Meu pai, tirando a minha infância, nunca foi uma pessoa muito presente fisicamente na minha vida. Falei mais com ele por telefone ou internet do que ao vivo.
Separou-se da minha mãe e foi se aventurar no norte do país, abrindo negócios em Rondônia. Também trabalhou com contratos de terra no Acre, coisa que, aparentemente, fazia e faz muito bem. Como advogado formado pela São Francisco, nunca seguiu carreira de verdade, tem no sangue de origem armênia o lado comerciante. Armênio já nasce fazendo negócios, se deixar, vende o berço.
Sempre o vi como uma pessoa muito inteligente, meu gosto pela língua portuguesa escrita e falada corretamente vem dele, o jeito para todo tipo de trabalho manual também. O sonho dele sempre foi ter uma oficina, coisa que meu avô não achava muito adequado. Até hoje reclama disso e deve ser um dos motivos de nunca ter reclamado do meu trabalho de DJ. Ele sentiu na pele o que é ter que abandonar uma vocação para agradar a família.
Meu gosto musical e a paixão pela tecnologia também foram diretamente influenciados por ele. Como estava sempre viajando pelo norte, sempre trazia de Manaus as maiores novidades em aparelhos de som. Na casa dele, sempre o som era o melhor e mais potente que existia e com ele sempre ouvi muitos sucessos da disco music. Lembro de ouvir discos da Donna Summer no máximo volume nos últimos modelos de caixas de som da Technics. Eu amava aquilo. Com o tempo comecei a mexer sozinho, gravar minhas fitas e aprender mais sobre como aquilo tudo funcionava. Foi amor ao primeiro remix.
Sempre andava em carros mega esportivos, ele chegou a ter uma Ferrari, num momento de devaneio. Aprendi a dirigir com ele, fazendo barbeiradas em um Passat TS e ele nunca ficou nervoso ao meu lado. Ensinando com calma e paciência, peguei segurança rápido e dirijo até hoje pensando no que ele me dizia: "Meu filho, o problema de dirigir é que nunca está sozinho na rua, tem que dirigir por você e pelos outros". Outra coisa que ele sempre falava é que os acidentes acontecem mais quando estamos mais devagar ou mais rápido do que os outros carros. Toda vez que saio pra rua, lembro das palavras dele e desde os 18 anos que não bato o carro.
Aprendi com meu pai a apreciar as mulheres de maneira intensa e respeitosa. Ele sempre teve uma visão apurada para descobrir mulheres bonitas, minha mãe foi uma delas. Temos tanta intimidade nesse assunto que já chegamos a conversar sobre detalhes que nem meu melhor amigo sabe. Minha postura na conquista e o jeito cavalheiro, servil e gentil vieram dele. As mulheres que eu me relacionei sempre repararam nisso. Eu nasci para servi-las, assim que eu aprendi.
Apesar de conquistador, meu pai nunca foi muito bom em separar mulheres interesseiras das mulheres com boa intenção e já penou muito com isso. Uma das ex mulheres o levou literalmente à cadeia por dinheiro, o que ele encarou como uma aula...para mim. Dizia que se o que ele passou servisse como aprendizado, já estaria feliz. Serviu, e muito.
Uma curiosidade que ele me disse uma vez, olhando para uma mulher que usava uma corrente no tornozelo, foi para estar sempre atento a isso. Mulher com esse adereço sempre tinha algo. "Ai tem, meu filho!" Nunca me disse exatamente que "tinha" ali, mas eu entendi, com o tempo, exatamente o que era.
Em Búzios, fomos a uma boate juntos, uma turma muito grande de amigos dele, alguns eram sócios do lugar. Eu, mega animado, apontei para um grupo de três mulheres lindas dançando e disse que ia falar com elas. Ele me puxou pelo braço: "Filho, mulheres muito bonitas em turma? Nem perca seu tempo, não querem nada com homem, estão competindo, não estão a procura de nada de verdade. Escolha sempre uma dupla de meninas que uma delas é visivelmente menos atrativa". Nunca falhou.
Uma outra coisa simples que ele dizia e que sempre lembro é viver sem brigar com os ditados populares. "Filho, se esses ditados populares resistem a tanto tempo e tanta gente falando, é porque são sábios". Como tudo que ele disse, seguindo os ditados populares, toda regra tem sua exceção.
Nasceu em família rica e nunca soube bem lidar com a perda do status que veio junto com a falência dos negócios do meu avô, que morreu em seguida e ainda deixou dívidas aos três filhos. Minha infância foi mágica, eu era o único a ter um mini carro a gasolina do bairro e andava de bicicleta dentro do meu quarto. A casa que moramos era incrível, o quintal gigante e sempre tínhamos animais de estimação para cuidar. Tenho só boas lembranças desse período.
Ele sempre amou cachorros e ama até hoje, tem vários na casa que mora, chega a chorar quando algum esta doente.
Aprendi com ele nomes de doenças e exames que nunca vou usar na minha vida, ele é o campeão do exame médico, hipocondria total, adora uma consulta. Eu acho graça disso tudo. No fundo, sua relação com doenças é tão caricata que é divertida. Detalhe, ele nunca tem nada, nem gripe.
Tenho muita saudade e sinto falta do meu pai por perto. Tive que aprender na marra a não ter a quem recorrer na hora do aperto com meu trabalho, já que minha mãe nunca aprovou o que faço. Ele continua morando longe e acompanhando minha vida à distância. Quando meu tio morreu, ele chegou para o enterro com um dia de atraso. Por causa disso, acaba sempre sendo o último a saber das coisas, já que não faz parte do meu dia-a-dia, mas sinto o carinho dele o tempo todo comigo.
Se ele estivesse agora ao meu lado, ganharia um abração de meia hora, um beijo gigante e saberia pela milésima vez o quanto é querido e amado.
Te amo meu pai!
terça-feira, 23 de novembro de 2010
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
E foram felizes para sempre...
No formato atual dos relacionamentos, baseado no modelo romântico, cria-se a expectativa que está no outro a responsabilidade pela sua felicidade. Buscamos no outro as promessas de amor eterno, exclusividade no desejo e a complementação das necessidades.
Algo como almas gêmeas que se encontram e se fundem em um só novo ser. Não me surpreendem casais que acabam fazendo um perfil único nas redes sociais, renunciando sua individualidade para viver essa nova entidade que criaram ao se unir. Queremos do outro a nossa garantia de segurança.
Vivemos muito tempo sob uma grande repressão, a culpa pelo prazer e a descriminação da felicidade sem função social. Estamos caminhando lentamente para uma mudança nesse aspecto, tenho certeza que a criança que nasceu hoje terá relações sociais e amorosas diferentes das nossas, da mesma forma que ninguém mais deixa de casar hoje porque não é virgem. As coisas evoluem.
Ainda achamos o casamento uma coisa natural, mas temos que lembrar que o formato das relações são apenas construções sociais, não se baseiam em sentimentos, mas sim na capacidade de provedor do marido e no crescimento e organização da sociedade. Tradições islâmicas, por exemplo, aceitam a poligamia normalmente. O Corão determina que um homem pode ter até 4 esposas, mas somente se puder sustentá-las e tratá-las igualmente.
Cada país e cada cultura tem a sua regra padrão para relacionamentos sociais, mas, como brilhantemente resumiu Robert Happe, após suas viagens e pesquisas de anos sobre esse assunto, em vários lugares do mundo, todo ser humano é igual e o que deseja, independente de sua cultura ou costume, é amar e ser amado.
Na realidade, estamos expostos a diversos tipos de amor, não excludentes, de diferentes intensidades e formatos. O amor, em um sentido amplo, o amor entre parentes, entre amigos, tem importância porque faz com que o indivíduo se sinta menos desamparado.
Amamos nossos familiares, nossos amigos, nosso trabalho, nossos animais de estimação, enfim, a lista é grande. São vários amores, acontecendo simultaneamente. Por exemplo, amar meu pai não exclui também amar a minha mãe. Você pode me responder, mas eles são diferentes, são duas pessoas com funções diferentes na sua vida, por isso é possível amá-los ao mesmo tempo.
Eu te respondo: você tem razão. São diferentes, assim como são diferentes as pessoas que possa me relacionar amorosamente como homem-mulher, e claro, uma não impede o amor a outra.
O problema para o parceiro mal resolvido é que essa possibilidade de vários amores acaba gerando o ciúme, o medo de perder, o medo de ser preterido. A insegurança, quando no extremo, gera ciúmes de tudo e todos que a pessoa julga ter posse. Não tem gente que tem ciúme até de amigo?
