Acho que pela primeira vez na vida eu perdi uma pessoa realmente querida.
Meus dois avôs morreram cedo, algumas pessoas próximas, como meus tios, alguns parentes de segundo grau se foram, mas nunca senti muito a dor da falta deles. Sinto porque foram, claro, eram pessoas que eu gostava, mas que não participavam ativamente do meu cotidiano, não compartilhavam dos meus pensamentos e principalmente não estavam disponíveis para mim.
A pessoa querida que perdi estava comigo sempre que precisei e vice versa. A relação de troca, saudável, ajudava o crescimento mútuo e era uma refêrencia de carinho e amor.
Foi com ela que descobri a minha aptidão para a música e foi ela que me ajudou a encarar todas as dificuldades que enfrentei no começo da carreira com palavras de apoio.
Foi com essa pessoa querida que me conheci melhor, cresci ouvindo seus conselhos e, com o tempo, aprendi a aconselhar. Aprendi a expor meus pensamentos, aprendi a ser assertivo, aprendi a ser livre.
Me ensinou a plantar sementes, espalhar o bem e viver no amor.
A cumplicidade nos segredos, as risadas nas conversas diárias, a troca de conhecimento.
Tudo muito agradável, intenso e produtivo para os dois. Uma amizade verdadeira.
Até o dia que a pessoa se foi.
Adeus.
Como toda pessoa que morre, não houve aviso antes, não tem explicação do porque nem satisfações, ela simplesmente se foi.
Nessa hora vemos que tudo que aparentemente está sob controle, seguro e certo é apenas uma ilusão criada na nossa cabeça. Não controlamos nada, nessa vida nos foi dado apenas o direito de viver e sentir o agora.
Depois da perda, resta apenas a saudade, as lembranças carinhosas dos bons momentos, a vontade de ter a pessoa de volta ao seu lado, a dor da perda e até uma incompreensão dos motivos.
Porque? Porque? Me sobram as interrogações.
Sem querer, a perda de alguém querido nos faz refletir sobre nossa própria vida, nossos caminhos e nossas escolhas. A perda nos obriga a refletir.
Aprender a lidar com a perda é dolorido, mas necessário e parte da vida.
A pessoa se foi e não há o que fazer a não ser viver com isso.
O fato dela estar viva só torna isso tudo ainda mais difícil.
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3 comentários:
Tempo, tempo mano velho, falta um tanto ainda eu sei... :-)
Tenso. Aconteceu EXATAMENTE isso comigo recentemente. Foi um verdadeiro luto mesmo. No começo, relutei. Depois, fui obrigado a aceitar. Como disse a Mari Reis, só o tempo mesmo...
Oi.Bom dia!!!Muito emocionante esse seu texto...tbm perdi uma pessoa muito querida e importante há uns meses,e me identifiquei (de verdade )com tudo que vc escreveu.Nem sei como cheguei no seu blog...tenho o hábito de ler blogs de mães relatando suas experiências com seus filhos...rsrsr...acho que pra saber se tenho lidado bem com as minhas próprias,e deve ter sido assim que vi seu blog...sei lá...rs.
Bom...é isso.E eu sei que pode até parecer frase feita,mas ...só o tempo mesmo pra nos fazer "digerir" esses acontecimentos.
Parabéns pelo blog e pelos textos!
Ana Angélica (ana.angelica.net@hotmail.com)
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