No filme "O Menino da Bolha de Plástico", de 1976, Tod Lubitch foi "condenado" a passar o resto de sua vida dentro de uma bolha de plástico onde poderia ter um sistema esterilizado e viveria a salvo de bactérias e vírus que para pessoas normais não representam risco, mas para ele, poderia levá-lo à morte. Tudo isso porque nasceu com uma deficiência rara no sistema imunológico.
Andando outro dia de carro, me toquei o quanto todos nós viramos um pouco Tod Lubitch. Os vidros escuros, que nos protegem de eventuais assaltos, não nos deixam mais ver as pessoas nos carros do lado. Adeus paquera no trânsito.
Outro dia fui mostrar uma casa linda que conheço a uma amiga, passeando pelos Jardins, em São Paulo. Só que por medo de assaltos, os donos da casa subiram os muros a uma altura que, de fora, não se via mais a casa. Agora parece um presídio com câmeras e sensores infravermelhos para todo lado.
Quando comprei meu primeiro celular com capacidade de enviar SMS, pensei comigo mesmo, que coisa inútil! Para que alguém ia querer mandar mensagem de texto se pode ligar para a pessoa usando o mesmo aparelho e pelo mesmo preço? Hoje, em nome da praticidade (e privacidade), acabamos mandando mais mensagens de texto do que fazendo ligações. Tudo muito objetivo, claro...e frio.
Sempre no aniversário dos amigos, tínhamos a desculpa anual ideal para botar as notícias e o papo em dia, quando ligávamos para desejar felicidades. Hoje mandamos um scrap no Orkut ou Facebook da vida e pronto, estamos livres desse contato também. Não temos mais tempo para isso.
Isolados de tudo, trocamos informações pelos nossos blogs, comunicadores instantâneos e twitters. Mudou o cabelo? Ah, me manda uma foto no msn. Vemos as mudanças dos amigos só por foto.
Coisas mais formais ou longas, que exigem uma aproximação mais pessoal, hoje vão por e-mail, versão on-line das antigas cartas, escritas a mão, cheias de intenções, erros e rabiscos, que eram enviadas pelo correio. Cartas vinham com a energia de quem as escreveu, perdemos isso também.
Se apaixonar hoje é um risco tão grande, que nos protegemos de todo sofrimento e também de todos os problemas que um relacionamento pode causar. Melhor nem se envolver, dá um trabalho danado. Estamos mais distantes do amor. Seguros, isolados de tudo que é ruim...e por conseqüência, de tudo que é bom também.
E assim vamos virando meninos e meninas da bolha de plástico, condenados a passar o resto de nossas vidas dentro de uma bolha, de um sistema esterilizado, vivendo a salvo de sofrimentos, assaltos, dores e problemas. Coisas que para pessoas normais nunca representaram risco, mas para nós, pode causar a morte; a morte da interação, da troca, da vida no coletivo e, principalmente do amor.
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Um comentário:
muito legal o post!! parabéns!!
concordo com você em gênero e grau, e claro, pra não haver problemas, mando a mensagem por aqui, assim não corremos riscos...rs
;)
bom fim de semana!
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