Temos essa capacidade nata de amar várias coisas e pessoas ao mesmo tempo. Amar comer mousse de chocolate não me impede de amar comer Strogonoff. Tudo tem sua hora certa.
Amar muitas pessoas ao mesmo tempo é perfeitamente lógico e natural, mas não é aceito como uma coisa “normal” no amor romântico, onde temos que escolher uma só pessoa, essa é a regra aceita socialmente no Brasil e que nos foi condicionada desde pequenos, por diversas fontes.
Fechamos as nossas relações de amor em categorias, amigo não serve pra sexo, família não serve como amigo e assim por diante. Estamos falando aqui das regras, não das existentes exceções.
Mesmo sem dar conta, perdemos tempo precioso procurando o par ideal romântico, quase sempre inexistente e acabamos deixando de lado o que realmente importa: AMAR E SER AMADO.
Na ilusão de encontrar ouro no final do arco iris, saímos correndo ou abandonamos qualquer possibilidade de viver um amor que não seja o tal prometido nos livros e comerciais de margarina, na certeza que a felicidade estará em uma outra pessoa que me completa, minha alma gêmea.
Certamente não estará. A única chance de felicidade, se possível, está dentro de você mesmo.
Não tem nada que gere mais sofrimento do que colocar no outro a responsabilidade da sua felicidade.
Na ilusão que certos formatos são mais seguros que outros, abdicamos de grandes e verdadeiros amores e depois só sobram aquelas histórias mal resolvidas, mal vividas, aquela lembrança incomoda do relacionamento que poderia ter sido perfeito um dia, mas não foi. Sabe aquela pessoa que você quer muito esquecer, mas não sabe porque não consegue?
Só vejo a possibilidade de exercer o amor baseado na amizade e no companheirismo, na cumplicidade, e principalmente, sem depender do outro e nem do formato da relação. Se relacionar com a pessoa do jeito que ela é, com presença e entrega, somente porque vocês assim o querem e se dão bem.
Viver com disponibilidade o que você sente que tem que ser vivido.
Viver o amor relativo a cada pessoa, no formato que for possível, como você já faz com seus amigos, familiares, filhos, só que aplicado aos amantes também.
A percepção que somos responsaveis pela nossa própria felicidade é libertadora. Gente que descobre como ser feliz, namorando ou não, são as que mais tem chance de exercerem um amor que não exige do outro nada além do que a troca digna.
Não rotular o amor e aventar a possibilidade de viver com quem se ama todos os papeis possíveis. É namoro, casamento, relacão aberta, poliamor? Que tal um pouco de tudo isso, tudo ao mesmo tempo?
E aceitando-se como são, únicos, indivíduos, afins, foram felizes para sempre...
Algo como almas gêmeas que se encontram e se fundem em um só novo ser. Não me surpreendem casais que acabam fazendo um perfil único nas redes sociais, renunciando sua individualidade para viver essa nova entidade que criaram ao se unir. Queremos do outro a nossa garantia de segurança.
Vivemos muito tempo sob uma grande repressão, a culpa pelo prazer e a descriminação da felicidade sem função social. Estamos caminhando lentamente para uma mudança nesse aspecto, tenho certeza que a criança que nasceu hoje terá relações sociais e amorosas diferentes das nossas, da mesma forma que ninguém mais deixa de casar hoje porque não é virgem. As coisas evoluem.
Ainda achamos o casamento uma coisa natural, mas temos que lembrar que o formato das relações são apenas construções sociais, não se baseiam em sentimentos, mas sim na capacidade de provedor do marido e no crescimento e organização da sociedade. Tradições islâmicas, por exemplo, aceitam a poligamia normalmente. O Corão determina que um homem pode ter até 4 esposas, mas somente se puder sustentá-las e tratá-las igualmente.
Cada país e cada cultura tem a sua regra padrão para relacionamentos sociais, mas, como brilhantemente resumiu Robert Happe, após suas viagens e pesquisas de anos sobre esse assunto, em vários lugares do mundo, todo ser humano é igual e o que deseja, independente de sua cultura ou costume, é amar e ser amado.
Na realidade, estamos expostos a diversos tipos de amor, não excludentes, de diferentes intensidades e formatos. O amor, em um sentido amplo, o amor entre parentes, entre amigos, tem importância porque faz com que o indivíduo se sinta menos desamparado.
Amamos nossos familiares, nossos amigos, nosso trabalho, nossos animais de estimação, enfim, a lista é grande. São vários amores, acontecendo simultaneamente. Por exemplo, amar meu pai não exclui também amar a minha mãe. Você pode me responder, mas eles são diferentes, são duas pessoas com funções diferentes na sua vida, por isso é possível amá-los ao mesmo tempo.
Eu te respondo: você tem razão. São diferentes, assim como são diferentes as pessoas que possa me relacionar amorosamente como homem-mulher, e claro, uma não impede o amor a outra.
O problema para o parceiro mal resolvido é que essa possibilidade de vários amores acaba gerando o ciúme, o medo de perder, o medo de ser preterido. A insegurança, quando no extremo, gera ciúmes de tudo e todos que a pessoa julga ter posse. Não tem gente que tem ciúme até de amigo?
Temos essa capacidade nata de amar várias coisas e pessoas ao mesmo tempo. Amar comer mousse de chocolate não me impede de amar comer Strogonoff. Tudo tem sua hora certa.
Amar muitas pessoas ao mesmo tempo é perfeitamente lógico e natural, mas não é aceito como uma coisa “normal” no amor romântico, onde temos que escolher uma só pessoa, essa é a regra aceita socialmente no Brasil e que nos foi condicionada desde pequenos, por diversas fontes.
Fechamos as nossas relações de amor em categorias, amigo não serve pra sexo, família não serve como amigo e assim por diante. Estamos falando aqui das regras, não das existentes exceções.
Mesmo sem dar conta, perdemos tempo precioso procurando o par ideal romântico, quase sempre inexistente e acabamos deixando de lado o que realmente importa: AMAR E SER AMADO.
Na ilusão de encontrar ouro no final do arco iris, saímos correndo ou abandonamos qualquer possibilidade de viver um amor que não seja o tal prometido nos livros e comerciais de margarina, na certeza que a felicidade estará em uma outra pessoa que me completa, minha alma gêmea.
Certamente não estará. A única chance de felicidade, se possível, está dentro de você mesmo.
Não tem nada que gere mais sofrimento do que colocar no outro a responsabilidade da sua felicidade.
Na ilusão que certos formatos são mais seguros que outros, abdicamos de grandes e verdadeiros amores e depois só sobram aquelas histórias mal resolvidas, mal vividas, aquela lembrança incomoda do relacionamento que poderia ter sido perfeito um dia, mas não foi. Sabe aquela pessoa que você quer muito esquecer, mas não sabe porque não consegue?
Só vejo a possibilidade de exercer o amor baseado na amizade e no companheirismo, na cumplicidade, e principalmente, sem depender do outro e nem do formato da relação. Se relacionar com a pessoa do jeito que ela é, com presença e entrega, somente porque vocês assim o querem e se dão bem.
Viver com disponibilidade o que você sente que tem que ser vivido.
Viver o amor relativo a cada pessoa, no formato que for possível, como você já faz com seus amigos, familiares, filhos, só que aplicado aos amantes também.
A percepção que somos responsaveis pela nossa própria felicidade é libertadora. Gente que descobre como ser feliz, namorando ou não, são as que mais tem chance de exercerem um amor que não exige do outro nada além do que a troca digna.
Não rotular o amor e aventar a possibilidade de viver com quem se ama todos os papeis possíveis. É namoro, casamento, relacão aberta, poliamor? Que tal um pouco de tudo isso, tudo ao mesmo tempo?
E aceitando-se como são, únicos, indivíduos, afins, foram felizes para sempre...
terça-feira, 20 de julho de 2010
Raio X
Amo a água e o mar. Se pudesse, viveria submerso.
Minha frustração é nāo saber tocar bem piano.
Sou da crença que todo mundo deveria fazer terapia, principalmente os que dizem enfaticamente que não precisam.
Preciso de momentos de solidão. Preciso me encontrar de vez em quando.
Não passo correntes de email adiante. Nem aquelas que jogam praga em quem não enviar.
Quero agradar sempre, fazer todo mundo feliz, mesmo sabendo que é impossível. Utopia é meu middle name.
