Hoje fui assistir o filme "Amor sem escalas" com George Clooney. Se você ainda não viu o filme, pare a leitura deste texto agora, pode estragar sua experiência.
Ryan Bingham, personagem de Clooney, é pago para viajar pelos Estados Unidos despedindo funcionários de empresas afetadas pela crise. Morador de aeroportos, carrega sua vida em uma mala de mão e tem como meta juntar 10 milhões de milhas no seu cartão da American Arlines. Aparentemente feliz com sua vida, eficiente no que faz, se vê ameaçado por uma jovem que vende ao seu chefe um método de fazer as demissões sem viajar, direto do escritório, usando vídeo conferência. Nesse trecho do filme, Ryan, supostamente desumano e frio, mostra sua face humana nas demissões e questiona o método frio de demitir por computador.
O tempo todo o filme mostra o conflito presente em todos nós: equilibrar o lado humano, sentimental e amoroso com o lado caçador e negociador, que precisamos desenvolver para sobreviver e pagar as contas.
O seu jeito de viver livre, sempre viajando e sem residência e nem parceira fixa é questionado por sua família e por quem convive com ele e para piorar, quando ele realmente se interessa amorosamente por uma mulher, descobre, da pior maneira, que ela já é casada e com filhos e o usa como fuga ao tédio do casamento.
Gostei muito que o final do filme não resolve o conflito nem diz qual lado é o melhor ou certo para nós, como a maioria dos filmes de Hollywood tenta fazer.
Realmente não há uma resposta definitiva para esse dilema.
Cada um deveria ter a liberdade de escolher seu caminho, mas acabamos cercados de regras que anulam a nossa individualidade e nos forçam a caber numa forma única. Você será aprovado pelo grupo se conseguir se enquadrar nessa forma estabelecida, caso contrário, será punido com a culpa e a exclusão social.
Neste formato padrão, as relações amorosas acabam em segundo plano, prevalecem as relações sociais. Sobram pessoas cada vez mais carentes e solitárias, inseguras, buscando aprovação que nunca virá.
Para mim, a vida é bem mais simples do que isso. Acho que o que todo mundo no fundo quer é ser amado e amar de volta, por isso me interessei tanto pelo desafio mostrado no filme.
Acredito que não conseguimos viver sem os outros, crescemos e vivemos nas relações, mas precisamos equilibrar também nesse processo coletivo o nosso processo como indivíduos únicos que somos.
Belo desafio que é esse de viver bem com essas duas realidades.
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quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Desamigando
Recentemente, usando os meus conceitos da economia de energia que já comentei por aqui, resolvi dar uma limpa na minha lista de “amigos” do Orkut. Sim, “amigos” entre aspas mesmo. Não dá para chamar todos dessa lista de reais amigos. A lista resume uma mistura heterogênea de pessoas, relações que de certa forma fazem parte em diversos níveis da minha vida. Não é, em minha opinião, a melhor definição de amigo.
Partindo de uma lista de mais de 2000 pessoas, em dois perfis no Orkut, me vi na necessidade de abrir um terceiro perfil. Na época, eu perdia um bom tempo respondendo perguntas e pedidos de gente que eu nunca tinha visto na vida. Inicialmente, o que era prazer, virou uma dor de cabeça. Algo estava errado com aquilo. Era hora de mudar.
Primeiro, fechei de uma vez um dos perfis e reduzi a lista para 1000 pessoas. Depois, do perfil original, fui eliminando pessoas que não conhecia e cheguei em 700 pessoas. Pessoas que já cruzaram comigo em algum momento da vida, amigos de amigos, freqüentadores das boates que toco, fãs do RadioDJ.com.br e alguns remanescentes da época do reality show Aprendiz e até alguns amigos de verdade. De certa forma, essa lista de “amigos” do Orkut me manteve conectado a todas essas pessoas, por um bom tempo.
Não preciso dizer nada sobre os malefícios desses sites de redes sociais e de toda (voluntária) exposição de privacidade. Isso todo mundo já sabe. Os benefícios da facilidade de comunicação também todo mundo conhece e adora. É o velho dilema:
Preservar a privacidade ou manter o canal de comunicação?
Com o advento de poder proteger as suas fotos, depoimentos, scraps e até mesmo seu perfil, o Orkut voltou a ser um local onde uma pseudo privacidade voltou a ser possível, continuando a manter contato só com pessoas da sua lista de “amigos”.
Resolvi restringir a minha lista às pessoas que agregaram algo em minha vida e fui apagando pessoas que eu não tenho muito contato ou que simplesmente não tinha sentido mantê-las como “amigos”. Pessoas que não convivem mais comigo também foram apagadas da lista, perdeu o sentido mantê-las. Chega de dar aval a quem que nem faz parte do meu dia-a-dia.
Decidi que minha lista não seria mais uma simples coleção de conhecidos.
A limpeza se revelou uma catástrofe social. Chegaram alguns e-mails de pessoas furiosas, pedindo satisfações do porque eu as teria tirado de minha lista, algumas pessoas, realmente ofendidas ou chateadas, chegaram a questionar a ética do meu ato. Outras chegaram a me interpelar cobrando pessoalmente uma razão, em um ato constrangedor. O mais incrível é que a maioria delas nem ao menos falou comigo nesses últimos meses, nem um telefonema...ou seja, não fazem a menor questão do contato pessoal, que para mim é o único motivo para participar de comunidades sociais.
