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sexta-feira, 30 de maio de 2008

Só Cazuza entenderia...

Pronto, ferrou!

Faz algumas semanas que o conheci. Eu estava lá, sem a menor pretensão, louca pra me divertir naquela balada que prometia o que todas baladas prometem...ou seja, nada!

Tem coisa melhor que dançar?

Farra com as amigas, dançar até deixar lá na pista tudo de ruim que aconteceu no meu dia. Que nem foi tão ruim assim, pensando bem, mas tudo é pretexto. Champagne, música boa e...ferrou.

Como alguém pode imaginar? Justo ele? Com esse trabalho? Noturno ainda? Ah, não!

Mas foi assim, de bater o olho, entender que algo a mais existia e ficar o dia todo com a pessoa na cabeça.

Depois, acabei indo de novo lá, nem pensei nele, claro, imagine, nada a ver...

Mas foi bater o olho de novo e ver que talvez, ah, sei lá, acho que não!

Depois ele veio atrás, mandou recado pela minha amiga, pegou meu MSN...Acabamos conversando, e, para minha surpresa, a conversa durou. Durou horas! Acabamos falando de tudo. Acabei até revelando alguns planos de vida e umas coisas íntimas, logo pra ele, ainda um estranho. Nem sei bem como isso aconteceu...foi indo, indo, indo...e ferrou.

No fundo pensando bem, não tem nada a ver mesmo...cada um com o mundo tão diferente. Pelo que eu saiba, porque nem conhecer eu conheço direito.

Até que sinto que há afinidade e vejo que ele me olha “daquele” jeito, qual mulher não percebe? Eu nem olho muito de volta, para ele não achar que eu quero algo mais. Não tem nada a ver. Mas olha lá, até que ele tem um sorriso interessante. Mas imagina, nada a ver...ainda mais com aquele bando de mulher pulando na cabine dele? Ah, por favor. Não dá! Bom, verdade que minha amiga, e até eu, uma vez, pendurei lá na cabine, e não tem nada a ver mesmo, foi pela farra, mas vai saber o que as outras querem? Eu tô fora, não tem jeito.

Entro no MSN, vejo o nick dele lá, online...mas melhor nem falar. A coisa fica pior se acabar descobrindo o tamanho da afinidade e no que isso pode virar, melhor não.

Meus amigos não iriam entender, minha família também não, nem Cazuza entenderia. Ah, talvez o Cazuza entendesse...mas ele era louco né?

Melhor deixar assim, passou...passou...mas, ah, será que...ah, deixa, ferrou.

A paixão é tudo na vida de um ser vivo. Mas tudo tem um limite. Melhor nem me arriscar...Negar o amor, assim quando aparece, não deve ser uma coisa que passamos incólumes, mas melhor não arriscar...logo aparece outro menos complicado, né?

Mesmo daqui a 20 anos, tenho certeza que lendo isso e lembrando de tudo, não vou me arrepender, porque eu sei mesmo que nunca ia dar certo...

“I want it all the way...”, ele diz...um louco!

Eu acho melhor evitar todas aquelas passagens que envolvem paixonite aguda, amor com pinta de infinito, tudo que pode evoluir para alguma coisa mais séria. Melhor não arriscar. Ainda tem gente que imagina que tudo fica pequeno diante de sentimentos tão elevados, mas no final percebem que só amor não existe. Amor? Ah, amor só funciona nos livros...

Quem acredita só em amor não sabe o que é viver de verdade. E nunca vai subir na vida! Simples românticos...sonhadores, cheio de contas pra pagar.

E neste momento me vem de volta à mente o Cazuza, aquele doido, cantando:

“Dizem que eu sou louco por te querer assim...
Por pedir tão pouco e me dar por feliz...
Por perder noites de sono só pra te ver dormir...
E me fingir de burro pra você sobressair...”