Não tenho a menor paciência para conversas telefônicas. Mande um email/sms/msn ou fale pessoalmente. Olho no olho sempre.
Me encanto por mulheres inteligentes, independentes e bem resolvidas. Personalidade forte é turn on.
Gosto, mas principalmente preciso escrever. Chega a ser terapêutico.
Não sou ciumento nem possessivo com as pessoas que amo. Acredito na liberdade e no poliamor.
Demorei anos para entender que os outros não adivinham meu pensamento e comecei a falar o que sentia quando queria compreensão.
Gosto de todo tipo de gente, dos mais caretas aos mais malucos... e convivo bem em qualquer tribo.
Sou adepto do petit comitè, dos poucos e bons, da qualidade sobre a quantidade.
Sou um leitor compulsivo, leio até bula de remédio e rótulo de shampoo. O Twitter só piorou o vício ainda mais.
Acredito no amor como solução para todos os males. Gente que ama e, principalmente, se ama, não pega nem gripe.
AMO meu trabalho. Viver da música foi um sonho alcançado. É uma benção.
Sou super caseiro, meus programas preferidos são os culturais e gastronômicos. Como trabalho em balada, na folga quero distância de som alto.
Não bebo nada de álcool e só tem um motivo: cai sempre mal. Se bebo, fico enjoado e o crime nunca compensa.
Não gosto de futebol, nem de ver e nem de jogar. Torço pro São Paulo por causa do meu pai.
Não gosto de jogar vídeo game, mas gosto de ver gente que joga bem jogando, principalmente se for de carros.
Acho chinelo brega. Chinelo só se justifica na areia da praia.
Respeito gente corajosa.
Tenho preguiça gigante de datas comemorativas. Para mim, todo dia é dia.
Minha frustração é nāo saber tocar bem piano.
Sou da crença que todo mundo deveria fazer terapia, principalmente os que dizem enfaticamente que não precisam.
Preciso de momentos de solidão. Preciso me encontrar de vez em quando.
Não passo correntes de email adiante. Nem aquelas que jogam praga em quem não enviar.
Quero agradar sempre, fazer todo mundo feliz, mesmo sabendo que é impossível. Utopia é meu middle name.
Não tenho a menor paciência para conversas telefônicas. Mande um email/sms/msn ou fale pessoalmente. Olho no olho sempre.
Me encanto por mulheres inteligentes, independentes e bem resolvidas. Personalidade forte é turn on.
Gosto, mas principalmente preciso escrever. Chega a ser terapêutico.
Não sou ciumento nem possessivo com as pessoas que amo. Acredito na liberdade e no poliamor.
Demorei anos para entender que os outros não adivinham meu pensamento e comecei a falar o que sentia quando queria compreensão.
Gosto de todo tipo de gente, dos mais caretas aos mais malucos... e convivo bem em qualquer tribo.
Sou adepto do petit comitè, dos poucos e bons, da qualidade sobre a quantidade.
Sou um leitor compulsivo, leio até bula de remédio e rótulo de shampoo. O Twitter só piorou o vício ainda mais.
Acredito no amor como solução para todos os males. Gente que ama e, principalmente, se ama, não pega nem gripe.
AMO meu trabalho. Viver da música foi um sonho alcançado. É uma benção.
Sou super caseiro, meus programas preferidos são os culturais e gastronômicos. Como trabalho em balada, na folga quero distância de som alto.
Não bebo nada de álcool e só tem um motivo: cai sempre mal. Se bebo, fico enjoado e o crime nunca compensa.
Não gosto de futebol, nem de ver e nem de jogar. Torço pro São Paulo por causa do meu pai.
Não gosto de jogar vídeo game, mas gosto de ver gente que joga bem jogando, principalmente se for de carros.
Acho chinelo brega. Chinelo só se justifica na areia da praia.
Respeito gente corajosa.
Tenho preguiça gigante de datas comemorativas. Para mim, todo dia é dia.
quinta-feira, 10 de junho de 2010
Morreram os príncipes
Em 1937, sua avó conheceu seu avô, apresentados pela família de ambos. Quando começaram a namorar, eles só podiam pegar na mão um do outro, no sofá da sala. Trocavam poesias por carta e sua avó mantinha a virgindade como um troféu ao seu futuro único marido, como prova de sua pureza e verdadeiro amor, enquanto o pai do seu avô o levava pra conhecer o sexo na casa de tolerância mais próxima.
Hoje em dia, muita coisa mudou. Ninguém mais deixa de casar porque a noiva não é mais virgem, ninguém escreve mais cartas de amor em papel ou casa com parceiros que sua família escolheu para você, mas nos relacionamentos ainda sobram ranços dessa educação machista e baseada na castração religiosa. Ainda insistimos no modelo dos contos de fada, do casamento eterno com a esposa perfeita, a princesa, a dama, fiel, carinhosa, boa mãe, abnegada dona de casa e devota ao marido, o príncipe perfeito, o rico dono do cavalo branco e provedor do castelo.
Inconscientemente os livros infantis, as novelas e os filmes reforçam a ligação entre a felicidade e a aceitação social para a mulher que casa com seu príncipe. Se tiver filhos com ele, ainda melhor.
Todo mundo quer encontrar um parceiro, o que é ótimo, mas esquece de focar o amor e parte para o romance, ai vive buscando na vida o que leu nos livros de princesas. Nesse modelo antigo, a mulher é que sofre mais, fica tempos sem fazer sexo e na maioria das vezes, quando o faz, sente-se insegura e usada.
A mulher romântica vive correndo atrás da sua aceitação social, se esforça para manter o corpo dentro do padrão imposto, gasta muito com roupas de grife como passaporte de status social e tem que administrar seus desejos para que não seja julgada ou taxada de fácil. Enorme conflito para uma pessoa que tem sentimentos, desejos e vontades próprias.
Em sociedade, ninguém pode ser autêntico. Acabam todos iguais e previsíveis, fora de sua real natureza e geralmente infelizes.
A pessoa percebe que está infeliz, percebe onde está o problema, mas ao mesmo tempo que sofre com isso, sofre também com a decisão de abandonar modelo que viveu a vida toda, tudo o que aprendeu como "certo" na infância.
Vivemos hoje a quebra desse modelo romântico, hipócrita, machista e baseado no consumo.
Morreram os príncipes e agora as princesas trabalham fora.
Novas formas de amor se apresentam, novos padrões se revelam.
Essas mudanças levam tempo, às vezes anos. Quanto tempo faz que a virgindade deixou de ser um valor essencial para o casamento? Para algumas pessoas, mesmo hoje em dia, isso ainda é importante, calcule.
As transformações são lentas, sofridas, trabalhosas.
Como eu disse outro dia para duas amigas, uma convicta solteira e outra recém-casada, não existe um formato certo, o estado perfeito. O importante é você não estar de um lado querendo estar do outro. O segredo é viver o amor de maneira autêntica com o que você acredita de coração, feliz com sua escolha.
A chance de pessoas autênticas manterem um relacionamento longo e saudável é bem maior. A felicidade e o prazer nessas relações são notórios. Ser autêntico consigo mesmo geralmente exige o esforço de viver em segredo e longe do julgamento social, mas acaba valendo muito a pena pela intensidade e profundidade da relação.
Hoje em dia, muita coisa mudou. Ninguém mais deixa de casar porque a noiva não é mais virgem, ninguém escreve mais cartas de amor em papel ou casa com parceiros que sua família escolheu para você, mas nos relacionamentos ainda sobram ranços dessa educação machista e baseada na castração religiosa. Ainda insistimos no modelo dos contos de fada, do casamento eterno com a esposa perfeita, a princesa, a dama, fiel, carinhosa, boa mãe, abnegada dona de casa e devota ao marido, o príncipe perfeito, o rico dono do cavalo branco e provedor do castelo.
Inconscientemente os livros infantis, as novelas e os filmes reforçam a ligação entre a felicidade e a aceitação social para a mulher que casa com seu príncipe. Se tiver filhos com ele, ainda melhor.
Todo mundo quer encontrar um parceiro, o que é ótimo, mas esquece de focar o amor e parte para o romance, ai vive buscando na vida o que leu nos livros de princesas. Nesse modelo antigo, a mulher é que sofre mais, fica tempos sem fazer sexo e na maioria das vezes, quando o faz, sente-se insegura e usada.