A minha resposta para essas pessoas foi sempre a mesma:
“Querido amigo (ou amiga), você tem meu celular, meu endereço de e-mail e meu msn. Sabe ainda onde eu toco todas as quintas e pode me convidar quando quiser para um encontro ou almoço, que irei com o maior prazer. Nada mudou em nossa relação. Fique tranqüilo(a).”
Nada disso adiantou, continuaram ofendidas. Elas queriam mesmo é continuar “amigas” do meu Orkut. Levaram o negócio a sério demais. Uma amizade em risco por causa de uma lista em um site de relacionamentos.
O que era uma ferramenta de comunicação virou uma chancela de aceitação e aprovação social e até mesmo um estepe emocional.
Uma das pessoas que apaguei da lista, que não falava comigo faz tempo, me disse que para ela bastava a minha foto do perfil aparecer na tela dela para ela saber que estou bem e que se sentia reconfortada só de ver minha foto por ali.
Infelizmente a recíproca não era verdadeira, apaguei sem dó.
Agora se alguém quiser saber se estou bem, vai ter que gastar alguns segundos pelo msn e me perguntar. Ou quem sabe, vai ter que me ligar. Ou ainda, num esforço extremo e desumano, vai ter que me ver pessoalmente. Vai ter que (re)aprender a se relacionar comigo e não com a minha foto numa lista.
Sinto que serão tempos difíceis, esses futuros, para os meus “amigos” virtuais.
Partindo de uma lista de mais de 2000 pessoas, em dois perfis no Orkut, me vi na necessidade de abrir um terceiro perfil. Na época, eu perdia um bom tempo respondendo perguntas e pedidos de gente que eu nunca tinha visto na vida. Inicialmente, o que era prazer, virou uma dor de cabeça. Algo estava errado com aquilo. Era hora de mudar.
Primeiro, fechei de uma vez um dos perfis e reduzi a lista para 1000 pessoas. Depois, do perfil original, fui eliminando pessoas que não conhecia e cheguei em 700 pessoas. Pessoas que já cruzaram comigo em algum momento da vida, amigos de amigos, freqüentadores das boates que toco, fãs do RadioDJ.com.br e alguns remanescentes da época do reality show Aprendiz e até alguns amigos de verdade. De certa forma, essa lista de “amigos” do Orkut me manteve conectado a todas essas pessoas, por um bom tempo.
Não preciso dizer nada sobre os malefícios desses sites de redes sociais e de toda (voluntária) exposição de privacidade. Isso todo mundo já sabe. Os benefícios da facilidade de comunicação também todo mundo conhece e adora. É o velho dilema:
Preservar a privacidade ou manter o canal de comunicação?
Com o advento de poder proteger as suas fotos, depoimentos, scraps e até mesmo seu perfil, o Orkut voltou a ser um local onde uma pseudo privacidade voltou a ser possível, continuando a manter contato só com pessoas da sua lista de “amigos”.
Resolvi restringir a minha lista às pessoas que agregaram algo em minha vida e fui apagando pessoas que eu não tenho muito contato ou que simplesmente não tinha sentido mantê-las como “amigos”. Pessoas que não convivem mais comigo também foram apagadas da lista, perdeu o sentido mantê-las. Chega de dar aval a quem que nem faz parte do meu dia-a-dia.
Decidi que minha lista não seria mais uma simples coleção de conhecidos.
A limpeza se revelou uma catástrofe social. Chegaram alguns e-mails de pessoas furiosas, pedindo satisfações do porque eu as teria tirado de minha lista, algumas pessoas, realmente ofendidas ou chateadas, chegaram a questionar a ética do meu ato. Outras chegaram a me interpelar cobrando pessoalmente uma razão, em um ato constrangedor. O mais incrível é que a maioria delas nem ao menos falou comigo nesses últimos meses, nem um telefonema...ou seja, não fazem a menor questão do contato pessoal, que para mim é o único motivo para participar de comunidades sociais.
A minha resposta para essas pessoas foi sempre a mesma:
“Querido amigo (ou amiga), você tem meu celular, meu endereço de e-mail e meu msn. Sabe ainda onde eu toco todas as quintas e pode me convidar quando quiser para um encontro ou almoço, que irei com o maior prazer. Nada mudou em nossa relação. Fique tranqüilo(a).”
Nada disso adiantou, continuaram ofendidas. Elas queriam mesmo é continuar “amigas” do meu Orkut. Levaram o negócio a sério demais. Uma amizade em risco por causa de uma lista em um site de relacionamentos.
O que era uma ferramenta de comunicação virou uma chancela de aceitação e aprovação social e até mesmo um estepe emocional.
Uma das pessoas que apaguei da lista, que não falava comigo faz tempo, me disse que para ela bastava a minha foto do perfil aparecer na tela dela para ela saber que estou bem e que se sentia reconfortada só de ver minha foto por ali.
Infelizmente a recíproca não era verdadeira, apaguei sem dó.
Agora se alguém quiser saber se estou bem, vai ter que gastar alguns segundos pelo msn e me perguntar. Ou quem sabe, vai ter que me ligar. Ou ainda, num esforço extremo e desumano, vai ter que me ver pessoalmente. Vai ter que (re)aprender a se relacionar comigo e não com a minha foto numa lista.
Sinto que serão tempos difíceis, esses futuros, para os meus “amigos” virtuais.
sexta-feira, 30 de maio de 2008
Protocolo social
O básico é perceber que amor não é posse;
Que ciúme é fraqueza, doença;
E que casamento não é sinônimo de felicidade, mas sim, um protocolo de aceitação social.
Que ciúme é fraqueza, doença;
E que casamento não é sinônimo de felicidade, mas sim, um protocolo de aceitação social.
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