segunda-feira, 9 de maio de 2011

Intensamente superficial

Espreme, espreme mais....ah, está apertado, estou quase entrando, mas está apertado, empurra....

Ali está você, se esmagando para poder caber na forma padrão.

Queremos caber.

A pressão para que viremos um só grande grupo é gigante. Temos que saber trabalhar em equipe, conviver saudavelmente com a sociedade e a família, aceitar todos os tipos de ideologia, todas as religiões e escolhas sexuais. Isso sem contar a aparência única, a forma física ideal, as roupas de grife.

Todo mundo politicamente correto e magro.

Eu até entendo que as pessoas se preocupem com a minha saúde quando se incomodam com a MINHA barriga, mas se isso fosse mesmo verdade, pediriam meu exame de saúde, como fez o meu médico. Barriga nem sempre é sinal de saúde ruim.

Na realidade, o que vemos acontecer é que, na maioria das vezes, o diferente acaba se destacando de maneira ruim, geralmente com inferioridade. A pessoa fora do padrão é excluída do grupo. Para fugir disso, do cada vez mais cruel bullying, o que mais se vê são pessoas se anulando em troca de amor e reconhecimento.

O que eu mais tenho visto no twitter é gente carente, de todas as formas. Gente que no fundo está buscando no outro o que não achou em si mesmo, como se isso fosse possível. Querem companheiros amorosos, mas só os bonitos e enquadrados socialmente servem.

Famosos, por razões obvias, são os mais desejados.

Cheios de inseguranças, medos e incertezas, as pessoas querem aprovação. Na dúvida, ninguém mais paga pra ver, não se arriscam mais, é mais fácil sair correndo. Acabam escolhendo o caminho medíocre, porque nele conseguem a ilusão de aceitação e de controle.

Todo mundo buscando marido/esposa...e não amor. Chancela social virou prioridade em detrimento ao sentimento.

Não me espanta a quantidade de carentes.

No fundo, ter ideias próprias, defender seus direitos e bancar ser fora do padrão, além de fortalecer a auto-estima, enriquece os relacionamentos, enriquece a troca. Não tem o que trocar se só buscarmos o mesmo sempre.

Nesse mundo, cada vez mais social, baseado em aparências, intensamente superficial, para conseguir um pouco de amor, correr riscos ainda é a única saída.