A mulher romântica vive correndo atrás da sua aceitação social, se esforça para manter o corpo dentro do padrão imposto, gasta muito com roupas de grife como passaporte de status social e tem que administrar seus desejos para que não seja julgada ou taxada de fácil. Enorme conflito para uma pessoa que tem sentimentos, desejos e vontades próprias.
Em sociedade, ninguém pode ser autêntico. Acabam todos iguais e previsíveis, fora de sua real natureza e geralmente infelizes.
A pessoa percebe que está infeliz, percebe onde está o problema, mas ao mesmo tempo que sofre com isso, sofre também com a decisão de abandonar modelo que viveu a vida toda, tudo o que aprendeu como "certo" na infância.
Vivemos hoje a quebra desse modelo romântico, hipócrita, machista e baseado no consumo.
Morreram os príncipes e agora as princesas trabalham fora.
Novas formas de amor se apresentam, novos padrões se revelam.
Essas mudanças levam tempo, às vezes anos. Quanto tempo faz que a virgindade deixou de ser um valor essencial para o casamento? Para algumas pessoas, mesmo hoje em dia, isso ainda é importante, calcule.
As transformações são lentas, sofridas, trabalhosas.
Como eu disse outro dia para duas amigas, uma convicta solteira e outra recém-casada, não existe um formato certo, o estado perfeito. O importante é você não estar de um lado querendo estar do outro. O segredo é viver o amor de maneira autêntica com o que você acredita de coração, feliz com sua escolha.
A chance de pessoas autênticas manterem um relacionamento longo e saudável é bem maior. A felicidade e o prazer nessas relações são notórios. Ser autêntico consigo mesmo geralmente exige o esforço de viver em segredo e longe do julgamento social, mas acaba valendo muito a pena pela intensidade e profundidade da relação.
sábado, 8 de maio de 2010
Sedução
"Sai com um cara que ficou indignado porque eu não quis transar com ele, olha só que absurdo."
Essa frase é real e veio de uma amiga que desabafou comigo sobre essa situação: ela estava saindo com um cara que gostava, tiveram uma conversa mais apimentada ao telefone, combinaram de sair e no final da noite, ela disse a ele que não ia rolar nada de sexo. O cara surtou, ficou nervoso, pediu que ela saísse do carro e foi embora gritando palavrões, arrancando o carro.
Se o cara ficou tão nervoso por algo que não aconteceu, certamente tinha grandes expectativas.
Se minha amiga sabia que o cara queria sair com ela para transar e ela sabia que não iria querer ou poder no dia, meu conselho é que não tivesse saído ou tivesse deixado isso bem claro antes de sair.
O não dito é sempre o que gera problemas.
Como ela gostava dele e não queria correr o risco de perdê-lo caso recusasse o programa, acabou cedendo. Mesmo sabendo do objetivo dele, resolveu arriscar. Óbvio que não deu certo.
Minha amiga também me disse que sempre procurou um homem que não pensasse só com a cabeça de baixo, reclamou que isso está difícil de encontrar e que ficou muito chateada com a reação do cara. Ela só não percebeu uma coisa: com medo de perdê-lo, revelando baixa auto-estima, disse o que ele queria ouvir, sem saber se ia mesmo cumprir o prometido.
Como culpar o outro por ficar chateado com uma mensagem que você mandou de modo equivocado?
Se você sabe que uma pessoa está atraída por você e a recíproca não é verdadeira, seria melhor não alimentar esperanças. Por mais legal que a pessoa possa ser como amiga, por mais que isso seja conveniente para você, saber que ela quer algo que você não quer corresponder inviabiliza uma troca saudável.
Seduzir sem efetivar a sedução é pura manipulação.
Na sociedade (ainda) machista em que vivemos, geralmente o homem se coloca na posição em que tem que tomar a iniciativa, se colocar na frente da conquista. A mulher se acomoda no papel de desejada (mesmo que deseje também, não se manifesta) e mantém o controle da situação.
O que deveria ser um amor bilateral vira uma corrida do pretendente ao grande prêmio, no caso, ela mesma.
Essa distorção dá espaço para mulheres dizerem que foram usadas por um cara, como se tivessem sofrido durante o prazer do companheiro. Será que foram obrigadas a fazer sexo? Fora em uma situação de estupro, não existe se dizerem usadas, é uma grande bobagem. O que acontece é que o cara também diz o que a mulher quer ouvir para conseguir o que quer.
Duplo estelionato, amor deixado de lado, vira caçada.
Se você faz sexo querendo que o cara te peça em namoro no dia seguinte, isso não é amor, é pura manipulação. Se você oferece a possibilidade de sexo para manter alguém do seu lado ou se usa o sexo como ferramenta de conquista, não deveria.
Usar sexo com moeda de troca é uma profissão, não é amor.
Essa frase é real e veio de uma amiga que desabafou comigo sobre essa situação: ela estava saindo com um cara que gostava, tiveram uma conversa mais apimentada ao telefone, combinaram de sair e no final da noite, ela disse a ele que não ia rolar nada de sexo. O cara surtou, ficou nervoso, pediu que ela saísse do carro e foi embora gritando palavrões, arrancando o carro.
Se o cara ficou tão nervoso por algo que não aconteceu, certamente tinha grandes expectativas.
Se minha amiga sabia que o cara queria sair com ela para transar e ela sabia que não iria querer ou poder no dia, meu conselho é que não tivesse saído ou tivesse deixado isso bem claro antes de sair.
O não dito é sempre o que gera problemas.
Como ela gostava dele e não queria correr o risco de perdê-lo caso recusasse o programa, acabou cedendo. Mesmo sabendo do objetivo dele, resolveu arriscar. Óbvio que não deu certo.
Minha amiga também me disse que sempre procurou um homem que não pensasse só com a cabeça de baixo, reclamou que isso está difícil de encontrar e que ficou muito chateada com a reação do cara. Ela só não percebeu uma coisa: com medo de perdê-lo, revelando baixa auto-estima, disse o que ele queria ouvir, sem saber se ia mesmo cumprir o prometido.
Como culpar o outro por ficar chateado com uma mensagem que você mandou de modo equivocado?
Se você sabe que uma pessoa está atraída por você e a recíproca não é verdadeira, seria melhor não alimentar esperanças. Por mais legal que a pessoa possa ser como amiga, por mais que isso seja conveniente para você, saber que ela quer algo que você não quer corresponder inviabiliza uma troca saudável.
Seduzir sem efetivar a sedução é pura manipulação.
Na sociedade (ainda) machista em que vivemos, geralmente o homem se coloca na posição em que tem que tomar a iniciativa, se colocar na frente da conquista. A mulher se acomoda no papel de desejada (mesmo que deseje também, não se manifesta) e mantém o controle da situação.
O que deveria ser um amor bilateral vira uma corrida do pretendente ao grande prêmio, no caso, ela mesma.
Essa distorção dá espaço para mulheres dizerem que foram usadas por um cara, como se tivessem sofrido durante o prazer do companheiro. Será que foram obrigadas a fazer sexo? Fora em uma situação de estupro, não existe se dizerem usadas, é uma grande bobagem. O que acontece é que o cara também diz o que a mulher quer ouvir para conseguir o que quer.
Duplo estelionato, amor deixado de lado, vira caçada.
Se você faz sexo querendo que o cara te peça em namoro no dia seguinte, isso não é amor, é pura manipulação. Se você oferece a possibilidade de sexo para manter alguém do seu lado ou se usa o sexo como ferramenta de conquista, não deveria.
Usar sexo com moeda de troca é uma profissão, não é amor.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
A síndrome do pequeno poder
Sim, eles estão por toda parte.
É aquele seu chefe que insiste em atrapalhar seu bom trabalho, reclamando de coisas infundadas pelo simples prazer de mostrar quem manda.
É também aquele segurança que resolve barrar sua entrada, só porque "ele pode".
É o pessoal do almoxarifado que não libera uma simples caneta porque você não preencheu aquele formulário de oito vias com três semanas de antecedência.
É o porteiro mandão que se apoia nas regras do prédio para exercer seu papel de mini déspota.
Eles estão todos por ai, ocupando seus pequenos cargos e seus pequenos poderes.
Sindrome do pequeno pênis.
O ego dessas pessoas não cabe dentro delas, ocupa um espaço maior do que o bom senso, o respeito e o ato de se colocar no lugar do próximo.
Elas não se interessam por coisas lógicas e nem tem a sensibilidade de entender sua reclamação.
Eles simplesmente seguem as suas regras.
