terça-feira, 30 de junho de 2009

Meu plano infalível para dominar o mundo

Fruto de muita observação, esse meu pequeno plano em dez passos para dominar o mundo é bem simples.

Primeiro passo:
Dividir para conquistar. Esse é o passo básico e fundamental. Gente unida dá muito trabalho para manipular, mentes separadas são mais frágeis. Pretendo conseguir completar esse passo estimulando a ruptura, competição, ambição e guerras.

Segundo passo:
Enfraquecer as instituições. Este é um desdobramento do primeiro passo. Acabando com a confiança do povo nos políticos, na polícia, nas religiões, nas escolas. Com esse passo, elimino a chance de alguma instituição reunir as pessoas divididas no primeiro passo.

Terceiro passo:
Estimular o culto ao luxo e gerar necessidades de consumo descontrolado. Você tem um bom carro, uma boa casa, boas roupas? Não basta! Você precisa de roupas de grife, carros importados e uma casa maior e vai acreditar nisso com todas suas forças. Para conseguir comprar todas essas coisas, vai trabalhar igual um escravo, sem tempo de lazer ou para educar e cuidar dos seus filhos. Criarei marcas famosas e venderei produtos baratos com essa marca, mas com um overprice gigante, o que vai ajudar a financiar meu plano. Por exemplo, vou vender calças jeans por mais de R$ 1000,00, sendo que custam no máximo R$ 50,00 de material e mão de obra. Criar um padrão de beleza inatingível para grande maioria das pessoas será o desdobramento desse passo.

Quarto passo:
Enfraquecer a imprensa e controlar as comunicações. Por motivos óbvios, a divulgação de informações contrárias ao meu plano não serão bem vindas, portanto pretendo impedir qualquer tipo de oposicão nas comunicações, nem que para isso eu tenha que abolir a necessidade de diploma para jornalistas e contratar gente barata e gananciosa para escrever no meu jornal e apresentar meus programas de TV.

Quinto passo:
Disseminação de substâncias entorpecentes. O álcool, o fumo, as drogas químicas e naturais. Os remédios alopatas. Nos alimentos, usarei fertilizantes, adubos, hormônios e aditivos artificiais. Tudo isso para gerar pessoas menos saudáveis, mais dependentes e frágeis, portanto mais facilmente manipuláveis. O dependente é um escravo da manipulação.

Sexto passo:
Infiltrar minha gente no poder. Começando nas pequenas esferas até as mais altas, colocarei pessoas voltadas para a defesa de meus interesses. Financiarei a campanha para a eleição delas e depois cobrarei esse dinheiro de volta com leis para meu proveito, possibilitando assim o:

Sétimo passo:
Fazer os outros trabalharem por mim. Com meus políticos no poder, farei com que criem taxas e impostos e todos os cidadãos terão que pagar grande parte dos seus ganhos para benfeitorias comuns, mas na verdade grande parte desse dinheiro será desviado a fim de fortalecer ainda mais minha campanha de colocar pessoas de meu interesse no poder.

Oitavo passo:
Estimular a insegurança e o medo. Criar por meio da imprensa, notícias que coloquem as pessoas em estado de alerta constante. Pretendo criar falsas ameaças e crises econômicas, espalhando factóides e boatos e obrigando os cidadãos a se isolarem em casa, buscando mais informações somente pelo rádio, tv e jornais, onde colocarei mais notícias assustadoras. É um loop perfeito para a manipulação.

Nono passo:
Acesso total a informação individual e pessoal. Obrigarei a todos a utilizarem um sistema bancário único, onde terei acesso a toda a movimentação financeira do mundo. Controlarei todos os gastos de cada indivíduo. Criarei também servidores gratuitos de internet onde as pessoas armazenarão seus e-mails pessoais e informações estratégicas. Caso alguma me interesse, terei senhas para acessá-las sem que o dono da conta perceba.

Décimo e último passo:
Enfraquecer a educação e a cultura. Criar instituições de ensino onde as informações sejam ensinadas de modo a não estimular a união nem o pensamento crítico. Todos serão obrigados a decorar toneladas de informações inúteis e não terão a menor chance de escolha. Todos serão tratados igualmente, independente de suas diferenças de aprendizado. As diferenças serão menosprezadas e o preconceito estimulado. Pessoas com qualquer traço de reflexão serão perseguidas ou segregadas. Professores como autoridades serão mal remunerados e o respeito a eles não será incentivado, conforme já descrito no passo dois.

Acredito que com esses simples dez passos, em algumas décadas o mundo estará sob meu controle. Espero que ninguém tenha tido nenhuma dessas idéias antes de mim.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

ISO 9000

Você se sente pressionado sempre? Pressionada?

Demandas de todos os lados nos colocam em contato permanente com nossa imperfeição. Dentro dos parâmetros definidos como bons, recomendáveis ou perfeitos, nos esprememos, tentando nos encaixar de alguma forma no grupo social que nos interessa e insiste em não aceitar diferentes.

Desde seu começo, a industrialização levantou questões relativas à padronização e à qualidade de processos e produtos. No início do século XX, destacaram-se os estudos de Frederick Taylor visando racionalizar as etapas de produção, aproveitados com sucesso por Henry Ford. Seu lema era: "Todos podem escolher a cor de seu carro, contanto que seja o preto".

Da padronização dos carros para a das pessoas foi um pulinho. Entramos para a linha de montagem de Henry Ford. Estamos vivendo nosso ISO 9000.

Todo mundo da tribo, para ser aceito, agora tem que ser igual. Mesmo nas turmas mais alternativas, todos acabam alternativamente iguais. Não podemos nos destacar, sob pena de expulsão. Quer arriscar? Não dá! Temos gente o tempo todo nos verificando e criticando. São os guardiões do padrão. Escapou, já era. Vai ser rejeitado.

Acima do peso? Rejeitado! Feio demais? Rejeitado! Pobre? Ah, rejeitado! Arrumado demais? Rejeitado! Arrumado de menos? Rejeitado...e assim segue.

Fixados nas referências do nosso grupo, nos tornamos escravos de nossos espelhos.

Se não conseguimos nos enquadrar no padrão, mesmo com muito sacrifício, morremos de culpa.

Nos culpamos por aquele delicioso bolo de chocolate porque nos engorda, nos culpamos por dormir demais e trabalhar de menos, nos culpamos por achar a mulher de um amigo bonita e atraente. Pronto, você acabou de me culpar por pensar nisso, certo?

A culpa, de certa forma domina o mundo. Junto com a fofoca.

O ideal seria aceitarmos nossas diferenças, com respeito e afeto. Esquecer o padrão, valorizar os indivíduos. Únicos, mas juntos.

Essa escolha está em nossas mãos. Podemos viver as alegrias dos outros, nos corroendo de inveja e raiva ou podemos buscar nossas próprias alegrias, usando o sucesso dos outros como modelo.

Livrando-se das culpas e cercando-se de afeto, o que resta é felicidade.

Aceite a sua!