aparências, mas na prática, acontece exatamente o oposto. Sempre fui contra isso, achava que era preconceito, que julgar pelo visual era tirar a liberdade de escolha das pessoas, que tudo isso era uma grande bobagem, mas depois entendi que aparência também é um idioma, minha roupa também fala por mim.

Quer ser entendido por alemães? Fale alemão. Simples assim. Não adianta você dominar o espanhol, o inglês, o russo, você só será compreendido na alemanha se falar alemão.

Você tem que se colocar no lugar do outro e saber qual é o "idioma" que ele entende, se quiser ser compreendido por ele. Parece óbvio, mas demorei pra exercitar isso, exige autoconhecimento.

Quando percebi que tudo em mim fala, comecei a prestar mais atenção no que eu estava comunicando, além das minhas palavras. Isso facilitou demais a minha vida pessoal e profissional.

Todo o cuidado que tomamos com o que dizemos, devemos aplicar a todo o resto, e só assim teremos relacionamentos saudáveis.

A gente fala muito, o dia todo, mesmo sem dizer uma só palavra.

domingo, 12 de agosto de 2012

Feliz dia dos pais?



Nada transforma mais a vida da gente do que carregar nos braços, um pacotinho desses.

Ninguém que é pai, esquece a emoção de ter pela primeira vez, seu filho ou filha nos braços.

Ironia do destino, no momento que eu lia o livro da psicanalista suíça Corinne Maier, Sem Filhos - 40 Razões Para Você Não Ter, eu já estava "esperando", sem saber, a minha primeira filha.

A leitura desse livro, cercado de crianças de outros casais em uma viagem à praia, gerou esse texto aqui.

No livro, a autora relata as experiências e arrependimentos de ter sido mãe. Enumera claramente motivos práticos e altamente convincentes contra a maternidade. Aos 43 anos, mãe de dois adolescentes, ela não tem qualquer restrição ao culpar seus filhos por roubar os momentos de lazer dos pais, dominar a vida do casal, afastar os amigos adultos de casa e, claro, quebrar todo o clima na hora do sexo.

O tema, muito polêmico, em uma sociedade que abomina a livre escolha de ter filhos, é, no mínimo, digno de reflexão.

Hoje em dia, os casais nem bem casam e já começa uma pressão social e familiar para que tenham filhos. O maior problema ai, é que ninguém conta a parte difícil e desgastante criá-los.

Crianças são realmente encantadoras, mas custam caro, em todos os sentidos. Apenas no campo financeiro, educar, alimentar, vestir e criar é preciso muito dinheiro. “Ter filho custa mais caro do que um carro de luxo, um cruzeiro ao redor do mundo, um apartamento de quarto e sala em Paris. Está entre as 'compras' mais caras que o consumidor pode fazer em toda a sua vida”, afirma a autora Corine Maier. Em média, se gasta 30% do salário mensal com os filhos.

Além do medo que temos de não saber se seremos bons pais ou mães, tem gente que prefere priorizar a carreira, a liberdade, a vida social, festas, passeios e viagens com os amigos. Tudo isso vai embora quando aparecem os filhos.

Fugir da pressão social pelos filhos não é fácil. Não tem um comercial que não mostre a "família feliz" consumindo algum produto, todos sorridentes e em harmonia. Nunca vi nenhum comercial que mostrasse os meses que passei sem dormir quando minha filha nasceu e nem o quanto foi complicado e sofrido esse processo. Nunca vi comercial mostrando, na real, como é a troca de uma fralda cheia de substâncias suspeitas.

Tudo isso compensa? Para mim, sim, tanto que escolhi ter duas.

O principal é saber que ter filhos é uma decisão muito pessoal, que depende exclusivamente da sua capacidade de ser generoso, das suas possibilidades práticas e não pode ser nunca para atender a expectativa de outros. A mesma pessoa que te cobra um filho não vai te ajudar a trocar fraldas sujas quando você precisar, nem pagar suas contas.

Eu adoraria ver a sociedade aceitar e reconhecer que, dentre as escolhas, é melhor não ter filhos do que criá-los com má vontade, sem estrutura ou afeto.

Eu acho que fui uma das pessoas mais bem preparadas para esse momento, agradeço os anos que tive ao lado de um amigo, mestre e pai de dois filhos, que me ensinou, longe de qualquer ilusão ou romantismo, o que eu poderia esperar da paternidade.

Foram horas e horas de conversa sobre esse tema. Ele queria, de todas as maneiras, me convencer a nunca ser pai. Foi um preparo fundamental, um contraponto à mensagem padrão da sociedade, que ajudou muito no processo da minha decisão.