Acham que estão cumprindo seu dever. O pequeno poder só consegue ver o que foi ensinado, só consegue ter uma pequena visão.
Geralmente é aquela pessoa que queria ser uma coisa, mas precisou ser outra.
Em meu trabalho, já cruzei com muitos chefes que queriam estar no meu lugar.
Como não conseguem o mesmo rendimento nem a mesma eficiência, muito menos os mesmos resultados, se esbaldam na tarefa de fazer da sua vida um inferno, exatamente o que seu sucesso faz com o ego deles.
Que pena, os pequenos poderosinhos se dedicam tanto ao seu processo de sabotagem (as vezes sabotam o próprio negócio para conseguir sabotar o próximo) que geralmente acabam conseguindo o que querem.
Usam suas atribuições de forma absoluta e imperativa, sem se preocupar com os problemas que geralmente ocasionam. Elefantes sambando na loja de cristais.
Para essas pessoas, vale a máxima, "se você quer conhecer uma pessoa de verdade, dê poder a ela", mas se quiser conhecer mesmo, dê a ela um pequeno poder.
É aquele seu chefe que insiste em atrapalhar seu bom trabalho, reclamando de coisas infundadas pelo simples prazer de mostrar quem manda.
É também aquele segurança que resolve barrar sua entrada, só porque "ele pode".
É o pessoal do almoxarifado que não libera uma simples caneta porque você não preencheu aquele formulário de oito vias com três semanas de antecedência.
É o porteiro mandão que se apoia nas regras do prédio para exercer seu papel de mini déspota.
Eles estão todos por ai, ocupando seus pequenos cargos e seus pequenos poderes.
Sindrome do pequeno pênis.
O ego dessas pessoas não cabe dentro delas, ocupa um espaço maior do que o bom senso, o respeito e o ato de se colocar no lugar do próximo.
Elas não se interessam por coisas lógicas e nem tem a sensibilidade de entender sua reclamação.
Eles simplesmente seguem as suas regras.
Acham que estão cumprindo seu dever. O pequeno poder só consegue ver o que foi ensinado, só consegue ter uma pequena visão.
Geralmente é aquela pessoa que queria ser uma coisa, mas precisou ser outra.
Em meu trabalho, já cruzei com muitos chefes que queriam estar no meu lugar.
Como não conseguem o mesmo rendimento nem a mesma eficiência, muito menos os mesmos resultados, se esbaldam na tarefa de fazer da sua vida um inferno, exatamente o que seu sucesso faz com o ego deles.
Que pena, os pequenos poderosinhos se dedicam tanto ao seu processo de sabotagem (as vezes sabotam o próprio negócio para conseguir sabotar o próximo) que geralmente acabam conseguindo o que querem.
Usam suas atribuições de forma absoluta e imperativa, sem se preocupar com os problemas que geralmente ocasionam. Elefantes sambando na loja de cristais.
Para essas pessoas, vale a máxima, "se você quer conhecer uma pessoa de verdade, dê poder a ela", mas se quiser conhecer mesmo, dê a ela um pequeno poder.
terça-feira, 6 de abril de 2010
Botando para fora!
Faz três semanas, tive uma péssima experiência, roubaram o estepe do meu carro em um estacionamento. Descobri imediatamente, porque deixaram as ferramentas todas soltas no porta malas e fui ver no mesmo dia o que estava fazendo tanto barulho.
Comuniquei à administração da empresa responsável pelo local e recebi a resposta que não se responsabilizariam pelo roubo, já que eu não tenho provas que teria sido lá.
Insisti com os donos, mas a resposta foi sempre a mesma: não pagaremos seu prejuízo.
Fiquei bem chateado e, mesmo sabendo que a decisão já estava tomada por parte deles, escrevi um e-mail com tudo que eu estava sentindo e o que eu achava da decisão unilateral da empresa.
Eu não queria guardar dentro de mim o que estava sentindo, no fundo achei a decisão injusta e não aceitei a resposta deles.
Escrevi exatamente o que senti, sem agressões nem reclamações infundadas. Usei o meu direito de reclamar, expressar os meus sentimentos e emoções, expressar os meus pontos de vista sobre o assunto de forma direta, com integridade, honestidade e respeito.
Para minha surpresa, o diretor da empresa, uma das maiores no ramo de estacionamentos de São Paulo, respondeu pessoalmente ao meu e-mail, dizendo que reconsiderou sua decisão após ler minha exposição de idéias.
Assunto resolvido, vão pagar pelo sumiço do meu pneu e roda.
O que eu quero mostrar com esse fato é que geralmente desistimos de nos expressar quando encontramos "causas perdidas" e com isso vamos juntando sentimentos e idéias que deveriam ser expostos, mas continuam dentro de nós.
Isso é péssimo.
Quando aprendi a me expressar, mesmo sabendo que poderia ser uma perda de tempo, muita coisa mudou. As coisas se resolvem mais fácil, senão com os outros, ao menos dentro de mim.
Quando brigamos com uma pessoa querida (namorado/a, familia, amigos) às vezes deixamos de falar o que sentimos para poupar os outros de ouvir coisas que talvez os deixem chateados, mas funciona de maneira oposta. Fica sempre uma dúvida no ar.
Se perguntam o que você tem, não responda "nada" se isso não for verdade. Diga o que sente.
Não estou dizendo para você sair falando o que acha dos outros, julgar o próximo sem ser perguntado ou dizer coisas agressivas sem necessidade.
O ponto é limitado ao seu sentimento. Diga sempre o que sente. Nunca dá errado.
Sabendo como se sente, o outro tem na mão uma informação fundamental para o convívio saudável e verdadeiro, mesmo não sendo esse sentimento o correto ou aceitável.
Se você sente, é verdadeiro e é isso que importa.
Saber como você se sente dá ao outro uma possibilidade de se posicionar em relação a isso de maneira que antes era impossível.
Sem a sua expressão, sobra só a adivinhação. O que pode ser óbvio para você, geralmente não é para o outro.
Seja ativo, direto e honesto, expresse seu sentimento sempre.
Bote o sentimento para fora e viva melhor!
Comuniquei à administração da empresa responsável pelo local e recebi a resposta que não se responsabilizariam pelo roubo, já que eu não tenho provas que teria sido lá.
Insisti com os donos, mas a resposta foi sempre a mesma: não pagaremos seu prejuízo.
Fiquei bem chateado e, mesmo sabendo que a decisão já estava tomada por parte deles, escrevi um e-mail com tudo que eu estava sentindo e o que eu achava da decisão unilateral da empresa.
Eu não queria guardar dentro de mim o que estava sentindo, no fundo achei a decisão injusta e não aceitei a resposta deles.
Escrevi exatamente o que senti, sem agressões nem reclamações infundadas. Usei o meu direito de reclamar, expressar os meus sentimentos e emoções, expressar os meus pontos de vista sobre o assunto de forma direta, com integridade, honestidade e respeito.
Para minha surpresa, o diretor da empresa, uma das maiores no ramo de estacionamentos de São Paulo, respondeu pessoalmente ao meu e-mail, dizendo que reconsiderou sua decisão após ler minha exposição de idéias.
Assunto resolvido, vão pagar pelo sumiço do meu pneu e roda.
O que eu quero mostrar com esse fato é que geralmente desistimos de nos expressar quando encontramos "causas perdidas" e com isso vamos juntando sentimentos e idéias que deveriam ser expostos, mas continuam dentro de nós.
Isso é péssimo.
Quando aprendi a me expressar, mesmo sabendo que poderia ser uma perda de tempo, muita coisa mudou. As coisas se resolvem mais fácil, senão com os outros, ao menos dentro de mim.
Quando brigamos com uma pessoa querida (namorado/a, familia, amigos) às vezes deixamos de falar o que sentimos para poupar os outros de ouvir coisas que talvez os deixem chateados, mas funciona de maneira oposta. Fica sempre uma dúvida no ar.
Se perguntam o que você tem, não responda "nada" se isso não for verdade. Diga o que sente.
Não estou dizendo para você sair falando o que acha dos outros, julgar o próximo sem ser perguntado ou dizer coisas agressivas sem necessidade.
O ponto é limitado ao seu sentimento. Diga sempre o que sente. Nunca dá errado.
Sabendo como se sente, o outro tem na mão uma informação fundamental para o convívio saudável e verdadeiro, mesmo não sendo esse sentimento o correto ou aceitável.
Se você sente, é verdadeiro e é isso que importa.
