quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Up In The Air

Hoje fui assistir o filme "Amor sem escalas" com George Clooney. Se você ainda não viu o filme, pare a leitura deste texto agora, pode estragar sua experiência.

Ryan Bingham, personagem de Clooney, é pago para viajar pelos Estados Unidos despedindo funcionários de empresas afetadas pela crise. Morador de aeroportos, carrega sua vida em uma mala de mão e tem como meta juntar 10 milhões de milhas no seu cartão da American Arlines. Aparentemente feliz com sua vida, eficiente no que faz, se vê ameaçado por uma jovem que vende ao seu chefe um método de fazer as demissões sem viajar, direto do escritório, usando vídeo conferência. Nesse trecho do filme, Ryan, supostamente desumano e frio, mostra sua face humana nas demissões e questiona o método frio de demitir por computador.

O tempo todo o filme mostra o conflito presente em todos nós: equilibrar o lado humano, sentimental e amoroso com o lado caçador e negociador, que precisamos desenvolver para sobreviver e pagar as contas.

O seu jeito de viver livre, sempre viajando e sem residência e nem parceira fixa é questionado por sua família e por quem convive com ele e para piorar, quando ele realmente se interessa amorosamente por uma mulher, descobre, da pior maneira, que ela já é casada e com filhos e o usa como fuga ao tédio do casamento.

Gostei muito que o final do filme não resolve o conflito nem diz qual lado é o melhor ou certo para nós, como a maioria dos filmes de Hollywood tenta fazer.

Realmente não há uma resposta definitiva para esse dilema.

Cada um deveria ter a liberdade de escolher seu caminho, mas acabamos cercados de regras que anulam a nossa individualidade e nos forçam a caber numa forma única. Você será aprovado pelo grupo se conseguir se enquadrar nessa forma estabelecida, caso contrário, será punido com a culpa e a exclusão social.

Neste formato padrão, as relações amorosas acabam em segundo plano, prevalecem as relações sociais. Sobram pessoas cada vez mais carentes e solitárias, inseguras, buscando aprovação que nunca virá.

Para mim, a vida é bem mais simples do que isso. Acho que o que todo mundo no fundo quer é ser amado e amar de volta, por isso me interessei tanto pelo desafio mostrado no filme.

Acredito que não conseguimos viver sem os outros, crescemos e vivemos nas relações, mas precisamos equilibrar também nesse processo coletivo o nosso processo como indivíduos únicos que somos.

Belo desafio que é esse de viver bem com essas duas realidades.

Um comentário:

Unknown disse...

o filme é bom e bem ao estilo Clooney não termina como todos esperam. Me lembrou "Alfie".