Quando peguei a Stella nos braços pela primeira vez, eu sabia e estava preparado exatamente para tudo que ia enfrentar.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A felicidade é um caso de amor (próprio)

Outro dia, eu li no Twitter uma menina reclamando que um tal cara era o responsável pela infelicidade dela.

Li aquilo e só conseguia pensar no tamanho da distância que essa pessoa está de si mesma para achar que alguém, além dela, pode ser a responsável pela sua própria felicidade.

Culpar os outros pelas suas frustrações é a maneira mais fácil de não ver que você não fez por si mesmo.

Vítimas eternas, sofrem porque o outro não faz o que elas esperavam deles ou o que elas mesmo deveriam ter feito. Fica fácil cobrar dos outros e botar para debaixo do tapete o que nós mesmos devíamos buscar.

Só não sou feliz porque o outro não deixa.

Pura manipulação sentimental.

Sai dessa! Tenha coragem para encarar suas necessidades e aceitar que ninguém é mais responsável por suas escolhas do que você.

Trazer a sua vida para suas mãos vai te dar a paz que muita gente procura no outro, mas que ninguém além de você pode te dar.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

改 善 Kaizen


Lembra daquela velha história de que atrás de uma grande homem existe uma grande mulher? Usando a minha adaptação menos machista, prefiro dizer que atrás de uma grande pessoa sempre tem alguém que a enxergou assim antes de todo mundo.

Sempre tive a sorte de ter na vida pessoas que acreditaram na minha capacidade antes de mim e que foram fundamentais para as conquistas que tive. Aquela pessoa que enxerga você melhor do que você mesmo não se imagina capaz.

Uma analogia conhecida é a de uma história chamada "O Tesouro de Bresa", na qual um pobre alfaiate compra um livro com o segredo de um tesouro. Para descobrir o segredo, ele tem que decifrar todos os idiomas escritos no livro. Ao estudar e aprender estes idiomas, começam a surgir oportunidades, e ele lentamente (de forma segura) começa a prosperar.

Depois, é preciso decifrar os cálculos matemáticos do livro. É obrigado a continuar estudando e se desenvolvendo, e a sua prosperidade aumenta. No final da história, não existe tesouro algum - na busca do segredo, a pessoa se desenvolveu tanto que ela mesma passa a ser o tesouro. O processo de melhoria não deve acabar nunca, e os tesouros são conquistados com saber e trabalho. 

Conhecimento acumulado é definitivo, sabedoria é caminho sem volta. Você está pronto para as consequências desse processo?

Melhorar e investir em si mesmo não é competir com os outros, é competir com si mesmo. Acordar todo dia um pouco melhor, e por melhor, eu entendo como acordar um pouco mais perto da sua essência, da sua natureza, do que realmente nasceu para fazer.

Claro que isso é difícil, mudar a rotina é cansativo, estressante e dá medo. A maioria acaba preferindo permanecer na zona de conforto, não por preguiça, mas geralmente por medo de perder o controle da nova configuração.

Muita gente prefere manter o ruim do que arriscar ser feliz de novo. Vai que piora né?

Crianças que tentam andar, não desistem, mesmo após vários tombos. A segurança do chão é solenemente ignorada pelos bebes...eles querem andar. Você, que já foi um bebe, está ai andando em pé por causa da sua perseverança em tentar, apesar dos tombos, arranhões e roxos, a se apoiar nos seus pés. 

Onde será que os adultos guardam essa mesma determinação dos bebês quando crescem? 

A grande maioria se acomoda e desiste das mudanças. A pessoa está infeliz com seu casamento, com seu emprego, com sua vida, mas não arrisca abandonar tudo, assumir o engano e recomeçar. Nos apegamos às nossas prisões, bens materiais, posição social. 

Reclamamos de tudo, colocamos a culpa da nossa insatisfação em muitos fatores ou em outras pessoas, meio que jogando a sujeira para debaixo do tapete, mas uma hora acabamos por perceber quem é o real responsável pelos nossos problemas.

Nós mesmos. Somos os únicos responsáveis por nossas escolhas.

Você está pronto para mudar (para melhor) todo dia?



PS.: Kaizen é uma palavra de origem japonesa com o significado de melhoria contínua, gradual, na vida em geral, incluso os campos pessoal, familiar, social e de trabalho.

A palavra foi usada no Japão durante muitos anos como parte do vocabulário diário, entretanto, desde o meio do século XX ela adquiriu um novo significado entre as companhias industriais: veio representar a prática de melhoria eliminando desperdícios e envolvendo todos os funcionários sem gastar muito dinheiro.