Saber como você se sente dá ao outro uma possibilidade de se posicionar em relação a isso de maneira que antes era impossível.
Sem a sua expressão, sobra só a adivinhação. O que pode ser óbvio para você, geralmente não é para o outro.
Seja ativo, direto e honesto, expresse seu sentimento sempre.
Bote o sentimento para fora e viva melhor!
terça-feira, 23 de março de 2010
Pessoas que inspiram
Desde meus tempos de escola primária, tenho um certo fascínio por pessoas criativas.
Minha primeira professora de inglês, responsável por eu adorar aprender outras línguas até hoje, era uma dessas pessoas. Dava aula usando teatro, mímica, fazia concursos, a aula era uma farra e eu aprendia sem perceber. Eu amava aquele estilo diferente e criativo e até hoje tenho saudades daqueles momentos.
É esse tipo de gente que mexe comigo profundamente.
Desde que fui pai, muita coisa mudou em minha vida, para melhor e para pior, mas uma coisa é certa, minha filha foi e é uma grande inspiração todos os dias. Um simples sorriso dela mobiliza uma força em mim que eu nem sabia que tinha.
Pessoas que cruzam nosso caminho e nos devolvem mudados para o mundo.
Eu quero é me cercar de pessoas assim, pessoas que de alguma maneira alterem minha essencia, mexam com meus sentimentos e me façam pensar diferente todo dia.
Pessoas que não se incomodam de serem taxadas de malucas, diferentes, estranhas, alternativas. Rótulos covardes de gente que teme a mudança, teme o sentimento e preferem viver a "segurança" da certeza e da rotina.
Quero me cercar de malucos, quero viver livre e quero sentir coisas novas, quero do meu lado gente que queira viver e sentir, sem medo.
Sabem aquelas pessoas que você encontra uma vez e ficam na sua memória por um bom tempo? São essas as pessoas que inspiram.
Gente que nos proporciona experiências, ruins ou boas, que nos transformam, nos fazem sentir vivos.
É com elas que eu vou.
Minha primeira professora de inglês, responsável por eu adorar aprender outras línguas até hoje, era uma dessas pessoas. Dava aula usando teatro, mímica, fazia concursos, a aula era uma farra e eu aprendia sem perceber. Eu amava aquele estilo diferente e criativo e até hoje tenho saudades daqueles momentos.
É esse tipo de gente que mexe comigo profundamente.
Desde que fui pai, muita coisa mudou em minha vida, para melhor e para pior, mas uma coisa é certa, minha filha foi e é uma grande inspiração todos os dias. Um simples sorriso dela mobiliza uma força em mim que eu nem sabia que tinha.
Pessoas que cruzam nosso caminho e nos devolvem mudados para o mundo.
Eu quero é me cercar de pessoas assim, pessoas que de alguma maneira alterem minha essencia, mexam com meus sentimentos e me façam pensar diferente todo dia.
Pessoas que não se incomodam de serem taxadas de malucas, diferentes, estranhas, alternativas. Rótulos covardes de gente que teme a mudança, teme o sentimento e preferem viver a "segurança" da certeza e da rotina.
Quero me cercar de malucos, quero viver livre e quero sentir coisas novas, quero do meu lado gente que queira viver e sentir, sem medo.
Sabem aquelas pessoas que você encontra uma vez e ficam na sua memória por um bom tempo? São essas as pessoas que inspiram.
Gente que nos proporciona experiências, ruins ou boas, que nos transformam, nos fazem sentir vivos.
É com elas que eu vou.
terça-feira, 2 de março de 2010
Vivendo em segredo
Depois do acidente que escancarou a vida privada do golfista Tiger Woods na mídia, o esportista mais respeitado e bem pago do mundo, que aliás, sempre buscou privacidade, se tornou refém de boatos e versões sobre o seu caso.
O que mudou em Tiger internamente depois de descobrirem seus casos sexuais? Acreditem, ele não mudou nada, continua o mesmo de antes, o que antes era admirado e invejado. Só o que mudou foi o segredo dos seus atos, o que mudou é que agora sabem o que ele gosta de fazer entre quatro paredes. O então esportista perfeito, agora foi julgado, condenado culpado e teve que pedir perdão em rede nacional, o equivalente moderno ao enforcamento em praça pública, que agora virou "enforcamento" social.
Por causa de seu comportamento descoberto e julgado inadequado aos padrões estabelecidos, perdeu patrocínios e contratos polpudos.
A sociedade, mais globalizada do que nunca, tem suas regras rígidas de aceitação. Ser feliz (sem consumo) e ter prazer (fora do casamento) são atos vistos como marginais. Na TV, o grande tribunal, palco de execuções sociais sumárias e ajudada (até financeiramente) pelas igrejas do reino da salvação eterna, o embate se faz covardemente entre o acusado e acusador, que geralmente nem direito a defesa tem.
Na época do "quero ser famoso", onde seus dados pessoais correm livre e expontaneamente pela internet, seus e-mails sigilosos, pessoais e comerciais, ficam em servidores que você nem sabe onde estão (a.k.a. Google), os poderosos e ricos de verdade se decidem por cada vez ficarem mais reclusos, apesar da mídia estimular o tempo todo a exposição como fator de sucesso pessoal.
Hoje, teoricamente, quem está nas colunas sociais é quem faz sucesso, para o povo, quem habita as capas de revistas sociais é quem é rico e deve ser admirado, modelo de quem "deu certo" na vida.
Só que os ricos e poderosos de verdade pensam diferente.
Não é de hoje que as sociedades secretas existem e dominam boa parte das decisões de grande impacto no mundo.
Só para exemplificar duas delas, a Skull and Bones, sociedade secreta estudantil dos Estados Unidos, fundada por alunos da Universidade de Yale, tem entre seus integrantes três ex-presidentes (William Taft, George Bush pai e George Bush filho), ministros da Suprema Corte, alguns dos mais influentes empresários e grande parte dos espiões da CIA.
Outra sociedade secreta poderosa é o Clube de Bilderberg, conferência anual não-oficial cuja participação é restrita a um número de 130 convidados, muitos dos quais são personalidades influentes no mundo empresarial, acadêmico, mediático ou político. O ex-chanceler britânico Denis Healey, um dos fundadores do grupo, confirma: “Não há nada de errado com as nossas reuniões. O segredo apenas permite que todos falem honestamente, sem medo das repercussões nos jornais”. As reuniões deles podem não ter repercussões nos jornais, mas certamente terão em nossas vidas.
Tudo isso gera um conteúdo rico para criar muitas teorias de conspiração, mas o foco desse texto não é esse.
O foco é o segredo.
A intenção é que você reflita na possibilidade de viver sua vida em segredo e descubra o quanto isso lhe devolve o poder sobre você mesmo.
Pode parecer muito difícil, até impossível nos dias de hoje, mas pelo menos em seu lado pessoal, garanto que o esforço da não exposição se justifica e compensa.
Você pode também ignorar o que esse texto diz e continuar a viver a sua vida feliz e exposta de sempre ou começar a questionar e desenvolver seu pensamento crítico em relação a esse assunto.
Já pensou na possibilidade de viver em segredo?
O que mudou em Tiger internamente depois de descobrirem seus casos sexuais? Acreditem, ele não mudou nada, continua o mesmo de antes, o que antes era admirado e invejado. Só o que mudou foi o segredo dos seus atos, o que mudou é que agora sabem o que ele gosta de fazer entre quatro paredes. O então esportista perfeito, agora foi julgado, condenado culpado e teve que pedir perdão em rede nacional, o equivalente moderno ao enforcamento em praça pública, que agora virou "enforcamento" social.
Por causa de seu comportamento descoberto e julgado inadequado aos padrões estabelecidos, perdeu patrocínios e contratos polpudos.
A sociedade, mais globalizada do que nunca, tem suas regras rígidas de aceitação. Ser feliz (sem consumo) e ter prazer (fora do casamento) são atos vistos como marginais. Na TV, o grande tribunal, palco de execuções sociais sumárias e ajudada (até financeiramente) pelas igrejas do reino da salvação eterna, o embate se faz covardemente entre o acusado e acusador, que geralmente nem direito a defesa tem.
Na época do "quero ser famoso", onde seus dados pessoais correm livre e expontaneamente pela internet, seus e-mails sigilosos, pessoais e comerciais, ficam em servidores que você nem sabe onde estão (a.k.a. Google), os poderosos e ricos de verdade se decidem por cada vez ficarem mais reclusos, apesar da mídia estimular o tempo todo a exposição como fator de sucesso pessoal.
