Outro dia, uma amiga me perguntou se eu tinha medo de morrer. Respondi com um pronto e sonoro não! Respondi que para mim, a morte é algo natural, é a simples conseqüência de estar vivo.
Ela só me olhou com aquela cara incrédula de quem estava vendo um extraterrestre e não falou mais nada.
As pessoas, em sua grande maioria, nunca estão satisfeitas com o tempo de vida que terão. Afinal, temos sempre sonhos inacabados, coisas a realizar, pequenos ou grandes desejos ainda não conquistados, filhos para criar e cuidar, conhecimento a adquirir e muito mais.
O foco disso tudo está sempre no futuro e acho que aí que mora a origem dos medos.
Desde pequenos, somos ensinados e condicionados que a felicidade existe no futuro. Hoje as crianças aprendem, através da educação e de sugestões, que a felicidade está em ter uma casa grande, um corpo perfeito, bons carros, dinheiro, amigos influentes, sucesso profissional e principalmente, fama.
Vivemos condicionados pela sociedade (Estado, Igreja, cultura/mídia) a viver querendo mais, comparando nossa vida à vida do vizinho e expostos à nossa falta de tudo. Não basta ter algo, você sempre poderá ter algo melhor e mais caro.
Todo esse circo só é possível porque deixamos de viver o presente.
Ninguém te ensina que a felicidade não depende de nada e toda criança já nasce feliz. É uma coisa que você já nasce com, já faz parte de você.
A felicidade é um sentimento para ser vivido no presente, estando presente. Colocar a felicidade no futuro é certeza de infelicidade. O tal futuro que nunca chegará, sua felicidade estará sempre no amanhã.
Agora imagine morrer antes desse futuro chegar? Deve dar um medo enorme mesmo.
Uma pessoa feliz é tida como rebelde. A felicidade é uma grande rebelião. Nenhuma sociedade até hoje permitiu que alguém fosse feliz; é muito perigoso. Como mandar pessoas para a guerra, se elas forem felizes? Como convencê-las que precisam de regimes políticos, religiões e bens materiais em excesso? Pessoas felizes dão risadas de todas essas ideologias; não levam nada disso a sério. Rirão só com a idéia de que alguém possa lutar durante séculos por uma religião e matarem-se uns aos outros.
Seja feliz e não será mais possível encontrar utilidade para políticos, padres, templos, igrejas ou religiões em sua vida.
A maneira como encaramos nossa morte revela sutilezas de nossa essência: valores e significados de nossa vida. Refletir com sinceridade sobre a morte intensifica o propósito da vida, porque nos leva a ter mais clareza de nossas prioridades. Esta reflexão não pode ser apenas intelectual, deve ser mobilizada pelos sentimentos que surgem a partir de nosso coração.
A vida é impermanente: não podemos controlar as mudanças que chegam até nós, mas podemos escolher a maneira como lidar com elas.
A grande saída para o perder os medos é você descobrir sua vocação, viver sua missão com plenitude, no aqui e agora, presente.
Vivendo no presente, com entrega, generosidade e amor, nenhum medo resiste.
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Um comentário:
Já percebeu que quando perguntam para as pessoas: "Qual é o seu maior sonho?" - de cara, a resposta é "Ser feliz!"
Ninguém é realmente feliz, as pessoas projetam a felicidade pro futuro "um dia serei feliz, rico e famoso".
A felicidade está nas coisas simples, no cotidiano, no dia de hoje.
Se um caminhão me atropelar agora, e antes de morrer me perguntarem se fui feliz, não sei se responderia que sim, mas acho que tive momentos de intensa felicidade...e no final das contas, é isso que importa na vida!
Seja sempre feliz, Gaspa!
=)
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