Enquanto algumas pessoas cismam com meu banho na hidromassagem, perguntando se eu não tenho medo que meus filhos possam viver num mundo sem água potável, a minha vontade é de pedir um tempinho da pessoa para algumas considerações:
Quando publicou o livro A Bomba Populacional, em 1968, o biólogo americano Paul Ehrlich, da Universidade Stanford, em São Francisco, Califórnia, acendeu o pavio de uma enorme polêmica. Experiente analista das agressões ao ambiente e com profundos conhecimentos de ecologia, ele não se preocupava com a mera falta de espaço num mundo abarrotado. Naquela época, já antecipava as formidáveis dores de cabeça dos anos 80 e 90. Efeito estufa, chuva ácida, Aids, escassez de alimentos, destruição da camada de ozônio, redução da diversidade biológica e das florestas tropicais. Tudo isso, argumentava o cientista, faz parte de um grande distúrbio da natureza, em escala planetária. Ehrlich, vale lembrar, lançou esse alerta em 1968, quando os atuais desastres eram apenas enredos de ficção científica.
Há três décadas, o argumento de Ehrlich era simples: se o crescimento da população não fosse contido, a própria natureza se incumbiria de contê-lo. Também apresentou possibilidades de correção dos atuais tropeços ambientais: a primeira medida é evidente: diminuir o ritmo de crescimento populacional da forma mais rápida possível, fixando um teto definido para a população mundial. Esta não pode ser tão grande que não possa ser sustentada por meio dos recursos disponíveis a cada momento. A expressão sustentada, para Ehrlich, significa que todos devem ter vida de boa qualidade e produtiva.
Mas só controlar o crescimento populacional não basta, como podemos observar o que aconteceu na China, que mesmo depois de forte controle populacional, aumentou mesmo assim o consumo de insumos naturais.
O sistema econômico também deveria ser remodelado de forma a reduzir o consumo nos países mais ricos. Tal medida é imprescindível para preservar o meio ambiente e não desperdiçar recursos não renováveis do planeta.
A mesma pessoa que me pede para evitar um banho de banheira é feroz vendedora do mercado da construção civil, com vendas recordes nos últimos anos, coordenadora de uma equipe de muitos corretores preocupados em vender cada vez mais suas unidades de moradia.
Na construção civil, embora a água não seja vista e nem tratada como material de construção, o consumo é bastante elevado, por exemplo, para a confecção de um metro cúbico de concreto, gasta-se em média de 160 a 200 litros e, na compactação de um metro cúbico de aterro, podem ser consumidos até 300 litros de água. Será que ela se preocupa com o futuro da humanidade quando vende mais um apartamento? Apartamento que nem seria necessário se não tivéssemos tantas pessoas para acolher sob um teto.
Todos atacam as conseqüências mas poucos querem realmente ver a causa do que estamos e vamos passar com mais intensidade no futuro se não mudarmos algo já.
Temos que crescer a qualquer custo?
Claro que sabemos que é só com o aumento da capacidade produtiva (mais fábricas, mais geração de energia, mais empregos) que se consegue obter um aumento sustentável na renda de um país, mas quando vamos ver que é hora de parar de crescer?
Nossa superpopulação humana está em explosão demográfica desde a revolução industrial que começou na Inglaterra no século XVII por volta de 1650.
Tornamos-nos uma praga de nós mesmos. O que é uma praga? A definição biológica de praga é quando uma população tem alta taxa de natalidade e baixa taxa de mortalidade e o número de indivíduos cresce em progressão geométrica de forma anormal no ambiente. Tornamos-nos seres de hábitos auto-destrutivos, que destroem seus semelhantes de espécie e destroem o meio ambiente em que vivem não exercendo troca, só predando.
Só que, diferentes de gafanhotos e outros bichos, temos consciência e podemos reverter o processo.
Hoje são sete bilhões, crescendo um bilhão por ano. Tem dúvida de onde isso vai parar?
Não são só cientistas e eu que estamos vendo que é hora de parar de ter filhos...
A taxa de natalidade nos países desenvolvidos é, em geral, mais baixa (devido ao conhecimento de métodos contraceptivos, melhores condições médicas e econômicas), enquanto que nos países em desenvolvimento a taxa de natalidade é, em geral, superior face ao desconhecimento ou não-divulgação de métodos contraceptivos e à tendência para seguir tradições familiares e religiosas.
Pessoas mais esclarecidas já perceberam que há um limite mínimo de salubridade que é aquele que possibilita a sobrevivência de uma quantidade mínima de indivíduos até a idade reprodutiva e a sua reprodução numa taxa suficiente para repôr os indivíduos mortos. Abaixo desse limite mínimo de salubridade, a espécie está fadada à extinção. Esse limite mínimo é bastante inferior aos padrões de conforto (entendido como bem-estar material) atualmente considerados civilizados. A questão intergeracional impõe, contudo, um limite máximo ao conforto usufruído por uma dada geração humana, pois este não pode ser obtido às custas dos meios necessários para a manutenção de um meio ambiente sadio para as gerações futuras.
A não ser que a geração futura não consuma tanto quanto nós, ou seja, se mantenha em número igual ou inferior ao exagerado de hoje.
Podemos assim definir o meio ambiente humano saudável como aquele que permite a sobrevivência por tempo indeterminado da espécie humana e, ao mesmo tempo, satisfaz, no maior grau possível, as necessidades de cada indivíduo humano, proporcionando-lhe a oportunidade de viver uma vida digna. Essa definição inclui tanto a dimensão física (o limite mínimo físico de salubridade e máximo de conforto), quanto a cultural (a necessidade de respeito a cada indivíduo humano, evitando um cinismo estatístico, e a concepção de bem de cada cultura) de um meio ambiente saudável. É, portanto, uma definição relativamente aberta e que deverá ser especificada para cada grupo cultural por meio do embate político.
Ainda hoje, o controle de natalidade é um assunto politicamente e eticamente controverso em muitas culturas e religiões, e embora seja menos controverso que o aborto especificamente, ainda enfrenta a oposição de muitas pessoas. Existem vários graus de oposição, incluindo aqueles que são contra todas as formas de controle de nascimento que não usam a abstinência sexual (hipócritas); aqueles que são contra todas as formas de controle de nascimento que eles consideram "não-naturais" (meio hipócritas), enquanto permitem o controle de natalidade natural; e aqueles que apóiam a maioria das formas de controle de natalidade que previnem a fertilização, mas são contrários a qualquer método de controle de natalidade que previna que um embrião fertilizado se fixe no útero e inicie a gravidez (sem comentários).
Se uma pessoa, baseada em todas essas informações, opta por não se reproduzir, é olhada com cara de poucos amigos, carimbado na testa como pária social e culpado imediatamente pelo não crescimento da base de consumidores e fieis à religião (qualquer uma delas). Se bobear, ainda dizem que você não gosta de criancinhas.
Acredite, todos nós gostamos de criancinhas fofas, sorridentes e gorduchinhas, mas essas crianças crescem e viram consumidores ferozes, viram verdadeiras pragas.
Infelizmente, enquanto não mudarmos isso, sempre vai ter gente mais preocupada com meu banho de banheira.
Uma coisa é certa, nesse mundo o meu filho não vai viver...
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