Hoje, teoricamente, quem está nas colunas sociais é quem faz sucesso, para o povo, quem habita as capas de revistas sociais é quem é rico e deve ser admirado, modelo de quem "deu certo" na vida.
Só que os ricos e poderosos de verdade pensam diferente.
Não é de hoje que as sociedades secretas existem e dominam boa parte das decisões de grande impacto no mundo.
Só para exemplificar duas delas, a Skull and Bones, sociedade secreta estudantil dos Estados Unidos, fundada por alunos da Universidade de Yale, tem entre seus integrantes três ex-presidentes (William Taft, George Bush pai e George Bush filho), ministros da Suprema Corte, alguns dos mais influentes empresários e grande parte dos espiões da CIA.
Outra sociedade secreta poderosa é o Clube de Bilderberg, conferência anual não-oficial cuja participação é restrita a um número de 130 convidados, muitos dos quais são personalidades influentes no mundo empresarial, acadêmico, mediático ou político. O ex-chanceler britânico Denis Healey, um dos fundadores do grupo, confirma: “Não há nada de errado com as nossas reuniões. O segredo apenas permite que todos falem honestamente, sem medo das repercussões nos jornais”. As reuniões deles podem não ter repercussões nos jornais, mas certamente terão em nossas vidas.
Tudo isso gera um conteúdo rico para criar muitas teorias de conspiração, mas o foco desse texto não é esse.
O foco é o segredo.
A intenção é que você reflita na possibilidade de viver sua vida em segredo e descubra o quanto isso lhe devolve o poder sobre você mesmo.
Pode parecer muito difícil, até impossível nos dias de hoje, mas pelo menos em seu lado pessoal, garanto que o esforço da não exposição se justifica e compensa.
Você pode também ignorar o que esse texto diz e continuar a viver a sua vida feliz e exposta de sempre ou começar a questionar e desenvolver seu pensamento crítico em relação a esse assunto.
Já pensou na possibilidade de viver em segredo?
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Luto
Acho que pela primeira vez na vida eu perdi uma pessoa realmente querida.
Meus dois avôs morreram cedo, algumas pessoas próximas, como meus tios, alguns parentes de segundo grau se foram, mas nunca senti muito a dor da falta deles. Sinto porque foram, claro, eram pessoas que eu gostava, mas que não participavam ativamente do meu cotidiano, não compartilhavam dos meus pensamentos e principalmente não estavam disponíveis para mim.
A pessoa querida que perdi estava comigo sempre que precisei e vice versa. A relação de troca, saudável, ajudava o crescimento mútuo e era uma refêrencia de carinho e amor.
Foi com ela que descobri a minha aptidão para a música e foi ela que me ajudou a encarar todas as dificuldades que enfrentei no começo da carreira com palavras de apoio.
Foi com essa pessoa querida que me conheci melhor, cresci ouvindo seus conselhos e, com o tempo, aprendi a aconselhar. Aprendi a expor meus pensamentos, aprendi a ser assertivo, aprendi a ser livre.
Me ensinou a plantar sementes, espalhar o bem e viver no amor.
A cumplicidade nos segredos, as risadas nas conversas diárias, a troca de conhecimento.
Tudo muito agradável, intenso e produtivo para os dois. Uma amizade verdadeira.
Até o dia que a pessoa se foi.
Adeus.
Como toda pessoa que morre, não houve aviso antes, não tem explicação do porque nem satisfações, ela simplesmente se foi.
Nessa hora vemos que tudo que aparentemente está sob controle, seguro e certo é apenas uma ilusão criada na nossa cabeça. Não controlamos nada, nessa vida nos foi dado apenas o direito de viver e sentir o agora.
Depois da perda, resta apenas a saudade, as lembranças carinhosas dos bons momentos, a vontade de ter a pessoa de volta ao seu lado, a dor da perda e até uma incompreensão dos motivos.
Porque? Porque? Me sobram as interrogações.
Sem querer, a perda de alguém querido nos faz refletir sobre nossa própria vida, nossos caminhos e nossas escolhas. A perda nos obriga a refletir.
Aprender a lidar com a perda é dolorido, mas necessário e parte da vida.
A pessoa se foi e não há o que fazer a não ser viver com isso.
O fato dela estar viva só torna isso tudo ainda mais difícil.
Meus dois avôs morreram cedo, algumas pessoas próximas, como meus tios, alguns parentes de segundo grau se foram, mas nunca senti muito a dor da falta deles. Sinto porque foram, claro, eram pessoas que eu gostava, mas que não participavam ativamente do meu cotidiano, não compartilhavam dos meus pensamentos e principalmente não estavam disponíveis para mim.
A pessoa querida que perdi estava comigo sempre que precisei e vice versa. A relação de troca, saudável, ajudava o crescimento mútuo e era uma refêrencia de carinho e amor.
Foi com ela que descobri a minha aptidão para a música e foi ela que me ajudou a encarar todas as dificuldades que enfrentei no começo da carreira com palavras de apoio.
Foi com essa pessoa querida que me conheci melhor, cresci ouvindo seus conselhos e, com o tempo, aprendi a aconselhar. Aprendi a expor meus pensamentos, aprendi a ser assertivo, aprendi a ser livre.
Me ensinou a plantar sementes, espalhar o bem e viver no amor.
A cumplicidade nos segredos, as risadas nas conversas diárias, a troca de conhecimento.
Tudo muito agradável, intenso e produtivo para os dois. Uma amizade verdadeira.
Até o dia que a pessoa se foi.
Adeus.
Como toda pessoa que morre, não houve aviso antes, não tem explicação do porque nem satisfações, ela simplesmente se foi.
Nessa hora vemos que tudo que aparentemente está sob controle, seguro e certo é apenas uma ilusão criada na nossa cabeça. Não controlamos nada, nessa vida nos foi dado apenas o direito de viver e sentir o agora.
Depois da perda, resta apenas a saudade, as lembranças carinhosas dos bons momentos, a vontade de ter a pessoa de volta ao seu lado, a dor da perda e até uma incompreensão dos motivos.
Porque? Porque? Me sobram as interrogações.
Sem querer, a perda de alguém querido nos faz refletir sobre nossa própria vida, nossos caminhos e nossas escolhas. A perda nos obriga a refletir.
Aprender a lidar com a perda é dolorido, mas necessário e parte da vida.
A pessoa se foi e não há o que fazer a não ser viver com isso.
O fato dela estar viva só torna isso tudo ainda mais difícil.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Up In The Air
Hoje fui assistir o filme "Amor sem escalas" com George Clooney. Se você ainda não viu o filme, pare a leitura deste texto agora, pode estragar sua experiência.
Ryan Bingham, personagem de Clooney, é pago para viajar pelos Estados Unidos despedindo funcionários de empresas afetadas pela crise. Morador de aeroportos, carrega sua vida em uma mala de mão e tem como meta juntar 10 milhões de milhas no seu cartão da American Arlines. Aparentemente feliz com sua vida, eficiente no que faz, se vê ameaçado por uma jovem que vende ao seu chefe um método de fazer as demissões sem viajar, direto do escritório, usando vídeo conferência. Nesse trecho do filme, Ryan, supostamente desumano e frio, mostra sua face humana nas demissões e questiona o método frio de demitir por computador.
O tempo todo o filme mostra o conflito presente em todos nós: equilibrar o lado humano, sentimental e amoroso com o lado caçador e negociador, que precisamos desenvolver para sobreviver e pagar as contas.
O seu jeito de viver livre, sempre viajando e sem residência e nem parceira fixa é questionado por sua família e por quem convive com ele e para piorar, quando ele realmente se interessa amorosamente por uma mulher, descobre, da pior maneira, que ela já é casada e com filhos e o usa como fuga ao tédio do casamento.
Gostei muito que o final do filme não resolve o conflito nem diz qual lado é o melhor ou certo para nós, como a maioria dos filmes de Hollywood tenta fazer.
Realmente não há uma resposta definitiva para esse dilema.
Cada um deveria ter a liberdade de escolher seu caminho, mas acabamos cercados de regras que anulam a nossa individualidade e nos forçam a caber numa forma única. Você será aprovado pelo grupo se conseguir se enquadrar nessa forma estabelecida, caso contrário, será punido com a culpa e a exclusão social.
Neste formato padrão, as relações amorosas acabam em segundo plano, prevalecem as relações sociais. Sobram pessoas cada vez mais carentes e solitárias, inseguras, buscando aprovação que nunca virá.
Para mim, a vida é bem mais simples do que isso. Acho que o que todo mundo no fundo quer é ser amado e amar de volta, por isso me interessei tanto pelo desafio mostrado no filme.
Acredito que não conseguimos viver sem os outros, crescemos e vivemos nas relações, mas precisamos equilibrar também nesse processo coletivo o nosso processo como indivíduos únicos que somos.
Belo desafio que é esse de viver bem com essas duas realidades.
Ryan Bingham, personagem de Clooney, é pago para viajar pelos Estados Unidos despedindo funcionários de empresas afetadas pela crise. Morador de aeroportos, carrega sua vida em uma mala de mão e tem como meta juntar 10 milhões de milhas no seu cartão da American Arlines. Aparentemente feliz com sua vida, eficiente no que faz, se vê ameaçado por uma jovem que vende ao seu chefe um método de fazer as demissões sem viajar, direto do escritório, usando vídeo conferência. Nesse trecho do filme, Ryan, supostamente desumano e frio, mostra sua face humana nas demissões e questiona o método frio de demitir por computador.
O tempo todo o filme mostra o conflito presente em todos nós: equilibrar o lado humano, sentimental e amoroso com o lado caçador e negociador, que precisamos desenvolver para sobreviver e pagar as contas.
O seu jeito de viver livre, sempre viajando e sem residência e nem parceira fixa é questionado por sua família e por quem convive com ele e para piorar, quando ele realmente se interessa amorosamente por uma mulher, descobre, da pior maneira, que ela já é casada e com filhos e o usa como fuga ao tédio do casamento.
Gostei muito que o final do filme não resolve o conflito nem diz qual lado é o melhor ou certo para nós, como a maioria dos filmes de Hollywood tenta fazer.
Realmente não há uma resposta definitiva para esse dilema.
Cada um deveria ter a liberdade de escolher seu caminho, mas acabamos cercados de regras que anulam a nossa individualidade e nos forçam a caber numa forma única. Você será aprovado pelo grupo se conseguir se enquadrar nessa forma estabelecida, caso contrário, será punido com a culpa e a exclusão social.
Neste formato padrão, as relações amorosas acabam em segundo plano, prevalecem as relações sociais. Sobram pessoas cada vez mais carentes e solitárias, inseguras, buscando aprovação que nunca virá.
Para mim, a vida é bem mais simples do que isso. Acho que o que todo mundo no fundo quer é ser amado e amar de volta, por isso me interessei tanto pelo desafio mostrado no filme.
Acredito que não conseguimos viver sem os outros, crescemos e vivemos nas relações, mas precisamos equilibrar também nesse processo coletivo o nosso processo como indivíduos únicos que somos.
Belo desafio que é esse de viver bem com essas duas realidades.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Desmamando
Desde pequenos somos bombardeados com montes de informações, algumas delas são tão repetidas que se alojam em nossa memória e ficam ali, sedimentadas.
São coisas como a ladainha machista do menino pode, menina não, lições de postura, como não falar palavrão e não arrotar na mesa, o que pode dizer o que não pode, o que é certo e o que é errado, conceitos bem básicos sobre comportamento, o que vestir, como agir.
Somos criados dentro dessa "forma", durante anos dentro desse formato pré-determinado por nossos pais, nossos professores, nossos amigos e a sociedade.
Chega uma hora que nem percebemos mais onde começa o que realmente gostamos do que fomos ensinados a gostar...e ai começam os conflitos internos.
Sabemos que algo não está certo, ou algo não nos serve ou não nos faz felizes, mas como aquilo foi ensinado como uma "verdade" que você acredita desde pequeno, nem conseguimos identificar o que nos incomoda.
No meu caso, demorei muito tempo para descobrir o que realmente gostaria de fazer na vida. Sempre amei música, mas o conflito com a expectativa da familia que desejava para mim um profissão mais tradicional (médico/engenheiro/advogado) me fez questionar essa escolha de ser DJ por anos. Só decidi pela música quando esgotei todas as chances de trabalhar com o que eu achava que seria o mais certo e garantido, o que eu fui ensinado desde pequeno.
Não culpo a educação, que segue um formato fixo há anos, nem minha família, que realmente acreditava que eu me daria melhor em um trabalho mais convencional e muito menos a mim mesmo por não ter percebido isso antes.
O processo de crescer, desmamar e começar a buscar seu próprio caminho nessa vida é árduo, sofrido e às vezes cheio de revezes.
Às vezes é mais fácil ignorar os impulsos internos e deitar na segurança das escolhas ensinadas, muita gente desiste do seu sonho e decide fazer o que o pai faz só para garantir um futuro financeiro mais fácil ou simplesmente obter a aprovação de quem lhes é querido. Não julgo, pode ser uma saída.
No meu caso, não foi. Quase entrei em depressão por me forçar a fazer uma coisa que eu simplesmente odiava. Trabalhei anos em um escritório, com horário de entrada, almoço, saída. Aquilo era a morte para mim. Acordava todo dia arrastando para ir trabalhar.
Hoje quando fico ansioso para chegar a hora de ir tocar, penso que essa escolha de buscar o que me agradava não tem preço.
Esse novo nascimento, quando começamos a descobrir o que realmente queremos para nós, gera transformações em todos os setores da vida. Vale para tudo. Mudei desde meu modo de vestir, minha crenças, meus amigos, meu comportamento...tudo que estava em mim e não era meu foi e ainda está sendo eliminado.
Quanto mais chegamos perto de nós mesmo, da nossa essencia, do nosso real (se é que isso é 100% possível), nos aproximamos mais da paz e da felicidade.
Isso exige coragem, mas vale a pena.
Desmamem!
São coisas como a ladainha machista do menino pode, menina não, lições de postura, como não falar palavrão e não arrotar na mesa, o que pode dizer o que não pode, o que é certo e o que é errado, conceitos bem básicos sobre comportamento, o que vestir, como agir.
Somos criados dentro dessa "forma", durante anos dentro desse formato pré-determinado por nossos pais, nossos professores, nossos amigos e a sociedade.
Chega uma hora que nem percebemos mais onde começa o que realmente gostamos do que fomos ensinados a gostar...e ai começam os conflitos internos.
Sabemos que algo não está certo, ou algo não nos serve ou não nos faz felizes, mas como aquilo foi ensinado como uma "verdade" que você acredita desde pequeno, nem conseguimos identificar o que nos incomoda.
No meu caso, demorei muito tempo para descobrir o que realmente gostaria de fazer na vida. Sempre amei música, mas o conflito com a expectativa da familia que desejava para mim um profissão mais tradicional (médico/engenheiro/advogado) me fez questionar essa escolha de ser DJ por anos. Só decidi pela música quando esgotei todas as chances de trabalhar com o que eu achava que seria o mais certo e garantido, o que eu fui ensinado desde pequeno.
Não culpo a educação, que segue um formato fixo há anos, nem minha família, que realmente acreditava que eu me daria melhor em um trabalho mais convencional e muito menos a mim mesmo por não ter percebido isso antes.
O processo de crescer, desmamar e começar a buscar seu próprio caminho nessa vida é árduo, sofrido e às vezes cheio de revezes.
Às vezes é mais fácil ignorar os impulsos internos e deitar na segurança das escolhas ensinadas, muita gente desiste do seu sonho e decide fazer o que o pai faz só para garantir um futuro financeiro mais fácil ou simplesmente obter a aprovação de quem lhes é querido. Não julgo, pode ser uma saída.
No meu caso, não foi. Quase entrei em depressão por me forçar a fazer uma coisa que eu simplesmente odiava. Trabalhei anos em um escritório, com horário de entrada, almoço, saída. Aquilo era a morte para mim. Acordava todo dia arrastando para ir trabalhar.
Hoje quando fico ansioso para chegar a hora de ir tocar, penso que essa escolha de buscar o que me agradava não tem preço.
Esse novo nascimento, quando começamos a descobrir o que realmente queremos para nós, gera transformações em todos os setores da vida. Vale para tudo. Mudei desde meu modo de vestir, minha crenças, meus amigos, meu comportamento...tudo que estava em mim e não era meu foi e ainda está sendo eliminado.
Quanto mais chegamos perto de nós mesmo, da nossa essencia, do nosso real (se é que isso é 100% possível), nos aproximamos mais da paz e da felicidade.
Isso exige coragem, mas vale a pena.
Desmamem!
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